Motocross

Domingo de Páscoa célere em Santo Quintino

A tradição voltou a cumprir-se e, no domingo de Páscoa, a festa do Motocross fez-se em Casais de Santo Quintino. Paulo Alberto, Alejo Peral, Tomás Gallardo e Iker González foram os vencedores à geral.

carlos.sousa@autolook.pt – Fotos: PEDRO ANTUNES PHOTOGRAPHY

Alejo Peral

O Campeonato Nacional de Motocross (CNMX) teve a segunda ronda do ano num dos seus mais clássicos palcos: o Crossódromo de Casais de Santo Quintino.

Como manda a tradição, o domingo de Páscoa voltou a ser completamente diferente em Casais de Santo Quintino, localidade que acolheu de braços abertos milhares de espectadores que, provenientes de norte a su do país, perante um bem recheado cartaz, viveram uma grande festa da modalidade.

Bernardo Pinto

Depois de Tarouca ter aberto as hostilidades há uma semana, o CNMX viajou à região do Oeste, mais propriamente ao Município de Sobral Monte Agraço, com uma nova lista de pilotos, num total de 133, divididos, como habitualmente, pelas classes de MX65, MX85, MX2/MX125 Júnior e MX1/MX Veteranos. Foram oito mangas cheias de ação ao longo do dia.

Tal como na primeira ronda, estiveram presentes, para além dos melhores valores nacionais, vários pilotos de topo que disputam o Campeonato de Espanha, casos de Gerard Congost (vencedor de MX1 em Tarouca), Eric Tomas, Samuel Nilsson, Alejo Peral (vencedor de MX2 há uma semana) e uma legião de jovens valores nas classes de 65 e 85.

Gui Gomes

GUI GOMES IMPLACÁVEL NAS MX85

Uma vez mais, coube às MX85 abrirem a liça, numa classe que, há uma semana em Tarouca, havia coroado o único vencedor português do dia, Guilherme Gomes. Também desta vez ‘Gui’ Gomes (KTM) começou cedo a afirmar o seu favoritismo, sendo desde logo o mais rápido nos treinos livres e cronometrados, sempre com vantagens superiores a 2 segundos para o seu perseguidor imediato.

Assim começou por ser também na manga inaugural, com o jovem piloto de Soure a assumir a liderança rapidamente e a cavar uma vantagem considerável para os seus perseguidores, liderados pelos espanhóis Tomás Gallardo (GasGas) e Thiago Rodríguez (Husqvarna), este último, atual campeão de MX65 e promissor rookie nas 85cc.

Iker González

No entanto, uma queda a meio da corrida fez Guilherme Gomes cair para o 3.º posto, encetando depois uma boa recuperação que, no entanto, não o faria subir posições, terminando no lugar mais baixo do pódio atrás de Gallardo e Rodríguez.

Mas, na segunda manga, Gui Gomes viria a tirar a desforra, somando uma vitória categórica frente a Gallardo (que vencia assim a geral) e Thiago Rodríguez, apesar de uma má partida que o chegou a fazer rodar em 11.º lugar.

Dinis Neto (KTM) e Joan Roman (GasGas) fecharam o top 5 à geral, seguidos por Nate dos Santos (KTM), Salvador Campino (Yamaha), Maria Inês (Husqvarna), Martim Alves (GasGas) e Duarte Marques (Yamaha).

Arranque sempre em alta performance

ESPANHÓIS DOMINARAM MX65

A classe de MX65, tal como sucedeu em Tarouca, voltou a ser feudo dos pilotos vindos do país vizinho. Na manga inaugural foi Noel Carracedo (GasGas) a fazer o holeshot e instalar-se na liderança, seguido dos seus compatriotas Marc Fernández (GasGas) e Enzo Outon (KTM). Mas, à segunda passagem, a corrida foi interrompida devido a ter sido verificado um problema na abertura da grelha que havia prejudicado alguns pilotos.

Dada nova partida, foi outro espanhol, Curro Serrano (KTM), o mais rápido na largada, acabando por ser superado por Marc Fernández e Iker González (KTM), que terminaram na frente por esta ordem, seguidos por Serrano, Carracedo e Outon, num top 5 completamente espanhol.

Paulo Felícia

Na segunda manga, o vencedor da manga inaugural esteve longe da luta pela vitória, que se travou entre Noel Carracedo e Iker González. Mas, quando estava prestes a ser superado por González, Noel Carracedo sofreu uma queda que o faria perder várias posições, com Enzo Outon a herdar o 2.º posto e o jovem açoriano Rodrigo Garcia a instalar-se num brilhante 3.º posto.

Refira-se que Rodrigo Garcia estreia-se nas MX65, apesar de ainda correr – e liderar – também na classe MX50, categoria em que ostenta o título de campeão. Iker González somaria nova vitória à geral, tal como havia sucedido em Tarouca, desta vez seguido por Marc Fernández, Enzo Outon, Rodrigo Garcia e Noel Carracedo.

Paulo Alberto

MX2/MX125 JÚNIOR EM FORTE POLVOROSA

Chegou a vez da corrida de MX2, que juntou as “dois e meio” (2T e 4T) de MX2 com as 125 2T da categoria MX125 Júnior, numa grelha que reuniu 35 pilotos. Gonçalo Cardoso (KTM) fez o holeshot, trazendo atrás de si Gilen Albisua (GasGas) e Tomás Santos (KTM).

Albisua cedo chegou ao comando, onde se manteve até ser alcançado pela Beta 2T do seu compatriota e vencedor da ronda de Tarouca, Alejo Peral, que se distanciou para vencer isolado na frente de Albisua, Tomás Santos, Vasco Salgado e Alex Almeida, estes últimos com Yamaha mas de motorizações diversas.

Tomás Gallardo

YZ250 2T para o piloto de Lisboa e YZ250F 4T para Almeida. Sandro Lobo (KTM) partiu mal e chegou a recuperar até ao 5.º posto, mas Alex Almeida recuperou a posição, com o bicampeão em título a perder ainda mais um lugar para Gonçalo Cardoso.

No 8.º posto, Duarte Pinto (Yamaha) venceu entre as MX125Jr., classe em que foi secundado pelo seu irmão Bernardo e por Leonardo Gaio, ambos também em Yamaha YZ125.

Na segunda manga, Gonçalo Cardoso voltou a mostrar-se um especialista nos holeshot (foi o seu terceiro consecutivo), mas desta vez foi Tomás Santos a chegar ao comando logo em seguida, também ele superado rapidamente por Gilen Albisua.

O espanhol da GasGas instalou-se no comando com determinação mas, atrás de si, Alejo Peral começava a galgar terreno, alcançando e superando o seu compatriota à 8ª passagem, na sequência de uma manobra agressiva em que Albisua não evitou mesmo uma queda, embora tenha segurado o 2.º posto.

Tomás Santos foi terceiro após mais uma grande corrida, terminando na frente de Sandro Lobo, Alex Almeida e Gonçalo Cardoso, com os quatro primeiros das MX125 Júnior a fecharem o top 10 pela seguinte ordem: Bernardo Pinto, Duarte Pinto, Gustavo Pitschieller e Leonardo Gaio, todos em Yamaha.

MX1/MX Veteranos

Na classe rainha, a segunda ronda voltou a ter uma lista de inscritos com qualidade e quantidade. Desta vez com nada menos que 49 presenças, o que obrigou a qualificar para a grelha em que alinham apenas os 40 melhores.

O vencedor da ronda de Tarouca, Gerard Congost (GasGas) voltou a marcar presença, bem como Eric Tomas (Yamaha), que acabou por não alinhar devido a uma lesão sofrida nos treinos, trazendo consigo o hispano-sueco Samuel Nilsson (Yamaha).

Entre as cores nacionais, destaques para Paulo Alberto (Yamaha), em plena forma após a gastroenterite que o impediu de correr na semana passada, o campeão em título, Luís Outeiro (Yamaha), que alinhava diminuído fisicamente após a lesão sofrida em Tarouca, o jovem Martim Palma, que estreou a nova Ducati Desmo450 MX com um pódio à geral em Tarouca.

Destaque ainda para o regressado e ex-campeão nacional, Sandro Peixe, filho de César Peixe que tinha desta vez a seu lado o filho de outra glória do MX nacional nos anos 90, Luís Oliveira, filho do campeoníssimo António Oliveira e atual líder do Nacional de Enduro, que aqui fazia uma “perninha” no Motocross.

A liderança da primeira manga foi sempre de Gerard Congost, que acabaria por vencer mesmo após o impressionante “forcing” de Paulo Alberto, que entusiasmou o público, a puxar por uma vitória portuguesa. Mas Congost segurou bem a vantagem e venceu com 1,6 segundos sobre o piloto de Leiria.

Enquanto isso, Samuel Nilsson carimbou o 3.º posto, que foi seu na maior parte da corrida, excetuando as voltas iniciais, em que Martim Palma ocupou aquela posição, até uma queda à terceira passagem o ter afastado da luta pelos primeiros lugares.

O 4.º posto foi para Luís Outeiro, a arrecadar pontos importantes nesta altura em que corre lesionado, à frente de Sandro Peixe e de dois ex-pilotos de MX convertidos ao Enduro, André Sérgio (Honda) e Luís Oliveira (Yamaha), este último a rodar nos lugares da frente na fase inicial da corrida após uma das suas habituais “partidas-canhão”.

O ucraniano Semen Nerush (Honda) foi 8.º classificado, à frente do melhor dos Veteranos, Paulo Felícia (TM), imparável nesta época de regresso ao MX. Segundo lugar nesta classe para outro endurista consagrado, Gonçalo Reis (KTM), seguido por José Montero (Kawasaki).

Na segunda manga, em que Samuel Nilsson não alinhou devido a problemas técnicos, foi Paulo Alberto a fazer o holeshot e a mostrar que, aos 36 anos, ainda está em plena forma para lutar por vitórias e títulos.

O piloto da Yamaha, que nessa mesma noite iria voar para o Brasil para disputar a primeira prova do campeonato brasileiro de MX no próximo fim de semana, decidiu levar uma boa recordação para a viagem.

Instalou-se no comando desde o baixar da grelha e não mais largaria essa posição, mesmo quando a situação se inverteu face à primeira manga e foi Congost e atacar forte na fase final da corrida.

Apesar de rodar com o espanhol a curta distância (cerca de 1,5 segundos), numa pista que já estava difícil neste final de dia e não permitia erros, Paulo Alberto controlou o seu adversário com mestria e deu uma grande alegria ao público, que puxou por si e assistiu assim à primeira e única vitória à geral de um piloto português nesta jornada do campeonato, logo na classe principal.

Luís Outeiro fez mais uma corrida em esforço para somar um positivo 3.º posto, dadas as condições, com Sandro Peixe em 4.º lugar e Luís Oliveira num excelente 5.º posto nesta sua passagem esporádica pela modalidade em que também já foi campeão.

Seguiram-se Martim Palma, André Sérgio, Ruben Luís e o vencedor dos Veteranos, novamente Paulo Felícia, com a melhor das motos elétricas, a Stark Varg de Daniel Pinto, a fechar o top 10.

Viveu-se mais um grande dia de Motocross em Casais de Santo Quintino, jornada que não seria possível sem o apoio da autarquia local e o esforço de todos os envolvidos, em particular a organização a cargo da Associação Desportiva de Cultura e Recreio de Casais de S. Quintino, a efetuar diversos melhoramentos na infraestrutura que serve esta grande clássica do MX nacional.

Segue-se agora uma pausa de cerca de um mês, com o Campeonato Nacional de Motocross a regressar a 3 de maio noutra pista histórica da modalidade no nosso país, o Circuito de Motocross da Cortelha.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *