Pinto dos Santos no Rally Legend de San Marino
O piloto de Coimbra, navegado pelo também conimbricense e experiente Paulo Amorim, inicia esta quinta-feira a 24.ª edição do mítico Rally Legends Repubblica di San Marino, em Itália. Aos comandos da icónica Renault 4 GTL, com o número 84 nas portas, a dupla de Coimbra já viveu as agruras de uma longa viagem ao volante da viatura francesa da marca do losango, tendo parado no El Escorial, a 40 km de Madrid com uma avaria profunda ao nível do alternador, entre muitas outras aventuras e peripécias.
CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Com o programa Rally Legend Repubblica di San Marino 2026 a ter o ponto de partida esta quinta-feira, 8 de outubro, com a Sprint Legend Race noturna, António Pinto dos Santos (Pintanas) e Paulo Amorim já têm múltiplas histórias para contar, depois de uma viagem desafiante e desigual ao volante da viatura de competição.
Pode-se dizer que foi uma viagem anómala de Coimbra a San Marino, sobretudo para quem a viveu e quem a viu. Como não havia um furgão disponível à partida da Cidade do Conhecimento, uma vez que a do mecânico de serviço sofreu uma avaria muito grave de motor, piloto e navegador ligaram a “ignição” da ciência viva e desenrascaram-se.

Um desenrasque que não é mais que a capacidade tipicamente portuguesa de resolver rapidamente um problema de última hora e com poucos recursos, usando a imaginação e o engenho. E não foi preciso muita invenção. Pintanas e Paulo Amorim saíram de Coimbra na Renault 4L GTL – deve ler-se viatura de competição –, numa viagem sublime de 2.250 km que ligou a cidade dos estudantes a San Marino.
A viagem começou na madrugada de segunda-feira, 5 de outubro, Dia da Implantação da República Portuguesa. A relutância de dois pilotos transformados em combatentes para medir forças contra um “exército” em alvoroço em San Marino, tinham pela frente 2.250 km.

No entanto, ao início da noite de segunda-feira e já em território espanhol, a Renault 4 GTL entendeu travar repentinamente a progressão da dupla de Coimbra. Tudo estava a correr dentro da normalidade, quando, em El Escorial, a 40 km de Madrid, a viatura da marca do losango “queixou-se” de uma grave avaria ao nível do alternador.
Com o trio imobilizado, restava a coadjuvação espanhola, até porque a avaria ocorreu a somente quatro dezenas de quilómetros da capital de “nuestros hermanos”. Tudo parecia perfeito, mas há sempre um mas, e os espanhóis já não têm alternadores, além de não haver ninguém que o pudesse reparar.
José Cruz, um dos pilotos mais carismáticos e espetaculares de Viseu, passou a ser a solução imediata para resolver o profundo problema. Contudo, o CEO da oficina AMSport possui vários na suas dignas instalações, mas encontra-se em Viseu, longe da resolução do enigma.

«Estamos mesmo com “galo”», proferiu Pintanas, bastante agastado com este episódio circunstancial, mas sem baixar a guarda, sublinhado que, «amanhã de manhã (terça-feira) devemos chamar a assistência em viagem». «Agora vamos beber uma “canha”, pois estamos parados há 5 horas, e a “seco”», murmurou para Paulo Amorim, também ele agastado com o cenário que estavam a viver.
Com a Renault 4 GTL em “convalescença” durante o período noturno, o dia de terça-feira começou com fé e esperança para António Pinto dos Santos e Paulo Amorim. O piloto não tem dúvidas: «Foi o “flato” que deu à 4L, coitadinha, e estava a correr tão bem a viagem».
A viatura de competição para alinhar na 24.ª edição do Rally Legends Repubblica di San Marino acabou por regressar à estrada no período matinal e, às 12h37, “festejou-se” a aproximação de Saragoça, capital da região de Aragão, no nordeste de Espanha.
«Regressar ao asfalto espanhol só foi possível graças ao Miguel Porto que, na segunda-feira à noite, ter dado “corda aos sapatos” e ter vindo ter connosco a El Escorial com um alternador tirado de outra Renault 4 GTL. Voltou tudo a andar, mas perdemos mais de meio-dia», resumiu António Pinto dos Santos o episódio, em menos de um minuto.
Às 2h30, na madrugada de terça para quarta-feira, Pintanas, Paulo Amorim e a Renault 4 GTL chegaram a Sanremo, uma comuna italiana da região da Ligúria, província de Impéria. Estava na hora de descansar porque “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”, parafraseando o verso mais famoso da canção “A Gente Vai Continuar”, escrita e interpretada pelo malogrado músico português Jorge Palma, lançada originalmente no álbum Acto Contínuo, em 1982.
Depois do repouso dos “guerreiros”, é hora de voltar à ação e focarem-se no próximo desafio: «Saímos hoje (quarta-feira) às 8h30, debaixo de um temporal, com chuva torrencial e vento, em que apanhámos um tráfego tremendo na AE – estivemos uma hora no pára-arranca – e chegámos a San Marino às 15h30, ainda com a missão para reconhecer nove troços do Rally Legends Repubblica di San Marino.
Esta quarta-feira António Pinto dos Santos e Paulo Amorim conduziram a Renault 4 GTL durante 12 horas, enquanto na véspera foram 18 horas ao volante. A “4L”, de 1985 da classe H1, dá, no máximo, 120km/hora na AE. Nada mau para dois sexagenários, sobretudo depois de tantas horas perdidas. É legítimo afirmar que foram dois ralis em um. Mas só esta quinta-feira, às 21h00, é que começa, na realidade, a festa anunciada.

