Indo eu, indo eu, a caminho de… Viseu
A primeira etapa da 11.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road ligou a vila minhota de Vila Verde, localizada na sub-região do Cávado, no concelho de Braga, à cidade beirã de Viriato, contagiou a caravana de entusiasmo, reforçado pelo piloto Pedro Bianchi Prata que dispensa apresentações.
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Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu. É uma música infantil que faz parte do cancioneiro tradicional lusitano, com origens perdidas no tempo, mas que foi muito trauteada durante a primeira etapa do 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road que ligou a minhota Vila Verde à cidade beirã conhecida por ser a de Viriato.
Uma cantiga que ajuda a contar uma tirada com pouco mais de 250 quilómetros de extensão, mas muito exigente em termos físicos e de condução, que a Comissão de Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal ofereceu num dia excecional para a prática da modalidade.
TAMANHA TRISTEZA DE VER
TUDO O QUE JÁ ARDEU
Começou cedo o primeiro dia do Lés-a-Lés Off-Road porque todos queriam aproveitar a frescura da manhã para fazer o maior número de quilómetros numa tirada que cumpriu promessas de exigência.
Traçado técnico e pisos por vezes muito degradados, com bastante pedra solta e grandes regos, numa transformação que, mais do que à evolução orográfica das montanhas a norte, deve-se em boa parte à exploração intensiva do eucaliptal. Árvore que seca os solos, mais propensa à propagação de incêndios e que os motociclistas há muitos anos vêm alertando e tentando contrariar com várias iniciativas.
Nomeadamente com a campanha de sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés que chama a atenção para a necessidade urgente da plantação de árvores autóctones de molde a recuperar a floresta nativa. Paisagem predominante durante todo o dia, incluindo muitas áreas ardidas que, infelizmente, servem para reforçar as preocupações de todos.
Uma visão que começou em Vila Verde e haveria de prolongar-se bem para lá de Alfena, onde o Moto Clube local recebeu a caravana de forma tão atenciosa que alguns dos participantes começaram, logo ali, a perder minutos preciosos.
É que, mesmo longe de ser uma corrida, o Lés-a-Lés tem horários para cumprir e na verdade tudo se torna mais complicado quando o agradável relvado e uma tenda gigante, a simpatia das gentes e o generoso reforço do pequeno-almoço a meio da manhã, convidam a mais dois dedos de conversa.
Momentos de grande animação que nem todos puderam saborear não pelas dificuldades da muita pedra existente, mas pela traição de uma pequena poça de lama. Um momento de distração, uma roda dianteira a escorregar a uma queda a baixa velocidade que valeu um ombro estragado, uma visita ao hospital e um companheiro sozinho na aventura.
José Barros, assíduo nos eventos da FMP, tanto do lado da organização como enquanto participante, teve de continuar sozinho, com uma tristeza que só foi diluída pela diversão em caminhos que bem conhece.
«Ainda por cima, ao ficar sem travão na roda traseira da velhinha Yamaha XT600, de 1993, o gozo foi ainda maior», contava ainda durante o Oásis na Senhora Mó, onde a equipa federativa serviu mais um excelente almoço volante, daqueles para ninguém colocar defeitos.
Numa altura em que a paisagem mudava, dando lugar a serras com ladeiras cada vez mais abruptas e quase despidas de vegetação, a reposição de energias ajudou a cumprir os últimos quilómetros até Viseu, tanto aos estreantes como aos mais experientes pilotos.
SEM GASOLINA PARA PAGAR…
FOI UM AR QUE SE DEU
Experiência é algo que não falta a Pedro Bianchi Prata que decidiu alinhar no 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road com a moto elétrica que está a desenvolver com vista à participação no Dakar de 2027. Apesar dos mais de 200 kg da STRIX com baterias de 16,6 kW, o portuense passou um dia divertido e particularmente emotivo.
«Foi muito giro passar em muitos locais da serra de Valongo onde, há muitos anos, comecei a fazer todo-o-terreno e a treinar com a pequena Aprilia RX50», recordou em plena Praça da República viseense, local onde estava montado o pórtico de chegada.
Parou duas vezes para reabastecer – que é como quem diz «trocar a bateria central, mais pequena» – testando pelo caminho novas soluções eletrónicas com vista à evolução deste projeto nascido na Eslovénia.
E que, dentro de dias, terá uma nova versão do modelo, «com menos 15 quilos e baterias de 19 kW, estando os objetivos para o Dakar centrados em baixar até aos 180 kg e aumentar a capacidade das baterias para os 21 kW».
Um projeto para o todo-o-terreno ecológico que garantiu um consumo de 33,3 kWh ao longo do dia, cerca de 5 euros com tarifas domésticas, numa poupança significativa para as diversas motos com motores de combustão a que a sua equipa dá assistência durante o evento.
NÃO VOU PERDER TEMPO À TOA…
PORQUE TENHO DE OLHAR POR MIM
Uma aventura que continua rumo a Almeirim, numa segunda etapa mais longa e sobretudo com mais horas de condução, com mais de 340 quilómetros, mas mais rolante. Sobretudo na segunda metade, depois de uma fase inicial com secções mais técnicas, onde as condicionantes impostas pelo ICNF na zona das serras de Aires e Candeeiros, vão obrigar a uma ligação maior em asfalto.
E obrigarão também a uma boa gestão dos tempos de condução e das médias horárias para chegar à cidade ribatejana a tempo de provar a mais famosa sopa de Portugal, aquela que a lenda diz ser feita a partir de uma pedra.

