Mazda CX 30 Homura: a sobriedade nipónica
A sobriedade das linhas e neutralidade das cores, continuam a ser vetores na identificação da marca que está mais japonesa. Neste classe 1, alguns sistemas e comandos estão mais intuitivos, e para lidar com os 186cv, ficámos a imaginar como seria se a transmissão fosse automatizada.
FAUSTO MONTEIRO GRILO (auto.look2010@gmail.com)
Dotado da tecnologia “Spark Controlled Compression Ignition” (SPCCI), inovação desenvolvida na Mazda, o inédito bloco e-Skyactiv X representa o próximo passo na busca do motor de combustão interna ideal, por parte do fabricante de automóveis que desafia as convenções.
O motor e-Skyactiv X combina as vantagens dos motores Diesel de ignição por compressão, tais como uma melhor resposta inicial e eficiência nos consumos de combustível, com as dos motores a gasolina de ignição por faísca, como a capacidade de resposta nas médias e altas rotações com emissões menos poluentes.
O SPCCI proporciona o melhor dos dois mundos, reduzindo as emissões e melhorando o desempenho, com menor consumo de combustível em condições reais. Na motricidade a escolha reparte entre as rodas dianteiras ou às quatro, sempre com base em transmissões de seis relações, de acionamento manual ou automatizado.
O sistema injeta uma mistura ar+combustível pobre (com excesso de ar como nos Diesel) na câmara de combustão durante o curso de admissão, prestes a entrar em combustão graças à elevada taxa de compressão de 15,0:1. Para que a ignição ocorra no momento ideal, forma-se um núcleo de mistura (combustível+ar) mais rica à volta da vela de ignição.
A vela dispara e detona esta zona localizada, aumentando a pressão e a temperatura até ao ponto em que a mistura pobre inicial entra em combustão rapidamente por toda a câmara de combustão. O modo SPCCI economizador de combustível funciona na maioria das condições de operação, exceto durante os arranques a frio, na fase inicial de aquecimento e com cargas muito elevadas no pedal do acelerador.
Nestes casos, o motor alterna, sem problemas, para um funcionamento tradicional, com velas de ignição com uma mistura estequiométrica convencional de ar+combustível de 14,7:1.
O motor e-Skyactiv X de 2.0 litros debita 186 cv às 6.000 rpm e um binário máximo de 240 Nm às 4.000 rpm, em conjugação com o sistema Mazda M Hybrid 24V, visando uma maior poupança de combustível e diminuição de emissões poluentes, além de conceder melhores acelerações e reprises.
Consoante estaturas e face a um pilar “A” de acentuada inclinação, os acessos ao interior e em especial ao lugar de quem se sentar ao volante, podem apresentar algumas condicionantes, em particular quando se utiliza a mais alta das posições no assento de quem conduz.
Uma vez no interior, deparamos com boas cotas de habitabilidade. O CX 30 tem boa ergonomia no que diz respeito à colocação dos comandos. Para o visor central, acede-se aos menus e sub-menus através de um comando circular posicionado na consola central, na qual se encontram outros comandos.
Em termos de espaços para arrumos, são suficientes, mas o central só abre na totalidade quando se recua a tampa, interferindo com a ergonomia do movimento e habitabilidade do passageiro sentado no meio do assento traseiro.
Sem fios e mediante alguns passos que são intuitivos, é fácil instalar ou desinstalar o “smartphone” e espelhar as funções deste na conectividade do automóvel. Com boas cotas de visibilidade para a frente e laterais, o CX 30 mitiga a visibilidade traseira e nas manobras de marcha-atrás, mediante visualização no painel central.
Sem acentuadas prestações nas acelerações e reprises, o motor skyactiv de 2.0 litros evidencia a suavidade de funcionamento, muito bem filtrado para o habitáculo, em termos de ruído e vibrações. A transmissão manual de seis relações, deixou a impressão de estar bem escalonada e suave acionamento através do seletor bem posicionado.
Todavia, esta é uma daquelas motorizações que funciona melhor com transmissão automatizada, devido às relações da transmissão manual, pensadas para a economia de combustível e reduzidas emissões poluentes. Por outras palavras, estamos perante um modelo que justifica em pleno os 2.500 € da automatização.
No imediato parece muito dinheiro, mas ao longo de anos de utilização, as opiniões vão no sentido da escolha da transmissão automatizada. Acima das 1.200~1.500 rpm já se pode contar com alguma capacidade de aceleração, mas é quando se roda nos regimes entre as 2.000~2.500 rpm, que o motor está mais orientado para desenvolver as performances associadas aos 186cv.
Outro dos itens que prima pela suavidade e eficácia é o acelerador automático adaptativo que inclui os “Mazda radar cruise control” e “inteligente speed assist”. Em termos práticos e além de controlar a velocidade em descida, salvaguarda a distância para o veículo da frente, a saída da faixa de rodagem ou transposição de traço contínuo.
Para quem não pretender os avisos sonoros, este Mazda inibe os sons através de um botão colocado no lado esquerdo do painel. Sem contar com as despesas de legalização, transporte, preparação e pintura metalizada o PVP deste CX 30 é de 39.350,44 euros. Para chegar a este valor e com um preço-base de 26.913,11 euros, é necessário acrescentar 5.074,76 euros de ISV, 4,56 euros de SGPU e 7.358,21 euros de IVA. Num breve contacto ao volante e num percurso misto (AE+EN+Urbano) registámos um consumo médio de 6,7 litros/100 km.

