Fiscalização nas estradas este fim de semana
As forças de segurança vão reforçar a fiscalização nas estradas este fim de semana. O anúncio foi efetuado pelo ministro da Administração Interna, salientando que a aposta será na imprevisibilidade, pelo que os polícias não estarão sinalizados.
carlos.sousa@autolook.pt

Este sábado e domingo «irão ocorrer muitas operações, com foco na imprevisibilidade e no facto de quem atua no terreno não estar sinalizado», disse Luís Neves, numa conferência de imprensa sobre sinistralidade rodoviária, em Lisboa, justificando a medida com o facto de se tratar de um período de «transição de férias», nos quais têm ocorrido mais acidentes.
Segundo o ministro, as operações «vão decorrer em todo o país», com particular incidência nos «pontos críticos» identificados pelas autoridades. As pessoas «têm de se habituar a que as regras são para cumprir e em qualquer momento pode haver um momento de fiscalização», sublinhou. A realização de operações STOP sem aviso de prévio foi uma das medidas anunciadas em abril por Luís Neves para reduzir a sinistralidade rodoviária.
AUMENTO DE MORTES POR
ATROPELAMENTO PREOCUPA GOVERNANTE
O ministro da Administração Interna mostrou-se preocupado com o elevado número de atropelamentos nas estradas portuguesas, que, no primeiro semestre deste ano, causaram 31 mortes, mais do que no mesmo período de 2025.
«Temos muitos atropelamentos. Há muita gente distraída, há muita incivilidade, quer por parte do condutor quer por parte de quem utiliza as estradas e, por isso, temos de facto números que são particularmente graves», afirmou Luís Neves no final da reunião com altos responsáveis da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), da GNR e da PSP.
Segundo dados disponibilizados pela tutela aos jornalistas, entre 1 de janeiro e 30 de junho de 2026, morreram na sequência de atropelamentos 31 pessoas, mais 17 (+121,4%) do que no período homólogo do ano passado, quando se registaram 14.
CIRCULAR NA ESTRADA A MAIS
DE 180 KM/H PODERÁ VIR A SER CRIME
O ministro da Administração Interna admitiu, também, que circular a partir de 180 ou 200 quilómetros por hora (km/h) pode passar a ser considerado crime no novo Código da Estrada, que está já 70% estabilizado.
«Setenta por cento do novo Código da Estrada está praticamente estabilizado», revelou Luís Neves. Além de «medidas muito concretas», o diploma visa criar «um ambiente em que ir para a estrada não tem de ser um perigo» e em que o «outro cidadão que circula» é respeitado.
Entre as medidas que estão ser ponderadas e que «vão ser articuladas de forma harmónica» está a criminalização de se circular «a partir de determinada velocidade», como 180 ou 200 km/h, algo hoje considerado uma contraordenação.
A elaboração de um novo Código da Estrada foi uma das medidas anunciadas em abril pelo ministro da Administração Interna para reduzir a sinistralidade rodoviária, a par da reativação da Brigada de Trânsito da GNR, da instalação de mais radares e da realização de operações STOP sem aviso prévio.
Na altura, Luís Neves reconheceu igualmente um atraso na elaboração da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, que está por aprovar desde 2021 e que tem como objetivo reduzir em 50% o número de mortos e feridos graves até 2030 face a 2019.
Atualmente, a tutela encontra-se a analisar, até 15 de setembro, «cerca de 70 propostas recebidas» durante a discussão pública da proposta de estratégia nacional de segurança rodoviária, que, uma vez concluída, irá a Conselho de Ministros para ser aprovada, adiantou o governante.
A partir de 1 de novembro, terão também início testes-piloto, em locais já selecionados, «para perceber todo o tipo de comportamentos» ao volante. Segundo Luís Neves, serão utilizados programas que permitem recuperar imagens e recolher informação sobre vários aspetos, incluindo a velocidade, a utilização do telemóvel e «se a matrícula é ou não real».
Já no «final do ano, início de 2027» vai estar «finalmente pronto» um sistema informático para todas as contraordenações que permitirá agilizar a cobrança de coimas por infrações cometidas na estrada: «Estamos muito motivados no combate a esta falta de cumprimento da lei, a esta guerra civil que temos nas estradas», frisou o ministro da Administração Interna.

