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O Lobo e a menina dos olhos verdes…

A cidade de Lamego “verificou” os participantes do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic, dando para perceber a azáfama em redor da escadaria do santuário de Nossa Senhora dos Remédios, que serve de pano de fundo às “técnicas e documentais”, às “velhas senhoras” e respetivos condutores.

carlos.sousa@autolook.pt

Um tem milhares de quilómetros de experiência e muitas motos na garagem. A outra faz a estreia absoluta aos comandos de uma pequena Vespa 50S. Apesar dos curtos 40 quilómetros que separam Aveiro de Mozelos, Santa Maria da Feira, Jorge Lobo e Isabel Araújo nunca se haviam cruzado.

Em boa verdade, ainda não se conhecem, mas vão, seguramente, encontrar-se ao longo do 2.º Portugal de Lés-a-Lés Classic. Ou não fosse esta a magia dos eventos organizados pela Federação de Motociclismo de Portugal, de conhecer pessoas muito diferentes que partilham o gosto pelas motos.

O que já deu para perceber bem no centro de Lamego, com a enorme escadaria do santuário de Nossa Senhora dos Remédios em pano de fundo, local onde decorreram as Verificações Técnicas e Documentais às “velhas senhoras” e respetivos condutores.

Motos todas elas fabricadas antes de 1996 e onde se destacava a BMW R50/2 de 1968 com “side-car” de Jorge Lobo, participante assíduo nos Portugal de Lés-a-Lés de estrada tendo também descoberto o Classic no ano de estreia: «Só falta o “Off-Road”, mas a idade aconselha prudência», explica entre sorrisos de quem se diverte de forma genuína nestes eventos.

«É uma questão de paixão que serve também para dar uso às 12 motos antigas que estão lá em casa a que se juntam mais umas quantas motorizadas de várias épocas, desde a Cucciolo à Kreidler K51, várias Sachs e Famel. Um museu? Nada disso, apenas umas motos na garagem», esclarece este empresário aveirense que tem nos cavalos outra grande (enorme!) paixão.

Além de criador, possui uma invejável coleção de carros puxados por cavalos, incluindo várias charretes antigas, usadas em corridas e patentes ao público no Museu de Atrelagem da Quinta de Lagoalva, na Golegã.

Logo atrás, na ordem de partida em Lamego, está Isabel Araújo, acompanhada do namorado Vítor e de mais três amigos, o Paulo, o Gustavo e o Carlos, todos em Vespa 50S. Uma escolta que garante apoio e muita diversão a alguém que, garante a pés juntos, «faz a estreia absoluta a conduzir num passeio por pequeno que fosse».

«Normalmente passeava à pendura, mas fizeram tanta pressão que não resisti. Pode ser mais uma motivação para acabar de tirar a carta de moto e quem sabe, fazer ainda mais passeatas», sublinhou Isabel Araújo.

É que quem alinha num Lés-a-Lés fica apaixonado pelas descobertas proporcionadas e que, no caso do Classic, vão além das deslumbrantes paisagens e da boa gastronomia, prolongando-se em alguns dos mais interessantes museus de motos.

Será o caso da coleção de Damião Cardoso, a visitar no final da primeira etapa que liga Lamego a S. Pedro do Sul, reforçando os motivos de interesse para os adeptos das motos antigas e clássicas.

Uma tirada com 150 km com passagem pelas míticas estradas nacionais N2 e N222 e vistas ímpares da margem esquerda do Douro, subindo depois em direção a Tabuaço onde haverá lugar a uma descoberta particularmente curiosa: ali está, em plena Loja Interativa de Turismo, a mais completa, complexa, exótica e insólita obra de relojoaria do Mundo.

A partir daí a paisagem vai ganhar maior intensidade serrana, levando a caravana à barragem de Vilar, próximo de Moimenta da Beira, antes de infletir para Oeste, em direção a Castro de Aire, e daí, atravessando conjunto montanhoso Arada/Montemuro, até S. Pedro do Sul.

Onde todos poderão apreciar o vasto e rico acervo que reúne joias da BMW, Norton, Harley-Davidson, Indian, BSA, Ariel, Triumph, Zundapp, Ducati, Moto Guzzi, Rudge, Matchless, Sunbeam, Laverda, Vincent, Velocette, Bimota, Benelli ou Nimbus e que será uma ajuda excelente para fazer a digestão.

É que, ao contrário de 2025, todo o percurso será feito durante a parte da manhã, permitindo depois visitar tranquilamente os vários museus e aproveitar para conversar sobre a paixão que une os mais de 150 participantes: as motos antigas e clássicas.

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