Zeferino Teque: faleceu o doutor dos motores

O Homem, o empresário, o amigo, o jornalista especializado em automóveis de competição e o baterista do grupo “The Rangers”, faleceu aos 70 anos, no conforto do seu lar, em Oliveira de Azeméis. Uma perda irreparável para familiares e amigos.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Zeferino da Silva Teque partiu sem dizer nada ninguém. Uma partida abrupta que provocou uma enorme onda de consternação no seio familiar, amigos, conhecidos e comunidade generalizada, do Minho ao Algarve. Um homem com carácter que nasceu em Oliveira de Azeméis e que, durante décadas a fio, revelou-se uma figura incontornável na vida pública local, regional e nacional.

A sua vida foi administrada por muitas paixões. Os dedos das duas mãos não chegam para as enumerar, mas há uma grande certeza no seu percurso: a família foi sempre o seu alicerce e o pilar do gosto de viver. Tudo, sem excepção, foi desenhado a régua e esquadro em prol do seio familiar.

A partida dos pais, para quem tinha sempre palavras elogiosas, abalou de forma considerável Zeferino Teque. Um forte abalo que, todavia, soube ultrapassar com muita dificuldade, mas encontrou no porto seguro da família as ajudas necessárias mas readquirir as forças anímicas para prosseguir a sua missão

Por essa e outras razões, o oliveirense de gema apostou todos os triunfos na sua família encantadora, desde a esposa Irene Teque, às filhas Sandra Teque, Sara Teque e Sabina Teque, passado pelas netas Patrícia Brandão, Rita Freire, Ana Leitão e Mariana Leitão, finalizando nos genros Sérgio Brandão e Nuno Leitão. A este quadro familiar junta-se, naturalmente, os restantes elementos, para quem também procurava ajudar no que fosse preciso.

Zeferino Teque tinha na sua família a sua razão de viver. A família era a menina dos seus olhos. Era a preferida, a favorita, a predilecto, ligadas pelo sangue, com que partilhava emoções, objectivos e sonhos. Uma forma de ser e de estar e muito elogiosa, pelo que, ao longo dos anos, foi colecionando um “mar” imenso de amigos, muitos dos quais conquistados pelas suas outras paixões: os automóveis e o jornalismo.

O “Tequinho”, como, carinhosamente, o apelidava, era um verdadeiro apaixonado pelos desportos motorizados, primeiro pela via profissional e, posteriormente, pela magia do jornalismo. Foram anos a fio a calcorrear quilómetros, de norte a sul do país, porque sempre acreditou em causas, em especial pelos motores que tão bem cuidava nos laboratórios de Artur de Oliveira Teque & Filho, Ld.ª, na Rua do Cruzeiro, 141, em Oliveira de Azeméis.

No seu laboratório cuidava com aprumo o equilíbrio de motores. Foram inúmeros os motores de pilotos e equipas do automobilismo, nacional e internacional, que passaram pelas suas mãos. O “doutor dos motores” empregou a sua sabedoria no incondicional apoio técnico a todos os pilotos, inclusive aos dos troféus monomarca em Portugal.

Também no jornalismo, arte que foi concebendo com o seu esmerado desejo de fazer mais e melhor, tanto nos ralis como no todo-o-terreno, na velocidade, nas motos, onde quer que fosse, logo que se ouvissem os motores para preencher páginas de jornais, entre os quais o Binário – Topo de Gama e Correio de Azeméis, além dos microfones da sua rádio de eleição de Oliveira de Azeméis, Azemeis FM, espalhando a “doutrina” do jornalismo pelos quatro cantos do mundo.

Refira-se que o Binário – Topo de Gama foi um jornal informativo de referência, especializado nos desportos motorizados, comércio e indústria automóvel no distrito de Aveiro, que contou ainda com a sabedoria de Paulo Pinho, também um companheiro de grandes viagens, assim como o bracarense Carlos Costa, amigos de longa data.

Na quinta edição da festa do Off-Road, organizada pelo malogrado Rodrigo Vasconcelos e Nena Vasconcelos, do OffRoad Portugal, Zeferino Teque, juntamente com António Sequeira, presidente da Escuderia Castelo Branco,  recebeu o Galardão Dedicação, numa cerimónia que decorreu no dia 11 de Janeiro do ano passado e que juntou na Quinta das Pontezinhas, em Aveleda (Lousada), várias dezenas de praticantes e amigos do Ralicross, Kartcross e Super Buggy.

A música também foi uma das suas grandes paixões que começou na irreverência da juventude. Zeferino Teque, juntamente com os seus companheiros de palco, transbordava estilo na bateria do grupo “The Rangers”. O serviço militar obrigatório, com alguns dos elementos chamados a combater na Guerra Colonial, serviu de pretexto para inviabilizar o projecto, muito embora no horizonte o regresso pudesse vir a ser um dia uma realidade.

Já nesta década, o grupo, formado por elementos do concelho de Oliveira de Azeméis, não descurou a oportunidade de limpar os instrumentos, após longos anos de paragem, com a finalidade de subir ao palco.

Zeferino Teque, Carlos Flores, Elísio Guilherme, João Carlos, César Pinho e Daniel Pintor, actuaram com pompa e circunstância no Cine-Teatro Caracas para assinalar os 45 anos do conjunto nascido em Setembro de 1965. No palco foram recordados temas da década de 60 do século passado, como “I should have know better”, “Blueberry Hill”, “San Francisco”, “Aline”, “Perfidia”, “Holliday”, “Oh Carol”, entre outros. Também este grupo está, naturalmente, despedaçado com a sua abrupta partida.

Já na plateia, o espectáculo, foi brindado por palmas e pedidos em catadupa para o grupo prosseguir a caminhada depois de um período alargado afastado do público. Tratou-se de um concerto com a plateia cheia, que contou ainda com a participação da Escola Meia Ponta e AZ Dance, Oficina de Emoções.

Esta terça-feira perdi um amigo. Um amigo com quem percorri milhares de quilómetros por um afecto comum: a competição automóvel, ambos munidos com os apetrechos para a realização das respectivas reportagens. Testemunhámos muitas histórias e, durante horas, conversámos para e no regresso das provas.

Respeitámo-nos mutuamente. Zeferino Teque “empurrou-me” várias vezes para não deixar cair o projecto Autolook.pt. Palavras de incentivo jorrou em cascata. Zeferino Teque dava mais do que recebia. Era uma força da natureza no campo da bondade. Um senhor que jamais esquecerei. Um Homem com “H” Grande.

O telefone tocou para receber com choque e muita tristeza a notícia do falecimento de Zeferino Teque, um amigo de longos anos. Homem bom e solidário. Aprendi com Zeferino Teque a enfrentar as adversidades da vida. Um dia ainda vamos esgrimir argumentos por este ou aquele motivo, porque tínhamos sempre algo para debater. Hoje havia tanto para dizer…

Esta quarta-feira vou despedir-me inconformado com a sua partida. Zeferino da Silva Teque já deixou um vazio na minha vida. Um vazio a juntar a muitos outros que, infelizmente, já vivi. O funeral é esta quarta-feira, pelas 11h15, na Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis, onde serão celebradas as cerimónias religiosas.

Neste momento tão difícil, quero endereçar à sua família, em especial à sua esposa, filhas, netas, genros e aos muitos amigos que deixa, as mais sentidas condolências. Descanse em paz, Tequinho.

One thought on “Zeferino Teque: faleceu o doutor dos motores

  • 25 Agosto, 2021 at 16:22
    Permalink

    Estou profundamente consternado, ao ter tido conhecimento pelo “Autolook” , que o meu grande amigo Jorge Cirne, faleceu em 2019. Eu fui durante mais de uma vintena de anos, o Speaker do Autódromo do Estoril. Privei durante anos de muito perto com o “Jorge” e a sua esposa, no tempo em que tinham um simpático Bar para os lados de Cascais, quando ele ainda fazia parte do MCE. Era um amigão dos sete costados …. Eterna saudade!
    Francisco Baudouin

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *