João Ferreira não controlou dois furos e a febre
A Toyota Hilux da Gazoo Racing África do Sul chegou inteira ao final da tirada, mas logo no início sofreu dois furos que implicou a perda de tempo. Este duplo condicionalismo ficou ainda marcado com o jovem piloto de Leiria a conduzir durante a etapa a uma febre declarada.
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A segunda etapa do Rallye du Maroc foi um verdadeiro teste de resistência para João Ferreira e Filipe Palmeiro. Depois do triunfo na véspera, a dupla da Toyota Gazoo Racing África do Sul tinha à partida a tarefa ingrata de abrir a pista na especial de 300 km em redor de Zagora, e o dia complicou-se logo nos primeiros quilómetros, com dois furos que custaram minutos preciosos.
Como se não bastasse, João Ferreira cumpriu toda a tirada com febre. Apesar de todos os contratempos, o piloto português não baixou os braços e levou o Toyota Hilux até ao fim, fechando a etapa com o 11.º tempo, a 10m52s de Henk Lategan, o vencedor do dia. Um resultado que, num dia em que quase tudo esteve contra a dupla portuguesa, vale acima de tudo pela garantia de que o carro chegou inteiro ao final do dia.
Na geral, a fatura era inevitável. João Ferreira arrancou para o segundo dia de prova na liderança, com três segundos de vantagem, e termina a etapa no nono lugar provisório, a 6m03s de Lucas Moraes.
O brasileiro herdou o comando da classificação geral da prova. Com a corrida ainda longe do fim e uma posição de partida bem mais favorável para esta quinta-feira, João Ferreira e Filipe Palmeiro continuam em condições de recuperar terreno.
No final do dia, João Ferreira não escondia a dureza da jornada: «Foi um dia muito difícil, provavelmente um dos mais difíceis que tivemos este ano. Abrir a pista numa especial de 300 km nunca é fácil e, com dois furos logo no início, ficámos sempre a correr atrás do prejuízo», explicou o piloto, que admitiu não ter estado nas melhores condições.
«Para além disso não estava bem fisicamente, fiz a etapa toda com febre, e numa tirada tão longa isso pesa muito. O mais importante era trazer o carro até ao fim e foi exatamente isso que fizemos. Perdemos tempo, sim, mas o rali é longo, esta quinta-feira partimos de uma posição muito mais favorável e vamos tentar recuperar tudo o que for possível», sublinhou o jovem leiriense.
O leiriense, navegado por Filipe Palmeiro, terminou os 300 quilómetros cronometrados da segunda etapa, em redor de Zagora, na 11.ª posição, a 10m52s do sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux), que venceu em 3h28m34s, à frente do polaco Eryk Goczal e do espanhol Carlos Sainz, ambos em Ford Raptor, a 41 segundos e 1m12s, respetivamente.
O brasileiro Lucas Moraes (Dacia Sandrider), quarto na etapa, assumiu a liderança, com 28 segundos de vantagem sobre Lategan e 2m43s sobre Carlos Sainz. João Ferreira está a 6m03s do primeiro lugar.
O dia ficou também marcado pelos problemas mecânicos do qatari Nasser Al-Attiyah (Dacia Sandrider), que lutava pela vitória quando uma avaria na caixa de velocidades o obrigou a parar perto do final. Rebocado pelo companheiro de equipa francês Sébastien Loeb (Dacia Sandriders), perdeu mais de 45 minutos para o vencedor.
Nos Challenger, Alexandre Pinto, acompanhado por Bernardo Oliveira num Taurus, terminou a etapa em segundo, atrás do neerlandês Paul Spierings, e conservou a liderança da categoria, com cerca de 15 minutos de vantagem. O resultado permitiu ao português também ascender ao primeiro lugar do Mundial de Challenger, em igualdade pontual com o anterior líder, mas em vantagem no desempate.
Alexandre Pinto enfrentou problemas na direção assistida e dois furos nos últimos 100 quilómetros, depois de uma primeira parte da especial sem incidentes: «Perdemos a direção assistida por diversas vezes e tínhamos de parar o carro e fazer reset. Por fim tivemos dois furos quase no final da etapa. Contudo, conseguimos a segunda posição na etapa, acumular novamente importantes pontos para o Campeonato do Mundo e continuamos na liderança da corrida», destacou.
Nas motos, Martim Ventura (Honda) somou o segundo triunfo consecutivo em Rally2 e terminou em quarto da classificação absoluta da etapa, posição à qual ascendeu também na geral.
O português completou a especial em 3h39m06s e bateu o sul-africano Michael Docherty (Hero) por 2m38s na categoria, ampliando para 3.36 minutos a vantagem sobre o adversário na classificação acumulada.
«Está a ser um rali muito duro», afirmou Martim Ventura, que sofreu uma queda a cerca de 15 a 20 quilómetros do final, garantindo, ainda assim, estar em boas condições para continuar.
O australiano Daniel Sanders (KTM) venceu entre as motos, à frente do norte-americano Ricky Brabec (Honda), a 3m04s, e do espanhol Edgar Canet (KTM), a 3m34s, assumindo a liderança da prova. Martim Ventura está a 6m10s do australiano.
A terceira etapa mantém a base em Zagora, de onde se disputam as restantes tiradas do Rallye du Maroc até 3 de outubro. Para João Ferreira, a boa notícia é que a classificação desta quarta-feira lhe garante uma posição de partida mais recuada e, por isso, uma pista já aberta, condição que deverá permitir-lhe voltar a impor o ritmo que mostrou no primeiro dia de prova — e iniciar a recuperação na classificação geral.

