DAKAR

Dia de gestão e inteligência para Maria Luís

Aos comandos de um MINI JCW T1+, a piloto portuguesa navegada pela espanhola Rosa Romero completou a terceira etapa com mais um dia consistente, privilegiando a gestão de risco e evitando os problemas que atrasaram vários favoritos.

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Maria Luís Gameiro assinou esta terceira-feira mais uma etapa positiva no Dakar 2026, ao completar a terceira etapa, em AlUla (421 km cronometrados, mais 315 km de ligações), com um desempenho marcado pela consistência e pela gestão de risco.

A piloto portuguesa, acompanhada pela navegadora espanhola Rosa Romero, não conseguiu impor o mesmo ritmo forte que tinha evidenciado na véspera, mas alcançou um resultado desportivamente sólido (50.º lugar), sobretudo se comparado com os percalços vividos por vários dos principais candidatos ao triunfo, que perderam bastante tempo nas armadilhas do dia.

Num traçado exigente em termos de navegação e terreno, Maria Luís Gameiro e Rosa Romero mantiveram as cautelas que têm caracterizado o seu Dakar 2026, focadas em evitar erros maiores e em preservar o MINI JCW T1+. As pedras e o muito pó que se fizeram sentir obrigaram a um redobrar das cautelas, que permitiu evitar outro acidente.

Pelo caminho, houve ainda espaço para o verdadeiro espírito de entreajuda do rali-raid: a dupla teve de ceder uma roda ao colega de equipa da X-Raid, Guillaume De Mévius, assim como a Lionel Baud, gesto que reforça o ADN de solidariedade que sempre marcou o Dakar. Ainda assim, a etapa foi concluída sem problemas mecânicos de relevo, validando o dia como mais um passo importante na construção de um rali consistente.

Foi, acima de tudo, um dia de gestão, longe do andamento mais forte mostrado na Etapa 2, mas com uma prioridade clara: chegar ao final com o carro inteiro e pronto para o próximo grande desafio.

Tendo em conta que esta quarta-feira começa a primeira metade da primeira etapa maratona, a escolha de não entrar em riscos desnecessários ganha ainda mais peso. Garantir que os mecânicos da X-Raid têm um MINI em boas condições para preparar dois dias sem assistência é, neste momento, tão importante como qualquer ganho de tempo na classificação.

No final da etapa, Maria Luís Gameiro explicou um pouco do que aconteceu durante o dia. Muitas pedras, muito pó e um andamento conservador que, além de ter permitido chegarem ao fim, foi também a chave para ajudarem os colegas de equipa.

«Foi mais um dia duro em que não nos expusemos muito ao risco. Adotamos um ritmo conservador pois além das pedras no troço, enfrentamos muito pó, que nos colocou em situações mais difíceis. Não conseguíamos chegar perto dos carros para darmos o Sentinel e por isso ficamos um pouco “presas”. Conseguimos evitar outro acidente, com um carro parado,  que acabou por ser mais um grande susto», começou por referir a piloto lusitana.

«Esta terceira etapa foi muito exigente mas a nossa toada cautelosa permitiu-nos chegar ao fim e até ajudar o Guillaume De Mévius e o Lionel Baud, a quem cedemos um pneu, respetivamente. Se não fosse a nossa ajuda não teriam chegado ao fim. O Dakar é mesmo assim, com o espírito de entreajuda sempre muito presente», acrescentou.

«Agora é tempo de preparar tudo, pois amanhã temos a etapa maratona. Sabemos da exigência deste tipo de etapas pelo que temos de preparar tudo ao pormenor para estarmos prontas para qualquer eventualidade», concluiu Maria Luís Gameiro.

No final de mais uma etapa que colocou à prova máquinas e tripulações, não há tempo para descansar. Esta quarta-feira, a famosa etapa maratona irá colocar à prova até os mais duros concorrentes. É o Dakar em todo o seu esplendor.

A quarta etapa inicia a primeira maratona do Rali Dakar 2026, que mostra a sua face mais dura. Serão dois dias consecutivos (etapas 4 e 5) sem qualquer assistência mecânica externa, um cenário em que a gestão de material e a resiliência mental assumem um papel absolutamente central.

Maria Luís Gameiro e Rosa Romero partem de AlUla rumo a um bivouac “refúgio” cujo local é mantido em segredo, enfrentando 451 quilómetros cronometrados num dia que pode marcar profundamente o desenrolar do rali.

Quando chegarem ao bivouac, não haverá mecânicos da X-Raid à espera, nem acesso a uma estrutura completa de assistência, nem “rede de segurança” típica das etapas normais. Terão apenas o que levarem no próprio MINI: pneus sobressalentes, ferramentas básicas e algumas peças críticas, como pastilhas de travão, cabos ou fusíveis. Qualquer reparação terá de ser feita pelas próprias ou com a ajuda de outros concorrentes – algo permitido pelo regulamento e que honra o espírito original do Dakar.

O bivouac “refúgio” oferece apenas o essencial: tenda, saco‑cama, colchão e uma ração alimentar. É o chamado “Dakar puro”, em modo sobrevivência. Para Maria  a missão é simples: conservar o carro, evitar riscos desnecessários e chegar ao final da Etapa 4 com o MINI intacto. A partir daqui, a aventura entra numa fase ainda mais intensa, onde cada decisão ao volante e cada nota de navegação contam.

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