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Estrangeiros rendidos aos encantos de Portugal

A melhor campanha para evidenciar o nosso país passa, forçosamente, pela promoção de Lés-a-Lés, patenteando o objetivo estratégico como o turismo, economia ou consumo nacional. A iniciativa da Federação de Motociclismo de Portugal voltou a motivar e a animar os motociclistas estrangeiros, sempre que nos visitam pela via do Portugal Lés a Lés Off-Road.

carlos.sousa@autolook.pt

No final de um dia memorável, após a exigente ligação entre Viseu e Almeirim, os rostos cansados mas sorridentes foram a prova mais evidente de quem acabava de levar de vencida mais um desafio do 11.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road.

Foram mais de 340 quilómetros da Beira ao Ribatejo, com pistas para todos os gostos, pouco pó e muita diversão que deixaram todos os participantes satisfeitos. Mesmo aqueles que tiveram furos, quedas e outros contratempos.

Curioso é o facto de, ainda mais do que os portugueses, serem os motociclistas estrangeiros, de todos os cantos do Mundo, a repetirem de forma assídua a presença no evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal e mostrarem crescente animação sempre que voltam.

Veja-se o caso dos espanhóis que representam já mais de 10% da lista de inscritos sendo normal ver alguns “nuestros hermanos” conhecidos de anos anteriores que regressam com mais amigos. É o caso de Antonio Llanes que descobriu o Lés-a-Lés em 2025, «pela mão de um grupo de amigos, regressando este ano com “ganas y mucha ilusion”». Que é como quem diz desejoso de quilómetros de aventura!

Um regresso para ajudar a esquecer o desalento do ano passado, «quando o motor da Aprilia Tuareg 660, que tinha menos de 8.000 km, gripou mesmo à porta de casa, ao chegar a Huelva, talvez devido ao muito pó apanhado no percurso de 2025.

O problema é que a marca não ativou a garantia e, para estar presente, houve que comprar um motor usado, com 2000 km, na Suécia. Este ano, sem problemas no motor, divertiu-se «imenso no primeiro dia, saindo na frente do pelotão e encontrando os pisos menos escavados», enquanto a segunda etapa mostrou-se mais desafiadora.

«Primeiro foi um furo que obrigou a perder muito tempo para reparar, acabando por destruir o pneu e, pouco depois, o descanso lateral partiu ao bater numa pedra por andar muito tempo atrás de outros participantes. Desistir? Nem pensar! Agora é rolar até ao Algarve e depois rumo a Huelva. Com a certeza de voltar em 2027. Porquê? Ora, porque em Espanha não se consegue fazer tantos quilómetros em “off-road” e Portugal, além de ser um país bonito e onde se come bem, tem pessoas que sabem acolher», sustentou o experiente motociclista que, aos 67 anos, reconhece, em tom divertido, que está «cada vez mais enamorado por Portugal, mas é uma pena a gasolina ser tão cara».

PRIMOS QUE ATRAVESSARAM MEIO

MUNDO CATIVADOS PELO LÉS-A-LÉS

Rendidos aos encantos deste jardim à beira-mar plantado, estão também os primos sul-africanos Derek Lubbers e Sean Dunstan que voaram desde Joanesburgo até Londres, onde têm negócios e parte da família, meteram as motos numa carrinha e viajaram até Vila Verde.

Isto porque «há três anos, a passar férias em Chaves, falaram do Lés-a-Lés e depois de pesquisar o que era surgiu o encanto para experimentar». «Viemos em 2025 e repetimos em 2026».

Na chegada a Almeirim, o primeiro balanço dos sul-africanos destacava «uma primeira etapa mais fácil que no ano anterior, com muita pedra mas sem aquele calor infernal, e um segundo dia muito, mas mesmo muito divertido, com pisos com boa tração, ligeiramente escorregadios para um absoluto gozo de condução».

Gentileza da chuva caída durante a noite, que diluiu o pó esperado ao longo dos muitos eucaliptais, sobretudo na parte inicial de uma etapa que alternou zonas técnicas com estradões mais rolantes, preparando a entrada no Alentejo. Trajeto que, na terceira e última etapa, levará os aventureiros até Portimão, depois de mais 375 km de descoberta e diversão.

Um dia exigente para mecânicas e, sobretudo, para o físico dos motociclistas que deverá voltar a dar bastante trabalho aos osteopatas da Osteomotus que, junto à praça de touros de Almeirim como em todos os finais de etapa, ajudaram a recuperar muitas mazelas.

Pelas mãos de Inês Feio, Edgar Valente, Adriana Duarte, Marco Rego e Miguel Roseta passaram diversas maleitas «sobretudo ao nível dos ombros e braços, mas também da lombar» fruto de um piso a exigir muita determinação na hora de escolher o rumo da roda dianteira, para fugir a pedras e alguns regos no percurso. Mas esse é o preço a pagar, muito barato diga-se de passagem, pelo desafio de aventura que é percorrer Portugal de Lés-a-Lés Off-Road.

TROCAR AS MOTOS PELAS PÁS E… PLANTAR ÁRVORES

Tudo isto num dia marcado pela travessia de grandes extensões de eucaliptais que deu motivação acrescida para os motociclistas que participaram na 8.ª Campanha de Sensibilização Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, ajudando a plantar 20 sobreiros na Herdade dos Gagos, em Fazendas de Almeirim. Uma ajuda importante na mudança que se torna urgente na floresta portuguesa, abrindo espaço às espécies autóctones como forma de salvaguardar o futuro ambiental do nosso País.

Paisagem que deverá voltar a aparecer na última etapa, sobretudo na parte inicial onde haverá alguns troços em pisos de areia que se estendem até perto de Alcácer do Sal, para depois de tornar mais rápida, nos estradões mais a sul, antes de abordar a serra algarvia para os últimos quilómetros do maior evento do todo-o-terreno turístico organizado na Europa.

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