Exclusão do Mundial anulou o Rali de Portugal
A exclusão do Vodafone Rally de Portugal do Mundial de Ralis (WRC) leva ao cancelamento da edição de 2027, segundo uma resposta escrita do Automóvel Club de Portugal (ACP), reiterando a responsabilidade do promotor do campeonato pelo sucedido.
carlos.sousa@autolook.pt – Fotos: JOÃO DA FRANCA/ACP
Em 29 de setembro último, o ACP anunciou que «um dos mais emblemáticos ralis do campeonato do mundo» tinha ficado fora do calendário de 2027, devido a uma «alteração de última hora», admitindo o regresso em 2028.
Esta quinta-feira, o ACP apresentou a justificação usada na altura, em resposta a duas das perguntas da Lusa, incluindo uma sobre os incidentes que perturbaram a edição de 2026, como a presença de um reboque num troço ou de um militar da GNR noutro.
«Já com data prevista entre 13 e 16 de maio, fruto de alterações feitas pelo promotor no último dia da preparação da próxima temporada do WRC, com o objetivo de a tornar geograficamente tão diversa e intercontinental quanto possível, o Vodafone Rally de Portugal foi uma das provas cuja calendarização foi afetada», repetiu o ACP, reforçando que as referidas ocorrências não influenciaram a decisão.
Recorrendo, novamente, a essa afirmação, recusa ainda que a exclusão do Vodafone Rally de Portugal fique a dever-se a motivos financeiros ou à mudança anunciada do centro nevrálgico da prova de Matosinhos para Viseu, assegurando ainda que nenhuma entidade será indemnizada.
«Não há lugar a qualquer tipo de indemnização, uma vez que, apesar dos contratos, os calendários desportivos são ratificados anualmente pelo promotor e pela Federação Internacional do Automóvel (FIA)», assegurou o ACP.
O próximo ano vai ser o segundo, desde a primeira edição do Rali de Portugal, em 1967, que a prova não vai realizar-se, tal como em 2020, então devido à pandemia de covid-19, vincou o ACP.
«O Vodafone Rally de Portugal não se vai realizar em 2027», vincou o ACP, excluindo a possibilidade de a prova integrar qualquer outro calendário nacional ou internacional. O Rali de Portugal integrou o WRC desde a sua criação, em 1973, tendo ficado afastado do calendário entre 2002 e 2006.
Depois do regresso ao WRC, ainda no Algarve, em 2007, apenas tinha ficado fora do calendário em 2008, devido à rotatividade promovida pelos promotores. A prova rumou, depois, ao Norte, em 2015, e, a partir de 2019, voltou a passar pela região centro – após 18 anos de ausência.
O ACP lamenta o desfecho, advertindo que «o impacto é para o país» e recordando que «o estudo de impacto na economia nacional registou em 2025 um retorno superior a 193 milhões de euros».
Apesar de não se ter disponibilizado para prestar declarações, o presidente do ACP, Carlos Barbosa, partilhou com a Lusa, na referida resposta por escrito, «um sentimento de grande surpresa e de choque, do qual resultou uma sensação clara de frustração» com este desfecho.
O francês Sébastien Ogier é o recordista de triunfos no Rali de Portugal, com sete vitórias, num historial que conta ainda com a francesa Michèle Mouton, a única mulher a vencer etapas do WRC.

