Peru é o único destino do Dakar 2019

Criado em 1979 por Thierry Sabine, o “Dakar” depressa entrou no imaginário dos amantes dos desportos motorizados, e nem a passagem de África para a América do Sul, em 2008, afectou essa paixão, como o demonstram as centenas de inscritos.

Texto: PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

A prova teve a sua primeira edição em 1979, com início a 26 de Dezembro de 1978

Ao longo da sua história, o Dakar já passou por 28 países, mas é a primeira vez que decorre num só país, o Peru, o único que manteve a aposta na competição, depois de Argentina, Bolívia e Chile terem optado por renunciar à passagem da prova pelo seu território. Contudo, o facto de apenas um país ter manifestado vontade de ser atravessado pelo “Dakar” pode marcar o fim da presença da prova no continente sul-americano, falando-se num regresso a África, com Angola, Namíbia e África do Sul a puderem ser os próximos países a serem visitados, tal como sucedeu em 1992, quando o “Dakar” levou a caravana de Paris até à Cidade do Cabo.

Este ano estão inscritos 167 motos e “quads”, 96 automóveis, 30 SSV e 41 camiões, o que significa que 534 pilotos e navegadores de 61 países, 135 dos quais “rookies” estarão em acção com o objectivo de regressarem a Lima, a capital do país, depois de mais de 5 000 km de competição.

O austríaco Matthias Walker (KTM), motos, o chileno Ignacio Casale (Casale Racing), “quads”, os espanhóis Carlos Sainz/Lucas Cruz (Peugeot), automóveis, os brasileiros Reinaldo Varela/Gustavo Gugelmin (South Racing-Cam Am), “SSV”, e os russos Eduard Nikolaev/Evgeni Iakovlev/Vladimir Rybakov (Kamaz-Master), os vencedores do ano passado, estão de volta com o objectivo de repetirem os triunfos, face a uma concorrência desejosa de colocar em causa o seu favoritismo.

Paulo Gonçalves

PAULO GONÇALVES EM DÚVIDA NAS MOTOS

O português Paulo Gonçalves (Honda CRF 450 Rally), que tem sido um dos “ponta de lança” na luta contra o domínio das KTM e, em 2015, terminou em segundo, atrás de Marc Coma, mas o ano passado uma queda, duas semanas antes do arranque da prova, motivou a sua ausência, situação que pode repetir-se este ano, também em consequência de uma queda quando treinava.

O austríaco Matthias Walker (KTM), o australiano Toy Price, o inglês Sam Sunderland, o francês Adrien Van Beveren (Yamaha), o espanhol Joan Barreda Bort (Monster) o chileno Pablo Quintanilla (Husqvarna), o sérvio Stefan Svitko (Honda) constituem o lote de potenciais vencedores, com o português a poder entrar no lote caso tenha autorização para alinhar.

Para além de Paulo Gonçalves vão alinhar no “Dakar”, Joaquim Rodrigues (Hero 450 Rally), Mário Patrão (KTM 450), ausente o ano passado, em consequência de uma operação de urgência, que foi vencedor da classe Maratona em 2016, David Megre (KTM 450 Rally), Hugo Lopes (KTM 450 Rally Replica), António Maio (Yamaha 450) e Miguel Caetano (KTM 450 Rally), que fazem a estreia na prova, completam o lote de “motards” portugueses, todos eles com o objectivo de regressarem a Lima.

Stéphane Peterhansel

MUITOS CANDIDATOS NOS AUTOMÓVEIS

Ao contrário do que tantas vezes sucedeu, a presença de portugueses nos automóveis está reduzida à participação de Filipe Palmeiro como navegador do chileno Boris Garafulic (Mini All4 Raing), com o objectivo de terminarem no “top ten”, algo nunca conseguido, depois de terem sido 13.º o ano passado.

Mas não faltam candidatos à sucessão do espanhol Carlos Sainz, vencedor da edição anterior, que troca o Peugeot 3008 DKR, utilizado o ano passado por um Mini JCW Buggy, situação extensível aos franceses Stéphane Peterhansel e Cyril Despres para a equipa se completar com o espanhol Nani Roma e o argentino Orlando Terranova.

À partida a Toyota apresenta-se como a mais séria opositora dos Mini, com o qatari Nasser Al-Attiyah, o sul-africano Giniel De Villiers e o holandês Bernard Ten Brinke a serem os pontas-de-lança da marca nipónica.

Sebastien Loeb

Fiel ao Peugeot 3008 DKR, mesmo sem o apoio oficial, mas com um carro da PH Sport, continua o francês Sebastien Loeb, que continua à procura do primeiro triunfo na mítica prova, antes de rumar a Monte Carlo, onde se estreará ao volante de um Hyundai i20 Coupé WRC, na prova de abertura do “Mundial” de Ralis, após aquela que terá sido uma das maiores surpresas do defeso.

De assinalar ainda a estreia do Geely SMG Bugyy, com a marca chinesa a apresentar o primeiro carro movido a metanol, confiados ao chinês Han Wei e ao francês Philippe Gache, e o regresso da Mitsubishi que, depois de ter dominado no início do século, altura em que averbou sete vitórias consecutivas, apresenta o Eclipse Cross T1, entregue à espanhol Cristina Gutierrez, naquele que pode ser o primeiro passo para o regresso em força no futuro próximo.

“SIDE BY SIDE” CADA VEZ MAIS CONCORRIDO

O brasileiro Reinaldo Varela (CAM-AM Maverick X3), vencedor da edição anterior, na estreia da categoria, parte como favorito entre os SxS, categoria na qual estarão em acção seis portugueses.

Pedro Mello Breyner (Yamaha YXZ 1000R Extramotion), acompanhado pelo peruano Javier Godoy, está de volta, depois de ter sido forçado a abandonar, o ano passado, logo na terceira etapa, enquanto Miguel Jordão CAN-AM Maverick) será navegado pelo brasileiro Lourival Roldan.

A presença portuguesa completa-se com as duplas Bruno Martins/Rui Pereira (CAN-AM X3) e Ricardo Porém/Jorge Monteiro (CAN-AM Maverick) tendo todos eles o objectivo de chegar ao fim,

Paulo Fiúza a navegar Alberto Herrero na MAN 525-S, com o também espanhol Martin Pina

PORTUGUESES NOS CAMIÕES

A presença portuguesa no “Dakar” 2019 completa-se nos pesos pesados, com Paulo Fiúza a navegar o espanhol Alberto Herrero (MAN 525-S), tendo outro espanhol, Martin Pina, como mecânico, e José Martins (DAF 75CF), acompanhado pelo francês Pierre Tuheil e pelo espanhol Jordi Obiols, a apostado em concluir a prova.

 

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