Miguel Correia vence Guarda Racing Days

Depois de treinos livres e mangas em lugares secundários, o jovem piloto bracarense “permutou” cavalos e mudanças no Can-Am e desferiu um ataque demolidor na Super Final, e saiu da cidade mais alta de Portugal com a Taça dos Campeões no bornal.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

O vento que forte que agitou durante o dia a cidade da Guarda soprou de feição a Miguel Correia, sucedendo na lista e vencedores Alexandre Borges que não interveio para defender a vitória registada em 2019. O piloto de Braga nunca se intimidou com o poderio preveniente dos pilotos dos ralis, estudando as melhores trajectórias para superar as dificuldades, ao ponto de chegar à Super Final sem aviso prévio.

Depois do apuramento nas duas mangas competitivas, a primeira semi-final foi disputada entre as categorias A (ralis) e C (Off Road). Em pista defrontaram-se os pilotos Fernando Teotónio, do Fundão, e António Matias, da Guarda. Ambos em Mitsubishi esgrimiram argumentos nos 1,5 quilómetros do traçado da malha urbana da cidade mais alta de Portugal, acabando por ser o piloto da capital da cereja a ocupar o tão desejado da Super Final, com o tempo de 4m27,506s, contra os 4m46,935s do egitaniense.

Já a segunda semi-final revelou-se entusiasmante, porque além de um dos pilotos da Socicorreia garantir o lugar na Super Final, o confronto entre o pai Manuel Correia (Mitsubishi) e o filho Miguel Correia (Can-Am) era aguardado com enorme expectativa. Neste desafio familiar, o peso da balança pendeu para o prato dos SSV, em detrimento do todo-o-terreno, ou seja o filho bateu sem apelo nem agravo o pai, mas ambos ficaram felizes com o desfecho.

Miguel Correia registou 4m21,548s e Manuel Correia, que ao volante do Mitsubishi azul “encadeou” centenas de adeptos desejosos de andar ao lado do piloto da cidade dos arcebispos, efectuou o tempo de 4m30,961s.

Estavam encontrados os finalistas da segunda edição da Guarda Racing Days, evento promovido pelo Clube Escape Livre e Câmara Municipal da Guarda. De um lado, um piloto experiente e com “fome” de vencer a prova perto de casa, enquanto do outro, um jovem que ainda a ganhar ritmo com o Can-Am disposto a sacudir os lugares secundários em termos gerais.

Miguel Correia apostou na regularidade para impor a sua determinação e audácia ao volante do Can-Am, enquanto Fernando Teotónio apostava todas as fichas nos cavalos do Mitsubishi Lancer Evo X para suceder a Alexandre Borges, vencedor da edição inaugural da Guarda Racing Days. Neste “tira-teimas” entre os SSV e os Ralis, o piloto bracarense não cometeu erros e o fundanense, na segunda incursão pela única rotunda do tração, não evitou uma escorregadela e perdeu preciosos segundos em benefício do seu mais directo opositor.

A julgar pelos tempos das semi-finais, a bolsa de valores pendia para o piloto do Fundão, mas o bracarense não estava ali para se curvar ao facilitismo. As regras do “jogo” foram cumpridas à risca e, quem ficou a ganhar, foi, naturalmente, o público. Os espectadores e Miguel Correia que “executou” um conjunto de manobras condizentes com as especificações e leveza do Can-Am, excelentemente preparado pela ARC Sport, logrou o triunfo.

A Guarda rendeu-se, uma vez mais, à iniciativa do Clube Escape Livre e Câmara Municipal, com os pilotos a passarem pelo pódio e vazar o inestimável néctar do champanhe das garrafas Magnum da Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo. A festa do automobilismo com rótulo de excelência foi saboreada na cidade mais alta de Portugal e, por isso, para o ano há mais, com o compromisso da estrutura organizativa de elevar a fasquia em termos de traçado para que o sucesso nunca se esgote.

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