Três novos rostos na HRC para as SBK 2026
A temporada terá início no circuito australiano de Phillip Island de 20 a 22 de fevereiro, com os últimos testes previstos no princípio dessa mesma semana, no circuito que abre o campeonato em 2026. Com três novos rostos, a Honda ambiciona regressar às vitórias e repetir êxitos do palmarés nas SBK.
FAUSTO MONTEIRO GRILO (auto.look2010@gmail.com)

Quando o Campeonato do Mundo de Superbike foi inaugurado em 1988 como uma competição internacional para motos derivadas de produção, os organizadores procuraram equilibrar a potência ao limitar os motores de quatro cilindros a 750 cm³, permitindo aos bicilíndricos chegar aos 1000 cm³.
Apesar disso, a HRC dominou os primeiros anos com a RC30, pilotada pelo norte-americano Fred Merkel, conquistando os títulos de pilotos e de construtores nos dois primeiros anos, mantendo o título de Construtores em 1990.
Após alguns anos de evolução competitiva, as motos bicilíndricas de maior cilindrada começaram a dificultar a vida aos modelos de quatro cilindros, mas as equipas HRC persistiram e, em 1997, venceram os campeonatos de Pilotos e de Construtores com o norte-americano John Kocinski aos comandos da RC45 de 750 cm³.

Depois, em 2000, os engenheiros da HRC responderam ao regulamento com um bicilíndrico próprio — com a VTR1000 de 1000 cm³ (também conhecida como RVT1000 ou RC51) — que obteve sucesso imediato, com Colin Edwards a garantir o título de pilotos desse ano.
Dois anos mais tarde, a Honda e Edwards repetiram o feito de forma dramática, com o norte-americano a conquistar uma dupla vitória na última ronda, em Imola, superando Troy Bayliss por 11 pontos.
Em 2003, alterações ao regulamento eliminaram a vantagem de 250 cm³ das motos bicilíndricas, enquanto o MotoGP concluía a sua transição para motores a quatro tempos. A HRC decidiu concentrar os seus esforços no Mundial de Velocidade e retirou se do WorldSBK.

Ainda assim, a Honda CBR1000RR Fireblade de quatro cilindros em linha continuou a ser utilizada com sucesso por equipas satélite, nomeadamente em 2007, quando James Toseland conquistou o título de Pilotos com a equipa Hannspree Ten Kate.
Em 2019, a Honda participou num projeto conjunto com a Moriwaki e a Althea, entrando no campeonato WorldSBK com uma estrutura apoiada pela HRC — a Moriwaki Althea Honda Team — que alinhou com Leon Camier e Ryuichi Kiyonari na CBR1000RR SP2.
A época revelou se bastante desafiante, mas simultaneamente frutífera tendo em vista as atividades de 2020, ano em que o Team HRC, uma equipa totalmente de fábrica, sediada no mesmo escritório da HRC Europa (em Barcelona, Espanha) geriu também os projetos de MotoGP e Dakar.

E após vários anos de evolução, e uma temporada de 2025 desafiadora, mas reveladora de claras melhorias, a Honda HRC apresenta-se totalmente renovada no paddock do WorldSBK para 2026.
Como pilotos oficiais, a equipa conta agora com Jake Dixon e Somkiat Chantra, provenientes da caravana do mundial de MotoGP. Dixon conta com vasta experiência na categoria intermédia do mundial de velocidade (Moto2) onde competiu nos últimos oito anos, contando com 21 pódios e onde se estabeleceu como um dos pilotos de topo.
O piloto britânico passou também pelo campeonato britânico de superbikes – um dos mais disputados do mundo – antes de ingressar em Moto2. O companheiro de equipa Somkiat Chantra viu as suas capacidades serem notadas – de forma mais clara- em 2016 quando venceu a Asia Talent Cup.

Em 2025 integrou a IDEMITSU Honda LCR, depois de se ter tornado o primeiro piloto tailandês a vencer uma corrida na categoria de Moto2 – Mandalika (2022) e o GP do Japão, Motegi (2023) – onde se estreou em 2019.
Para além do alinhamento de pilotos a tempo inteiro, a HRC realizou uma contratação de enorme destaque para a temporada que se avizinha, com a entrada do seis vezes campeão de Superbike, Jonathan Rea. O norte irlandês – que se retirou a tempo inteiro do mundial no final de 2025 – será piloto de testes da HRC durante as próximas temporadas.
Com 264 pódios e 119 vitórias no WorldSBK, Rea dispensa apresentações, contando com vasta experiência no campeonato, sendo uma enorme mais-valia para a Honda HRC e para os seus novos pilotos. Esta contratação demonstra também o empenho e o investimento forte da HRC para voltar ao topo da modalidade.

