WRC

Viseu “conquista” e perde o Rally de Portugal

Apesar de um acordo anunciado até 2028, o Vodafone Rally de Portugal deixou de ter ligação ao Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) em 2027. A cidade de Viseu acabou por ser vítima desta mudança repentina, deixando de ser o centro de operações da maior prova desportiva motorizada do país.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

O comunicado emitido pelo Automóvel Club de Portugal (ACP) na tarde desta terça-feira a anunciar que o Vodafone Rally de Portugal não faria parte do calendário do WRC em 2027, caiu como uma bomba, até porque a prova já tinha sido anunciada para ir para a estrada de 13 a 16 de maio.

Segundo o documento, a estrutura organizadora atribui essa ausência a mudanças definidas pela promotora no último dia de preparativos para a próxima temporada, tornando público que o WRC deverá ser o mais diversificado possível em termos geográficos e intercontinentais.

Perante esta medida surgida de forma abrupta, Portugal e os simpatizantes dos ralis e do Vodafone Rally de Portugal em particular, estão amargurados pelo impacto da redistribuição do calendário para 2027, embora o comunicado não especifique qual a competição se beneficiará diretamente com a sua retirada.

Recorde-se que, em maio de 2025, o ACP e a promotora anunciaram, oficialmente, um acordo que abrangia as edições de 2026, 2027 e 2028, as últimas das quais com partidas e chegadas a Viseu. O WRC enfatizou o entusiasmo dos espectadores e a importância deste evento para o campeonato. Essa mudança de posição, portanto, levanta questionamentos sobre o alcance dos compromissos anunciados.

Em meados de fevereiro do corrente ano, João Azevedo, presidente da Câmara Municipal de Viseu, revelou que o centro de operações da maior prova desportiva motorizada do país passaria ser a cidade Viriato para 2027 e 2028, pelo menos.

Com esta confidência do autarca durante uma reunião da Câmara Municipal, o Vodafone Rally de Portugal iria colocar o concelho e a região de Viseu em destaque no mapa nacional e internacional, com retorno direto significativo na economia e turismo local. Só na edição de 2024, por exemplo, o evento gerou um impacto recorde de 183,3 milhões de euros na economia nacional

«Viseu vai ser o coração do Rally de Portugal, a maior prova desportiva do país», anunciou em reunião de Câmara, o presidente da Câmara Municipal, João Azevedo, destacando a importância que esta competição histórica, que integra o circuito mundial, tem para os viseenses e o território.

«Mais do que anfitriões de uma prova classificativa, seremos o centro operacional de todo o evento. A manutenção, a certificação, a emergência, os operacionais, os mecânicos, as marcas, os carros, enfim, toda a logística indispensável à realização do Rally de Portugal será feita e gerida em Viseu», afirmou o autarca, enfatizando a «enorme satisfação» do Município e dirigindo um agradecimento especial ao Automóvel Club de Portugal (ACP), responsável pela organização do evento.

O contrato de patrocínio desportivo entre o Município e o ACP foi aprovado no pretérito dia 19 de fevereiro e representa um investimento financeiro municipal (anual) de 400 mil euros, aos quais acresce um montante de até 150 mil euros em despesas de ordem logística e/ou de comunicação. Este contrato garante a realização da competição desportiva em Viseu nos anos de 2027 e 2028.

«Estamos a falar de uma operação de cerca de duas semanas, que poderá gerar mais de quatro mil dormidas no território. Serão milhares e milhares de pessoas, sejam aquelas ligadas diretamente à prova ou visitantes e turistas, amantes da modalidade», destacou, na altura, João Azevedo.

«O regresso do Rally de Portugal a Viseu, nestes moldes, terá um impacto e um retorno económico brutal na região, gerando dinamismo junto de diversos setores de atividade», acrescentou o autarca viseense.

Dados de 2024 apresentados pelo ACP dão conta do impacto recorde de 183 milhões de euros na economia nacional, com mais de 93 milhões de euros em despesa direta, efetuada por equipas e pelos 1,2 milhões de espectadores que acompanharam a prova.

Acresce ainda a este impacto o retorno mediático, já que a transmissão do Rali representa uma janela aberta e privilegiada sobre o concelho e a região de Viseu, contribuindo não só para a promoção da sua identidade e principais atributos naturais, patrimoniais, gastronómicos ou culturais, mas também para o seu posicionamento e notoriedade como destino turístico de excelência no país.

Neste campo, o ACP destaca as mais de 870 horas de transmissão televisiva, chegando a mais de 100 países, nos vários cantos do mundo, e um retorno mediático avaliado em cerca de 89,6 milhões de euros.

Criado em 1967 e presente desde a criação do Campeonato Mundial de Rali em 1973, o Rally de Portugal é um pilar do desporto. A sua ausência privará a temporada de uma das suas grandes provas clássicas em terra batida. O Automóvel Clube de Portugal espera, contudo, uma interrupção limitada. Já estão em curso conversações iniciais com a entidade promotora para explorar o regresso em 2028. Nesta fase, trata-se de uma possibilidade, não de uma garantia.

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