WRC

Mundial de Ralis: da neve para a savana africana

O primeiro teste em terra do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC) coloca as equipas frente a frente com um dos maiores desafios do automobilismo. O Campeonato Mundial de Rali da FIA muda-se da neve para a savana este fim semana, com o Rali Safari do Quénia, terceira etapa da temporada de 2026.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Sediado em Naivasha, o clássico rali africano continua a ser um dos maiores desafios do automobilismo mundial. Estradas acidentadas, pedras escondidas e tempestades repentinas podem transformar as especiais em testes de sobrevivência, o que significa que a velocidade por si só raramente é suficiente para garantir a vitória.

O líder do campeonato, Elfyn Evans, chega embalado após a vitória no Rali da Suécia, onde a Toyota Gazoo Racing dominou as quatro primeiras posições. O inglês lidera agora a classificação de pilotos com 13 pontos de vantagem e regressa ao Quénia com o objetivo de defender a vitória conquistada no território africano o ano passado.

Elfyn Evans volta a abrir a estrada no primeiro dia, uma posição que, geralmente se, mostra menos punitiva no piso de terra irregular do Safari do que em outros eventos com solo mais solto.

«O início do ano tem sido incrível para a equipa, mas certamente não podemos subestimar os desafios que temos pela frente, especialmente em um rali como o Safari. Pode ser uma prova realmente imprevisível: pode-se encontrar pedras no meio da estrada ou escondidas na erva, e quando chove, pode haver água e zero aderência», referiu Elfyn Evans.

«O rali do ano passado foi extremo em abundância em termos de clima e fiquei muito feliz por ter conseguido completá-lo e conquistar a vitória pela primeira vez. Não será fácil repetir o feito, mas esse será o objetivo», acrescentou o piloto inglês da Toyota Gazoo Racing.

A Toyota tem dominado desde que o rali regressou ao WRC em 2021, vencendo todas as edições da era moderna. Os companheiros de equipa de Elfyn Evans, o sueco Oliver Solberg e Takamoto Katsuta, chegam em ótima forma após a Suécia, onde o japonês terminou em segundo, atrás do inglês pelo segundo ano consecutivo.

Sébastien Ogier também regressa à competição após ter ficado de fora da Suécia. O nove vezes campeão mundial venceu duas vezes no Quénia – em 2021 e 2023 – o que o torna o piloto em vitorioso em atividade na prova africana.

A Hyundai Motorsport chega a África à procura de uma reviravolta após um início de temporada difícil. O construtor sul-coreano ainda não conquistou um pódio nas duas primeiras etapas da presente temporada, sem dúvida o seu pior início de época desde 2018.

Adrien Fourmaux tem sido o piloto mais consistente da Hyundai Motorsport até agora, enquanto o campeão mundial de 2024, Thierry Neuville, estará ansioso para recuperar terreno após um começo de ano desafiador. Esapekka Lappi completa a equipa com um terceiro Hyundai i20 N. Rally1.

O talentoso piloto da Toyota Gazoo Racing, Sami Pajari, também regressa ao Quénia após terminar em quarto lugar na sua estreia na temporada passada, enquanto a dupla da M-Sport Ford, Jon Armstrong e Josh McErlean, enfrenta o desafio mais difícil até o momento no implacável piso de terra africano.

O próprio rali permanece repleto de história. Realizado pela primeira vez em 1953 como East African Coronation Safari, tornou-se famoso por seu formato de resistência e terreno implacável muito antes de se juntar ao calendário inaugural do WRC em 1973.

A versão atual ainda conserva muito desse espírito. As equipas vão enfrentar 20 especiais ao longo de 350 km disputados ao cronómetro, incluindo provas icónicas como Sleeping Warrior, Elmenteita e Hell’s Gate. A ação começou hoje, quinta-feira, com o “shakedown” próximo do parque de assistência de Naivasha, antes do início oficial do rali ainda no mesmo dia.

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