Dakar parte do Algarve, Madrid ou Valência?
A organização do Rali Dakar não sofria tanto há duas décadas. Em 2008, a ameaça à segurança obrigou a ASO a anular a prova, já sem tempo para encontrar alternativa ao percurso Lisboa-Dakar. Desta vez, o cenário é outro: o “gabinete de crise” da organização trabalha há meses, discretamente, para que a história não se repita caso a Arábia Saudita não ofereça condições para receber a caravana. Dakar 2027 parte do Algarve, Madrid ou Valência? Sexta-feira saberemos!
Texto: ALEXANDRE CORREIA – Todo Terreno | PressXl News – Fotos: RUI REIS
Até as autoridades sauditas libertarem a ASO do compromisso assumido, foi uma autêntica guerra de nervos, mas a equipa liderada por David Castera não ficou parada. No início de outubro, a solução mais credível era uma prova mais curta, com apenas oito etapas em Marrocos. As equipas mais fortes, nomeadamente as formações oficiais que representam marcas, torceram o nariz, e o trabalho prosseguiu em busca de um quase regresso às origens.
A ASO terá agora lançado uma espécie de concurso para escolher o ponto de partida na Europa. Além do Algarve, e não necessariamente Portimão, estão em estudo pelo menos mais duas hipóteses em Espanha: Madrid e Valência. Com o tempo a apertar, a decisão será tomada esta sexta-feira. Até lá, tudo o que se diga são meras suposições.
Neste processo não há acertos de contas. A anulação de 2008 não deixou remorsos, a não ser no extrato bancário da ASO, e a escolha do ponto de partida na Europa, tal como a do país africano para o desenrolar da prova, obedece apenas a dois fatores: quem oferece alguma coisa e quem deixa a caravana passar.
A passagem do rali por África, como sempre aconteceu, traz despesa e não receitas, e fonte bem informada garante que a fatura apresentada por Marrocos para autorizar a prova é dolorosa para quem a paga. Do lado europeu, a questão é perceber quem oferece melhores condições, de preferência sem grande despesa.
No caso de Portugal, a abordagem ao ACP é lógica. O Automóvel Club de Portugal organiza uma prova do Campeonato do Mundo de Rali-Raid, promovido pela ASO, e existe ainda a relação entre David Castera, director do Dakar, e Orlando Romana, um dos homens fortes do ACP Motorsport, que chegou a ser director de prova no Dakar, com a corrida das motos sob a sua alçada. O Algarve, com toda a dinâmica turística, esperaria de braços abertos uma oportunidade destas.
A maior vantagem da opção portuguesa é a facilidade em montar uma primeira etapa cronometrada logo após a partida e antes da travessia do Mediterrâneo, algo que em Espanha seria mais difícil de conseguir com real interesse competitivo.
Se a escolha recair sobre o Algarve, a partida, o prólogo e a primeira etapa decorrerão em território nacional. Seguir-se-á uma longa ligação até ao porto de Algeciras, onde uma frota de “car-ferries” assegurará a travessia do Mediterrâneo até Tânger. Já em Marrocos, esperam-se mais 11 etapas, que se adivinham bastante demolidoras. Tudo o resto é conversa para entreter e alimentar audiências, se é que ainda há quem se interesse.

