MOTOSTrial

Filipe Paiva: “antes quebrar do que torcer”

“Nova corrida, nova viagem”. Depois da tempestade, a bonança. Filipe Paiva, da lousanense Trialmotor, está como peixe na água nos “Scottish Six Days Trial” (Seis Dias de Trial da Escócia), fazendo das Terras Altas, gato-sapato e está como nunca esteve: motivado e desejoso de continuar a evidenciar os seus pergaminhos.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Aos comandos de um TRS 300, Filipe Paiva está como o vinho do Porto: quando mais velho melhor. Mas o piloto da Lousã parece ser um adepto confesso da Red Bull, porque cada dia que passa, parece ter asas para voa. Mais uma missão de difíceis contornos, impostos pela estrutura organizativa dos “Scottish Six Days Trial”, foi superada e premiada com um sorriso de orelha a orelha.

E o caso não foi para menos. Este dia de quinta-feira «foi o mais complicado de todos – já o ano passado tinha sido assim – e, ao longo de 140 quilómetros, apanhámos zonas muito complicadas, embora tenhamos partido com o objetivo traçado: contrariar as adversidades e tentar andar contra a corrente, fazendo o melhor que poderia estar ao nosso alcance».

«E assim aconteceu. Das 30 zonas ultrapassadas, apenas três registei cinco e, o resto, foi feito dentro dos parâmetros exigidos, ou seja, sempre abaixo de cinco, o que diz bem da nossa entrega. Voltei a conseguir recuperar algumas posições e vamos ver se é possível colmatar aquela penalização devido à avaria na moto. Não se vai ser possível mas, se não der, voltarei para o ano a fim da legítima remitência», confessou.

Filipe Paiva referiu ainda que «o dia foi muito cansativo, muito longo, composto de zonas muito escorregadias e difícil para todos, embora também já seja notório o cansaço geral acumulado, se bem que agora estrei no ritmo, sem qualquer queixa de cansado, além de estar muito bem fisicamente».

«Penso que, se esta prova fosse de 12 dias, ou seja, o dobro daquilo que fazemos, estava a altura de os fazer, por isso que venha o dia de amanhã (sexta-feira), para tentar fazer o mesmo que fiz hoje (quinta-feira)», argumentou o piloto Trialmotor.

Apesar das dificuldades, o lousanense diz estar «muito satisfeito com o que foi feito nesta jornada, ultrapassando zonas brutais com “0” pontos e, ao quarto dia, estou a entrar no ritmo desejado». «A moto esteve simplesmente impecável, sem qualquer problema, apenas o frio, que de vez em quando faz sinal de si, regelou a alma e o corpo, obrigando-nos a parar para podermos aquecer as mãos e prosseguir» sustentou.

O dia de amanhã deverá ser mais brando em termos físicos, mas Filipe Paiva não está preocupado com esse cenário: «Sinto-me muito bem a esse nível, também fruto dos treinos que tenho feito com a Viola – a célebre ViolaCoach Caring Method – ao longo dos meses que antecederam esta prova e que serviram de preparação, reconhecendo que faz todo o sentido fazer que fizemos, até porque o resultado está à vista».

«Aliás, no domingo, quando acabar os “Scottish Six Days Trial”, vou correr 15 quilómetros até ao topo da montanha, descalço, duvidando muito que haja alguém presente nesta prova que o possa fazer, o que também diz bem do atual momento que me encontro», sublinhou.

Filipe Paiva aproveitou a embalagem para confessar se está «a divertir imenso em cima da moto e, todos os dias, as pessoas que se cruzam comigo, vêm a bandeira de Portugal, o nome Filipe Paiva estampado na camisola e o número 69 na moto, fazem uma enorme festa».

«É curiosa a forma como soletram o número, afirmando ser “mágico”, mas também manifestam um enorme carinho como nos recebem, inclusivamente de todo o contingente que está a fazer os “Scottish Six Days Trial”. As pessoas têm uma cultura totalmente diferente daquela que temos em Portugal, até porque, infelizmente, não existe», finalizou o piloto lousanense da Trialmotor, ansioso para recargar baterias e entrar a todo o gás na jornada desta sexta-feira.

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