Morreu o antigo piloto de F1 Alex Zanardi
O antigo piloto de Fórmula 1 e campeão paralímpico, faleceu esta sexta-feira aos 59 anos. A vida do italiano foi marcada por um trágico acidente em 2001, durante uma corrida na categoria CART, levou à amputação de ambas as pernas, encontrando sucesso paralímpico, mas um novo acidente em 2020 deixou-o debilitado.
CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)
Faleceu aos 59 anos Alex Zanardi, considerado um verdadeiro herói do desporto italiano. Depois de disputar 44 Grandes Prémios na Fórmula 1, entre os anos de 1991 e 1994, e em 1999, com passagem por equipas como a Jordan, Minardi, Lotus e Williams, não obteve resultados expressivos e passou para as corridas CART, nos Estados Unidos da América.
A vida de Alex Zanardi foi marcada por um trágico acidente em 2001, durante uma corrida na categoria CART, no qual perdeu ambas as pernas. A 15 de setembro, durante uma corrida na Alemanha, a vida de Alex mudou para sempre. Após um pião à saída das boxes, o carro foi atingido lateralmente a altíssima velocidade.
O impacto do acidente foi devastador: o carro ficou partido em dois e Alex sofreu a amputação de ambas as pernas. Chegou ao hospital em estado grave, mas contra previsões médicas, sobreviveu e começou outra história de vida.
A força de vontade levou-o a voltar à competição desportiva, e regressou aos automobilismo com um carro adaptado, mas em 2007 mudou radicalmente e optou pela modalidade de handbike. Foi neste desporto que alcançou um sucesso notável, conquistando 3 medalhas nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012 e 3 nos Jogos Rio 2016, além de vários títulos mundiais.
A 19 de junho de 2020, o destino voltou a ser cruel com Alex Zanardi. Durante uma estafeta de beneficência em handbike, organizada para apoiar a luta contra o coronavírus, sofreu um novo e grave acidente. Perto de Pienza, perdeu o controlo do seu veículo e colidiu com um camião que circulava em sentido contrário.
Após o acidente, Alex Zanardi recuperou a consciência em janeiro de 2021 e, em dezembro do mesmo ano, regressou a casa. Passou os últimos anos da sua vida junto da mulher, Daniela, e do filho, Niccolò, longe dos holofotes mediáticos.
A família deu conta da morte num comunicado, na manhã deste sábado: «É com profundo pesar que a família comunica o falecimento de Alessandro Zanardi, ocorrido de forma súbita na noite de ontem, 1 de maio. Alex faleceu serenamente, rodeado pelo carinho dos seus entes queridos. A família agradece, de coração, a todos aqueles que nestas horas têm manifestado a sua proximidade e pede respeito pela sua dor e privacidade neste momento de luto».
A primeira-ministra Giorgia Meloni deixou uma mensagem de pesar: «A Itália perde um grande campeão e um homem extraordinário, capaz de transformar cada prova da vida numa lição de coragem, força e dignidade. Alex Zanardi soube reinventar-se a cada momento, enfrentando até os desafios mais difíceis com determinação, lucidez e uma força de espírito fora do comum».
«Com resultados desportivos, com o exemplo e com a sua humanidade, deu a todos nós muito mais do que uma vitória: deu esperança, orgulho e a força de nunca desistir. Em meu nome e em nome do Governo, endereço um pensamento comovido e a mais sincera proximidade à sua família e a todos aqueles que lhe quiseram bem. Obrigado por tudo, Alex», concluiu Giorgia Meloni
O presidente da República, Sergio Mattarella, deixou também um comentário: «Sinto uma profunda dor pela morte de Alex Zanardi, amado e admirado também pela sua coragem, resiliência e capacidade de transmitir entusiasmo».
O Comité Olímpico italiano (CONI) e o a federação anunciaram um minuto de silêncio em todos os campos em memória de Alex Zanardi: «Por indicação do presidente do CONI e do presidente da Federação, determina-se a observância de um minuto de silêncio antes do início dos jogos de todas as competições programadas para o dia de hoje e para todo o fim de semana, incluindo antecipados e adiados, para honrar a memória de Alex Zanardi, inimitável campeão do desporto».
Também Rui Marques, dirigente português no automobilismo que, desde novembro de 2024, exerce a função de diretor de corrida na Fórmula 1, deixou uma mensagem repleta de sentimentos: «O desporto perdeu um exemplo de determinação e perseverança. Foi uma honra ter sido oficial em algumas das suas corridas».

