MOTOSTrial

Filipe Paiva “transportou” Portugal ao Scott Trial

Piloto lousanense da Trialmotor faz história na 100.ª edição da competição britânica, uma das mais emblemáticas e exigentes do trial mundial, valorizando-se na cotação da bolsa de valores nos terrenos acidentados de Yorkshire, numa jornada de quase oito horas em condições extremas.

carlos.sousa@autolook.pt

A participação de Filipe Paiva na centenária Scott Trial assinalou a estreia de um piloto português nesta competição histórica, levando as cores de Portugal e da Trialmotor a um dos maiores desafios do calendário internacional de trial.

O Scott Trial distingue-se das provas convencionais pela combinação de zonas técnicas extremamente exigentes com uma componente de tempo e observação. Ao longo de um percurso de várias dezenas de quilómetros, os pilotos enfrentam lama, pedras escorregadias, ribeiros, pântanos e trilhos de montanha, sem o habitual reconhecimento prévio das zonas e com a necessidade de manter um ritmo constante durante toda a jornada.

O piloto da Trialmotor, sempre disponível para enfrentar desafios profundos, complicadíssimos e exigentes, na procura de crescer tanto a nível pessoal como profissional, possuindo resiliência e abertura perante o desconhecido, qualidades mais valorizadas hoje em dia, fez-se ao caminho com a bravura que lhe é reconhecida.

Filipe Paiva percorreu 46 das 76 zonas da lendária competição britânica, terminando a sua participação na 145.ª posição, entre 200 pilotos, numa jornada de quase oito horas em condições extremas, iniciando a prova às 9h16 e manteve-se em competição até, aproximadamente, às 17h30, correspondendo a cerca de oito horas de esforço contínuo.

QUEDAS, CAMBALHOTAS

E MUITO FÔLEGO PARA SEGUIR

Disputada nos terrenos acidentados de Yorkshire, em Inglaterra, a prova remonta a 1914 e, este ano, reuniu um pelotão internacional de pilotos, num ano particularmente simbólico para a história da modalidade, que assinalou 100 anos de edições entre aventuras e peripécias.

A participação ficou marcada por duas quedas de grande intensidade, incluindo uma situação em que o piloto perdeu o controlo da trajetória num trilho de montanha e acabou por dar várias cambalhotas, caindo sobre arbustos. Apesar da violência da queda, conseguiu continuar em prova, sem danos relevantes na moto.

«A exigência física foi aumentando ao longo do percurso, sobretudo devido às limitações que senti no braço direito. Mesmo perante a fadiga acumulada e as dificuldades crescentes no controlo da moto, consegui manter-me em competição até ao limite de tempo imposto pela organização», revelou Filipe Paiva.

«Pensava que sabia o que era o Scott Trial, mas só quando arrancamos é que percebemos a dimensão daquela “monstruosidade”. Esta prova é, simplesmente, algo que se afasta do que é considerado natural, normal ou moralmente aceitável É muito agressivo, muito rápido e extremamente exigente. Não podemos parar para descansar nem reconhecer as zonas como estamos habituados. Temos de olhar, decidir e avançar», explicou Filipe Paiva.

Apesar de não ter conseguido concluir a totalidade do percurso, o piloto da Lousã, que “carregou” Portugal com bravura pelos terrenos acidentados de Yorkshire, considera a experiência uma superação das suas próprias expectativas.

«A participação permitiu compreender a verdadeira dimensão da prova e identificar as exigências específicas que terá de ser preparado para uma futura edição. O objetivo está já definido: regressar em 2027, com preparação física e técnica reforçada, e lutar por completar as 76 zonas do Scott Trial», confidenciou o piloto Trialmotor.

AGRADECIMENTOS ESPECIAIS QUE TORNARAM DESAFIOS MAIS LEVES

A estreia portuguesa na edição número 100 fica assim marcada pela coragem de enfrentar um desafio de dimensão internacional, pela experiência adquirida e pela ambição de regressar. Para Filipe Paiva, a primeira participação na competição «não representa um ponto final, mas o início de um novo objetivo desportivo».

Filipe Paiva, que “transportou” Portugal a marcar presença na centésima edição do Scott Trial, deixou palavras de «agradecimento especial aos meus patrocinadores, autolook.pt e a Viola Coach, que me acompanhou na prova, posicionando-se em todos os locais possíveis para me ajudar».

«Obrigado pelo apoio e pela parceria de sempre. Contar com profissionais tão competentes torna os desafios muito mais leves», acrescentou, agradecendo também a Steve Saunders e a Jim Teague «não só por terem sido os meus assistentes na prova, estando em todos os pontos possíveis de ajuda para o que fosse necessário, mas também pelo empenho e dedicação constantes».

«O trabalho de cada um fez uma diferença enorme na nossa equipa e, sem eles, não era possível ter feito o Scott Trial. É preciso termos uma equipa de apoio que nos auxilia, caso seja preciso e, neste caso, foi possível», finalizou Filipe Paiva, bastante confiante para 2027.

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