ERC

Mārtiņš Sesks conquista quinta vitória no ERC

Após ter cedido o comando do Rally 6 Cities North of Portugal esta manhã, a dupla Mārtiņš Sesks e Renārs Francis conseguiu recuperar a liderança fruto ao azar de Roope Korhonen e Anssi Viinnika, cujo Toyota Yaris Rally2 perdeu a tração nas quatro rodas durante a 16.ª especial.

carlos.sousa@autolook.pt

Mārtiņš Sesks e R. Francis (Škoda Fabia RS Rally2)

Mārtiņš Sesks garantiu em território nacional a quinta vitória no Campeonato Europeu de Rali da FIA (ERC) de forma espetacular, após um desfecho dramático no Rally 6 Cities North of Portugal, etapa decisiva da temporada de 2026 do ERC realizado neste domingo.

O jovem piloto letão encerrou a primeira etapa com uma vantagem de 10,5 segundos sobre o seu companheiro de equipa na Team MRF Tyres.

Contudo, um problema ao nível dos amortecedores do Škoda Fabia RS Rally2 de Mārtiņš Sesks fez com que o finlandês passasse a ficar a 8,2 segundos na liderança após as especiais matinais, deixando a hipótese de vitória bastante comprometida.

Pablo Sarrazin e Y. Roche (Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale)

Roope Korhonen ampliou ainda mais sua vantagem ao superar Mārtiņš Sesks por 2,4 segundos na 14.ª especial, abrindo uma diferença de 10,6 segundos com apenas três troços por cumprir. No entanto, o destino reservou uma deceção para o finlandês Roope Korhonen, a partir do momento que o seu Toyota GR Yaris Rally2 passou a rodar somente com tração em duas rodas, permitindo que Mārtiņš Sesks assumisse de novo a liderança e conquistasse, juntamente com o seu navegador Renārs Francis, a tão ambicionada vitória.

«Trabalhamos muito para chegar a este resultado. É claro que não foi fácil para nós nem para o Roope hoje, em que ambos tivemos alguns problemas técnicos. No final, acabámos por a sorte nos sorrir, mas o ritmo que mantivemos – ontem e hoje – obrigou-nos a forçar bastante», referiu o piloto letão.

Miko Marczyk e Szymon Gospodarczyk (Škoda Fabia RS Rally2)

«Ontem demos o máximo desde o início e, hoje, tratou-se mais de entender os nossos limites, testando o que era possível de fazer e o que não era. No fim, optamos por uma abordagem mais cautelosa, mas que valeu a pena», completou Mārtiņš Sesks.

Por seu turno, Roope Korhonen sublinhou que o diferencial traseiro «quebrou e o carro passou a ter tração apenas em duas rodas, o que não deixa de ser uma pena». «É frustrante, claro, porque fizemos um bom trabalho e chegamos a liderar o rali, mas faz parte do jogo — é assim mesmo. Estava tudo a correr muito bem; a sensação ao volante era excelente, o acerto do carro estava ótimo, assim como os pneus e todo o restante. Eu nem precisava forçar tanto, porque o carro estava muito bom», acrescentou.

 

Já o francês Pablo Sarrazin, que utiliza pneus Michelin no Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale, enfrentou problemas na direção da viatura durante todo o período matinal, conseguiu superar Roopee Korhonen, que perdia ritmo, na “power stage”, a especial que incluiu o lendário salto de Pedra Sentada, em Fafe.

O espanhol Jan Solans terminou no quarto lugar, enquanto o romeno Simone Tempestni ficou em quinto, à frente do belga Arthur Pelamourgues. Os pontos conquistados por Sarrazin e Pelamourgues garantiram a vitória da equipa francesa no segundo National Match Rally, superando a formação de Portugal.

Armindo Araújo foi o português melhor classificado, terminando em sétimo, seguido pelo campeão do ERC de 2025, Miko Marczyk, piloto que obteve o resultado necessário para garantir a segunda posição na classificação geral, superando Andrea Mabellini, abandonou a prova na primeira etapa devido a um problema mecânico.

O piloto de Famalicão, Pedro Almeida, que utiliza pneus Pirelli, terminou em nono, à frente de Léo Rossel, que usa pneus Hankook, perdendo tempo ao precisar de trocar uma roda durante a primeira etapa.

Jakub Matulka começou a “power stage” na 10.ª posição, mas acabou ultrapassado por Léo Rossel nos 11,20 quilómetros decisivos do rali. Adam Grahn superou uma especial, problemas no intercomunicador e danos nos pneus para conquistar o 12.º lugar, à frente do estreante na ERC1 Nicolas Otto, de Pierre Ragues e de Gábor Német.

Rio Ogata, piloto de desenvolvimento da Toyota Gazoo Racing WRT NG, venceu a categoria FIA ERC3 na sua estreia. Enquanto isso, Karl Peder Nordstrand obteve a sua primeira vitória na categoria FIA Junior ERC, que utiliza pneus Hankook, com Timo Schulz a conquistar duplo título, vencendo, tanto a FIA ERC4 como  a FIA Junior ERC. Como prémio pelo seu sucesso na Junior ERC, o piloto da equipa ADAC Opel Rally Junior Team garantiu o passaporte para competir uma temporada no FIA Junior WRC em 2027.

Refira-se que vários dos principais pilotos enfrentaram problemas durante o Rally 6 Cities North of Portugal, entre eles Kris Meeke, que sofreu um acidente na quarta especial, o mesmo sucedendo a Patrick Enok, que parou devido a danos na suspensão no mesmo troço.

Igual cenário viveu Sarah Rumeau, que ocupava uma excelente nona posição na sua estreia no ERC, mas acabou por abandonar a prova lusitana após capotar na sétima especial, na qual também Tymek Abramowski terminou com o carro virado de tejadilho para baixo, e Andrea Mabellini foi forçado a parar.

Ville Vatanen estava perto do final da nona especial quando foi acionado, de forma brusca um alerta a bordo de seu Ford Fiesta Rally2, obrigando o piloto da M-Sport Ford World Rally Team a encostar a viatura.

O finlandês que competia em Portugal como prémio por ter vencido o ERC Fiesta Rally3 Trophy e utilizava pneus Pirelli, ocupava a 11.ª posição no momento do abandono, após um desempenho bastante promissor. Ville Vatanen regressou na segunda etapa e completou a prova entre os 20 primeiros.

Por sua vez, Nikolay Gryazin também regressou à competição este domingo, após uma falha na viatura o ter forçado a parar na nona especial, conseguindo recuperar e terminar na 17.ª posição.

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