Paulo Neto: “santos da casa”… no milagre das Camélias

O piloto Paulo Neto, o navegador Vítor Hugo e o Citroën DS3 RT foram os grandes vencedores do Rali das Camélias, prova que marcou o regresso da serra de Sintra e da região de Mafra ao panorama motorizado nacional depois de mais de duas décadas de ausência.

(auto.look2010@gmail.com)

Paulo Neto e Vítor Hugo

Foi um fantástico dia de Outono que recebeu logo pela manhã, nos Jardins do Casino Estoril, a partida da edição 2018 do Rali das Camélias, uma prova que, pelas mãos do Clube Motorismo de Setúbal, viu novamente a luz do dia. Com o sol a começar a brilhar no horizonte, pilotos e máquinas rumaram para a primeira especial, Cascais, onde desde logo Carlos Fernandes mostrou ao que vinha, ao deixar a concorrência a mais de 20 segundos, com Paulo Neto, Rui Madeira e Pedro Clarimundo a caberem por esta altura em menos de quatro segundos na batalha pelas restantes posições do pódio.

Destino seguinte Sintra. Mais uma vez, Carlos Fernandes não deu hipóteses, mas desta vez Rui Madeira foi segundo depois de ter corrigido um pequeno problema com o Mitsubishi na primeira especial. Ainda assim, o piloto de Almada ganhou apenas 0,5 segundos a Paul Neto, pelo que os dois saíam separados por 0,2 segundos com vantagem para o piloto do Citroën DS3 RT, ao passo de Pedro Clarimundo que perdia, desta vez, terreno e caía para quinto, também a 0,2 segundos de Gil Antunes.

Paulo Neto e Vítor Hugo

Antes da pausa, junto ao Palácio Nacional de Mafra, havia mais uma especial para percorrer, Mafra. E a história do rali começava a mudar. Carlos Fernandes tinha um problema de turbo e perdia quase toda a vantagem amealhada até então, com Paulo Neto a chegar ao reagrupamento no segundo lugar a 7,4 segundos e Rui Madeira também a menos de 10 segundos da frente. Gil Antunes depois de um início menos bom começava a recuperar e vinha já no quarto posto depois de ganhar esta especial.

Depois do reagrupamento e da zona de assistência em Mafra, os pilotos tinham pela frente mais quatro especiais até chegarem ao Estoril, a dupla passagem por Codeçal e Livramento. E logo na primeira deu-se o volte-face da prova, com Carlos Fernandes e Rui Madeira a serem forçados a abandonar por avaria mecânica.

Vítor Hugo e Paulo Neto

Com isso Paulo Neto ficou na frente, mas Gil Antunes ganhava mais uma classificativa e colocava a diferença entre os dois em 12,7 segundos, com Pedro Clarimundo a defender o último lugar no pódio de Eduardo Antunes. No Livramento Eduardo Antunes e Paulo Neto empatam, com o líder a ganhar mais alguma folga face ao seu mais directo rival, enquanto Antunes ficava com o pódio a 0,2 segundos.

O rali acabaria por ficar resolvido na segunda passagem pelo Codeçal, com Gil Antunes a ser de novo o mais rápido, mas com Paulo Neto a minimizar as perdas conseguindo com isso entrar para a derradeira classificativa com 11,2 segundos de vantagem que acabou por gerir com mestria.

Também a luta pelo pódio se resolveu aqui, com Eduardo Antunes a sair de estrada e com isso a permitir que Pedro Clarimundo rumasse de forma controlada até ao Estoril para fechar a tribuna dos vencedores.

Daniel Amaral e Gil Antunes

No último troço, o mais rápido, foi Paulo Neto que, desta forma, confirmou a vitória. Gil Antunes foi segundo, com Pedro Clarimundo a fechar a tribuna dos vencedores, num rali que se revelou muito traiçoeiro para os pilotos, sendo que dos 70 pilotos que alinharam à partida apenas 40 alcançaram o último controlo montado nos Jardins do Casino Estoril.

O veterano António Baiona, que voltou a colocar o capacete, e Gonçalo Inácio ficaram com os restantes lugares do “top five”, ao passo que Pedro Lança, Gonçalo Boaventura, Ricardo Sousa, Carlos Neves e Aníbal Rolo encerram os 10 melhores do rali.

Uma palavra especial para o lote de cinco KIA Picanto GT Cup do troféu de velocidade que alinharam à partida e onde o melhor foi o veterano Francisco Esperto.

Gil Antunes e Daniel Amaral

No final os pilotos foram unânimes em reconhecer a qualidade do rali. Para o vencedor, Paulo Neto, «ganhar esta prova é um sonho». «Sou daqui, vi o rali muitas vezes quando era pequeno e quando podia começar a participar deixou de se fazer. Estou muito contente. De manhã os pisos estavam muito húmidos na zona da serra e por isso perdi algum tempo», explicou.

Também Gil Antunes sublinhou que «foi fantástico fazer esta prova». Os troços são excepcionais. Atrasei-me um pouco logo nas duas primeiras especiais. Tinha o carro com afinação de seco, muito duro, mas as classificativas estavam muito húmidas e o carro escorregava muito».

 

LUÍS CARAMELO: “REGRESSO EM GRANDE DO RALI DAS CAMÉLIAS”

A organização da prova falou pela voz de Luis Caramelo, o mentor deste regresso que agradeceu «às equipas presentes, ao empenho determinado das três Câmaras Municipais envolvidas na organização – Cascais , Sintra e Mafra – às forças de segurança e socorro – e ainda ao patrocinador principal do rali – Lighthouse Portugal Properties – e aos apoios da Renault – carro oficial – First Stop / Bridgestone, Neves Rádios, NV, Doublet e WD40, isto para além da vasta equipa do CMS, complementada nesta prova pela Sociedade Artística Reguengense, Olival Motorizado e Montejunto Rali Clube».

«Para 2019 prometemos algumas alterações e melhoramentos, assim como um rali diferente, tanto na concepção como na extensão, já que temos intenção de voltar a Sintra à noite e também ao Gradil, eliminando talvez o sistema de rondes adoptado este ano entre o Codeçal e Livramento», sublinhou Luis Caramelo.

O nome da prova incluirá também a designação Lighthouse Portugal Properties, “main sponsor” do rali durante os próximos anos. Foi um regresso em grande do Rali das Camélias, um regresso desejado por muitos e confirmado na estrada com a presença de milhares de espectadores ao longo das classificativas a que se juntaram mais algumas dezenas na coroação dos vencedores.

A organização a cargo do Clube Motorismo de Setúbal está de parabéns não só por ter conseguido trazer de novo os ralis à região de Lisboa, mas também pelo sucesso organizativo do evento, com todos a terem palavras elogiosas e especialmente a agradecerem este regresso e a desejarem que para o ano o rali vá de novo para a estrada.

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