Velocidade moto

Velocidade em fim de festa no Circuito do Estoril

Foi num ambiente de celebração e alegria que, no traçado Fernanda Pires da Silva, no Estoril, encerram as portas de mais um Campeonato Nacional de Velocidade de Motociclismo, com mais um fim de semana pleno de emoções a consagrar os campeões de 2026.

carlos.sousa@autolook.pt – Fotos: PEDRO RIBEIRO

Luís Ferreira e Dany Soares

O Campeonato Nacional de Velocidade 2026 terminou no pretérito fim de semana com a quarta visita do ano ao Circuito do Estoril, com dois dias de prova – o segundo com pontos extra – a consagrarem, naturalmente, os campeões que faltavam conhecer esta temporada.

Uma das decisões mais esperadas era a do título de Superbike. Luís Ferreira (ex-piloto de Todo-o-Terreno no seu segundo na Velocidade, depois de ter sido vice-campeão NB1 em 2025) liderava a tabela com mais 6 pontos que Ricardo Lopes (Honda).

Mas a vitória de Luís Ferreira (BMW) na primeira corrida deixou Ricardo Lopes com uma missão difícil para domingo, pois não bastava vencer para conquistar o campeonato, precisava que o seu rival ficasse em 4.° lugar ou abaixo, o que não aconteceu. Ao terminar em 2.° lugar da classe SBK, atrás de Ricardo Lopes, Luís Ferreira conquistou assim a coroa da classe principal.

Gonçalo Capote

Atrás desta dupla, José Gafenho (Yamaha) tinha claro que bastava terminar atrás de Nelson Cruz (Aprilia) para garantir o 3.° lugar do campeonato, mas, ao ocupar o lugar mais baixo do pódio SBK nas duas últimas corridas da época, alcançou o seu objetivo.

A correrem em conjunto com as Superbike estiveram, como habitualmente, os pelotões de Supersport e da Copa Dunlop Motoval. Depois do domínio na ronda de Portimão, Gonçalo Capote regressou ao CNV para continuar a sua adaptação à Yamaha R9 que vai utilizar como wild-card no próximo fim de semana nas corridas de WorldSSP, durante a visita do Mundial de SBK ao Estoril, aproveitando a vantagem concedida aos wild-cards, não acessível aos pilotos permanentes.

Simão Viegas

Tal como no Algarve, Gonçalo Capote voltou a vencer em ambos os dias, não só na classe como na geral, e, tendo como termo de comparação os tempos da ronda no Estoril das WorldSSP em 2025, rodou em marcas prognosticam a sua qualificação no Mundial.

Martim Jesus, que foi wild-card nas WorlSSP em Portimão, e já consagrado campeão nacional da categoria desde a ronda anterior, foi 2.°classificado nas duas corridas, na frente do estreante Gonçalo “Salo” Santos, que deu o salto das Moto4 para as SSP neste fim de semana, subindo logo ao pódio duas vezes na sua estreia com a Yamaha R6.

Celestin Masy (Kawasaki) assegurou o vice-campeonato nas SSP com dois quartos lugares, seguido de Isaac Rosa (Kawasaki)que conquistou o 3.° lugar do campeonato depois de superar Rui Afonso (Yamaha), na sequência da desistência deste por queda na segunda corrida, sem consequências físicas. A equipa Rosa Competicion/MC de Loulé consegue assim fazer o pleno no pódio final do campeonato de Supersport.

Carlota Carochinho

Nas SportBikes, o até aqui invicto e já campeão, Tiago João, optou por ir a Guadix tentar um lugar na RedBull MotoGP Rookies Cup, e a sua ausência deu assim oportunidade a outros subirem ao lugar mais alto do pódio.

Na primeira corrida, quem aproveitou esta oportunidade foi o estreante Frederico Guimarães (Yamaha), com a moto que utiliza na Copa R7, piloto que participa simultaneamente este ano na R3 BluCru World Cup e que também irá estar presente no próximo fim de semana das WSBK no Estoril, a par de Francisco “Kiko” Pires.

No domingo foi a vez da Carlota Carochinho (Yamaha) ganhar a classe, conseguindo rodar em terceiro à geral. Carlota consagra assim o vice-campeonato da melhor forma, ficando Madalena Simões com o 3.° lugar do campeonato na estreia desta classe no CNV.

Vasco Camoesas

Por outro lado, no último ano da classe Supersport 300 no Campeonato Nacional de Velocidade, a vitória de Lourenço Vicente (Kawasaki) sobre Vasco Camoesas (Kawasaki) na primeira corrida, complicou a vida deste, pois agora bastava a Lourenço ficar na frente de Camoesas para anular a vantagem de 3 pontos. Mas Lourenço Vicente faz falta partida e é penalizado com duas “long laps” quando seguia em segundo da classe, entregando aí a vitória na corrida ao seu adversário.

As voltas longas de penalização são cumpridas imediatamente e em sequência, com Lourenço Vicente a manter o segundo lugar na frente de Henrique Vicente (Yamaha), mas somente até à penúltima volta, pois o piloto da Yamaha arrebata-lhe o segundo lugar na última volta e termina a corrida no mesmo lugar com que terminou a primeira da época, depois de uma temporada difícil por razões externas.

Alexandre Cabá

Com a vitória de Vasco Camoesas na corrida, este sagrar-se-ia campeão e Lourenço Vicente vice-campeão. No entanto, a classificação na segunda corrida e, consequentemente, a decisão do campeonato ficou suspensa na sequência do protesto feito pela equipa de Lourenço Vicente ao motor da moto de Camoesas. A decisão será comunicada esta semana após relatório, depois de concluída a inspeção técnica correspondente que foi imediatamente iniciada no local.

Nas Moto4, Alexandre Cabá (Honda) não precisava de vencer as corridas do fim de semana para carimbar o título, mas foi o que fez, fechando em grande a conquista do campeonato depois de ter sido vice-campeão das Pré-Moto3 na época passada.

Tiago Tomé

O vice-campeonato foi para Tomás Carneiro (Beon), que aproveitou esta última ronda para estrear uma moto idêntica à do campeão, depois de ter lutado todo o campeonato com uma moto inferior. O terceiro classificado na classe foi Abel Ramirez, com a sua “MotoStudent”, um protótipo universitário que deu muito boa conta de si.

Entre as Pré-Moto4, o já campeão Tiago Tomé (Beon) fechou a época a vencer as duas corridas sem oposição, somando este título ao de campeão das FIM MotoMini World Series Portugal, conquistado na penúltima ronda do campeonato de Mini Velocidade.

Frederico Coelho (Beon), com os seus dois segundos lugares na frente de Frankie Watson, alcançou o terceiro lugar neste campeonato, ficando a meros 5 pontos do vice-campeão Santiago Assolari.

Fred Bottoglieri

No CNV Jr, Simão Viegas (MIR) conquistou o campeonato logo na primeira corrida, ficando à frente de Frederico Morais e Ana Martins, depois de uma impressionante queda mesmo ao cortar da meta da vice-campeã Carolina Azevedo, quando esta lutava pelo segundo lugar.

Felizmente a piloto saiu sem lesões de maior e conseguiu até estar presente na cerimónia de entrega dos prémios aos campeões para receber a sua taça. Em terceiro do campeonato, ficou Frederico Morais, que superou Ana Martins depois de esta ter perdido para Margarida Venâncio (P3) e Lara Morais (P4) na corrida 2.

Simão Viegas conquista também prematuramente a Taça de vencedor absoluto do CNV Jr antes da ronda de Braga, última da Mini Velocidade. Recorde-se que esta taça soma os pontos conquistados nas 22 corridas realizadas entre os circuitos do CNV e os kartódromos do CNMV.

Luís Franco e Duarte Amaral

Outra grande decisão que faltava conhecer era o duelo entre Luís Franco e Duarte Amaral (ambos em BMW S1000R) pelo título de Naked Bikes NB1, com Amaral a chegar ao Estoril no comando, com mais 9 pontos que o seu rival.

Mas Luís Franco venceu as duas corridas depois de fazer a pole position e alcançar um novo recorde da classe, ao rodar em 1m45,284s, num fim de semana perfeito. Duarte Amaral fez tudo o que esteve ao seu alcance, mas, ao ser segundo nas duas corridas, perde o campeonato por somente um ponto, sagrando-se vice-campeão na frente de Ricardo Almeida, que também terminou em terceiro nas duas corridas do fim de semana.

Nas NB2, o já campeão Frédèric Bottoglieri teve um fim de semana atribulado, com problemas mecânicos na sua moto obrigando-o a partir do fim da grelha nas duas corridas. Augusto Machado, que viria a ser vice-campeão, aproveitou a oportunidade e ganhou a classe na corrida 1, na frente de Anselmo Vilardebó que assegurou o terceiro lugar no campeonato, por sua vez na frente de Emanuel Arrais, que trocou a sua Triumph Street Triple 765 RS por uma KTM 990 Duke R e terminou em quarto do campeonato.

Na segunda corrida, o tri-campeão Bottoglieri lá conseguiu resolver os problemas, tendo ganho a última corrida da época na frente de Machado e Vilardebó. Luís Franco ganhou também a Taça de Vencedor Absoluto das Naked Bikes, tendo António Maximiano ganho a Taça Rookie e Duarte Amaral a Taça Veteranos.

Na Copa Dunlop Motoval, Dany Soares (BMW) resolveu a questão do título da classe 2 logo no sábado, ao vencer destacado, repetindo o feito no dia seguinte para conquistar o troféu. Rui Palma (BMW) conseguiu ser segundo classificado na classe com os seus dois terceiros lugares nas corridas, terminando a época com 5 pontos de diferença sobre Raúl Felgueiras (Yamaha), que assegurou o 3º lugar da Copa com os seus dois segundos postos nas corridas.

Na classe 1 da Copa Dunlop Motova1, Carlos Couto assegurou o título logo na primeira corrida, ficando como segundo classificado Elliot Bland e, como terceiro posicionado, Tiago Pires. A BMW ganha assim as classes que fazem competir as motos mais potentes:  Superbike, Naked Bikes 1 e Copa Dunlop Motoval 2. Terminada a época 2026 do CNV, o balanço aponta para uma média de participantes superior, novas classes e novos desafios, novos pilotos, novos recordes e várias estreias, com a juventude e a igualdade de género a destacarem-se nas classes de menor cilindrada.

Tudo isto prognostica uma aliciante época para 2027, cujos detalhes serão discutidos na habitual reunião anual da Federação com pilotos e equipas, agendada para segunda-feira, dia 16 de novembro às 18h00.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *