Goiânia abre “hostilidades no Sertões Petrobras
Prólogo e Super Prime na ementa deste sábado, com disputas em circuito fechado na presença do público vão definir a ordem de largada para a primeira etapa daquele que é considerado o maior rally das Américas.
carlos.sousa@autolook.pt
Foram meses de preparação, expectativa e ansiedade. Agora, chegou o momento de acelerar no maior rally das Américas. Em Goiânia, pilotos e navegadores encaram o primeiro desafio contra o relógio no Sertões Petrobras. As caravanas de motos, carros e UTVs vão levantar poeira em dose dupla numa estrutura montada no Condomínio Citàge Santé, através de um circuito de cinco quilómetros.
Os oito mais rápidos de cada modalidade (e os quatro da Production, que reúne os carros com menor nível de preparação) têm novo compromisso. Desta vez, no Super Prime que, em baterias eliminatórias dois a dois, vão definir os mais rápidos.
Além de conquistar o Troféu Sylvio de Barros, eles garantem uma vantagem importante para a primeira etapa, domingo, que ligará a capital goiana a Cavalcante: poderão escolher sua posição de largada. No rally raid, ser o primeiro a partir é quase sempre desvantagem – o piloto não conta com os rastos dos demais veículos ou mesmo a visão da poeira de quem vai à frente, também uma referência.
As máquinas estiveram em ação pela primeira vez na pretérita quinta-feira, no shakedown; treino num circuito fechado de 6 km para verificar se tudo funciona perfeitamente ou algum ajuste que pudesse ser necessário. Na Vila Sertões, vários dos protagonistas desta edição conversaram com a imprensa e revelaram suas expectativas.
De Lucas Moraes, primeiro brasileiro campeão mundial na principal categoria do rally raid (Ultimate) à estreante goiana Bárbara Neves, que após sete títulos brasileiros no Enduro, realiza seu sonho, passando por Marcelo Vívolo, navegador bicampeão nos carros em 2003 e 2004 que está de volta após 19 anos com a mesma Mitsubishi L200 Evo usada na ocasião, agora na categoria Classic. E por Fernando Fernandes que, depois da experiência de concluir duas etapas em 2025 com um UTV adaptado agora espera concluir os 4.020 km de desafio.
Também foi dia da foto oficial dos pilotos e navegadores, nas arquibancadas do Autódromo Internacional de Goiânia. E do “briefing” geral com as orientações importantes para os nove dias de desafio pelo coração do Brasil.
Este ano, o Sertões Petrobras conta com um esquema inédito de transmissões ao vivo. Serão mais de 60 horas de imagens ao longo do rally, um recorde na história da modalidade em todo o mundo. Exibidas pelo Youtube da Roxo Sports e do Sertões Petrobras; Acelerados, N Sports (primeira e última hora de cada dia) e Grande Prémio.
O QUE ELES DISSERAM
Lucas Moraes
«Finalmente pronto e muito feliz de voltar. Foi um esforço grande, mas é um rally muito importante para mim. Queremos nos divertir bastante mas, uma vez que colocamos o capacete, o objetivo é lutar pela vitória».
Marcelo Vívolo
«Tomei a decisão de parar com o rally quando meus compromissos profissionais me impediram de continuar, e preferi não acompanhar de perto justamente para não ter a tentação de voltar. Recusei alguns convites mas dessa vez o coração bateu mais forte, o projeto é muito interessante e não poderia falar não. Volto com uma navegação bastante diferente, com o tablet e o Trux, vou procurar me adaptar ao longo do rally».
Marcos Baumgart (vencedor dos carros em 2025)
«O Sertões faz-se dia a dia. A organização prometeu uma das três mais difíceis edições da história. Já perdi o rally perto do fim, ganhamos ano passado rebocados no fim da última etapa, é preciso manter um bom ritmo, escapar dos problemas e ter muita vontade de vencer».
Bárbara Neves
«Eu era menina, nem tinha andado de moto e já acompanhava as largadas do Sertões em Goiânia. Estou aproveitando cada momento, tentando não ficar ansiosa e viver o privilégio de estar aqui. Esperei muito por esse momento e agora não quero que ele passe rápido. Ouvi muita gente experiente e sei que para completar o rally tenho que ter cabeça e não perder as estribeiras».
Fernando Fernandes
«Fiz as duas etapas Maratona no ano passado e o bichinho picou. O coração bateu forte e eu tive certeza de que queria fazer parte desse mundo fascinante. Agora quero fazer o rally completo e brigar por um bom resultado na minha categoria. O fascinante do Sertões é chegar a lugares em que ninguém vai; encontrar as comunidades. É uma montanha russa de emoções».

