Maria Luís: motivo para sorrir em Al Henakiyah
A piloto portuguesa completou a 11.ª etapa com o 50.º tempo na categoria Ultimate, mantendo a 42.ª posição na classificação geral dos Ultimate. Com apenas duas etapas para o fim, Maria Luís Gameiro reafirma que o seu único objetivo é terminar este Dakar 2026, convicta de que, sem os contratempos da segunda semana, estaria melhor classificada.
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A 11.ª e antepenúltima etapa do Rali Dakar 2026, entre Bisha e Al Henakiyah, apresentou-se como uma especial de grande exigência técnica, mas que permitiu a Maria Luís Gameiro e Rosa Romero desfrutar do traçado e da competição. Apesar dos riscos de navegação que marcaram o dia, a dupla da X-Raid conseguiu evitar erros maiores, completando a etapa com o 50.º tempo na categoria Ultimate e consolidando o 42.º lugar na classificação geral.
Ainda que a especial tivesse oferecido momentos em que o MINI JCW T1+ da X-Raid se permitisse um andamento mais vivo e «divertido», conforme confessou Maria Luís Gameiro, a realidade da sua posição no pelotão – longe da frente – obrigou a dupla a passar grande parte do dia a ultrapassar concorrentes e a lidar com as consequências inevitáveis: pó constante, trilhos degradados e uma gestão contínua de risco.

Nestas circunstâncias, qualquer ganho de tempo é bem-vindo, mas também a conservação do carro é uma pequena vitória, mais ainda tão perto do fim. Resta apenas reconhecer que, numa edição onde os contratempos da segunda semana – problemas na caixa de velocidades, furos múltiplos, avaria no diferencial – custaram tempo precioso, Maria Luís Gameiro está convicta de que poderia estar numa classificação mais elevada.
Mas essa reflexão fica para depois, pois o foco está em terminar o Dakar, o objetivo primordial, desde início e que está perto de ser conseguido. Maria Luís Gameiro estava radiante no final da etapa. Com o objetivo à vista, a piloto lusa encara a competição com cada vez mais entusiasmo e vontade.

«Hoje voltámos a sentir que o nosso sonho de terminar o Dakar está muito perto! Não olhamos para outros objetivos. A etapa de hoje era divertida e tínhamos condições para aproveitar mais, mas andámos sempre a ultrapassar concorrentes e no pó, o que nos limitou. Ainda assim, o nosso carro permite andar bem e conseguimos tirar algum gozo disto, o que é importante», começou por referir a piloto do MINI JCW T1+ da X-Raid.
«A etapa foi exigente. Depois de 300 km de maratona, fazer uma ligação de 500 é dose! Mas estamos super contentes. A equipa faz um trabalho incrível e cada chegada ao bivouac é uma vitória diária. Essas são as vitórias que contam nesta fase», acrescentou a piloto.

«Vamos colecionando momentos que ficarão na memória, muito para além do que acontece nas etapas. Viver este Dakar por dentro é viver a partilha, as gargalhadas, os momentos menos bons e o apoio constante que se vive. É um privilégio poder privar com alguns dos maiores nomes da modalidade e podermos mostrar a nossa fibra e a nossa força a cada dia. Falta pouco. Ainda devemos manter o foco e a vigilância. Mas já vemos a meta», disse, motivada, Maria Luís Gameiro.
Amanhã, sexta-feira, dia 16 de janeiro, a caravana enfrenta a 12.ª etapa, que proporciona a Maria Luís Gameiro e Rosa Romero conduzir o MINI JCW T1+ da X-Raid de Al Henakiyah a Yanbu, num regresso à costa do Mar Vermelho.

Serão 310 quilómetros de especial num terreno intermédio: algumas dunas, leitos de rios, com algumas secções mais rápidas, alternando com troços mais técnicos. A primeira visão do mar, que marca simbolicamente o fim próximo do Dakar, funcionará como farol emocional e mental.
Mas os 310 km de deserto ainda exigem concentração absoluta. Tão perto da meta, as distrações mentais são as mais perigosas. É nesta fase que muitos pilotos cometem erros por falta de foco ou por antecipação excessiva do final.
Para Maria Luís Gameiro, a mensagem é clara: manter o ritmo, respeitar o terreno e chegar a Yanbu pronta para os últimos quilómetros. O fim está perto, mas ainda não está ali.

