WRC na Argentina a “saltar” para o Chile…

O WRC (Campeonato do Mundo da Ralis) volta a atravessar o Oceano Atlântico para cumprir uma dupla jornada na América do Sul, com o Chile a integrar pela primeira vez o calendário.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Thierry Neuville

Vencedor na Córsega e comandante do campeonato, o belga Thierry Neuville (Hyundai i20 Coupé WRC) chega ao país das pampas moralizado e apostado em aumentar a vantagem pontual sobre os seus perseguidores, mas vai ter contra si o facto de abrir a estrada no primeiro dia da competição, havendo a curiosidade de ver quanto tempo vai perder e se a diferença é recuperável.

O francês Sébastien Ogier (Citroen C3 WRC), único com duas vitórias (Monte Carlo e México) esta temporada, mas que nunca venceu a prova argentina, e o estónio Ott Tanak (Toyota Yaris WRC), vencedor da edição anterior e que ganhou, este ano, na Suécia, serão os seus mais directos opositores, com a sucessão do francês a ser discutida entre os três, uma vez que o quarto, o inglês Elfyn Evans (Ford Fiesta WRC), está já a 34 pontos do estónio, diferença pontual significativa quando estão cumpridas apenas quatro das 14 provas da temporada.

Sébastien Ogier

De assinalar que, na Hyundai, o norueguês Andreas Mikkelsen está de volta à equipa, depois de ter falhado a Córsega, e junta-se a Thierry Neuville e ao espanhol Dani Sordo, uma vez que o francês Sébastien Loeb desta feita ficou de fora, sabendo-se já que esta será a composição da marca sul-coreana em Portugal e na Itália (Sardenha), com o francês a só regressar ao campeonato na Alemanha e em Espanha (Catalunha).

A ESTRADA

A prova argentina centrada, como tem sucedido nos últimos dias em Vila Carlos Paz, localidade situada nos arredores da cidade de Córdoba, decidir-se-á em 18 provas de classificação, que totalizam 347,50 km.

Ott Tanak

A prova arranca na quinta-feira com a Super Especial de Vila Carlos Paz (1,90 km), para na sexta os concorrentes cumprirem uma dupla passagem pelas especiais de Las Bajadas/Villa del Dique (16,65 km), Amboy/Yacanto (29,85 km) e Santa Rosa/San Agustin (23,44 km), desenhadas na região de Calamuchita, com a Super Especial Parque Temático (6,04 km) a fechar a primeira volta.

No sábado, a segunda passagem pelo Parque Temático volta a separar as duas voltas pelas três especiais do dia: Tanti – Mataderos (13,92 km), Mataderos – Cuchilla Nevada (22,67 km) e Cuchilla Nevada – Chacarato (33,65 km), a classificativa mais extensa da prova, que tem por cenário a zona de Punilla

Elfyn Evans

No domingo, e para terminar, o palco passa para as montanhas de Traslasierra, com os sobreviventes a terem de enfrentar uma dupla passagem pela clássica Copina – El Condor (16,34 km), corrida em sentido contrário ao que tem sido habitual e que tem lugar a mais de 2100 metros de altitude, a segunda a funcionar como “Power Stage”, separadas pela prova de classificação de Mina Clavero – Giulio Cesare (20,30 km).

 

 

 

FICHA DA PROVA

Rali – XION Rally Argentina

Data – 25/28 de Abril

Organizador – ACA – Automóvil Club Argentino

Estrutura – 1 300,38 km divididos por quatro etapas: Vila Carlos Paz – Vila Carlos Paz (11,30 km); Vila Carlos Paz – Vila Carlos Paz (656,61 km); Vila Carlos Paz – Vila Carlos Paz (345,29 km); Vila Carlos Paz – Vila Carlos Paz (287,07 km)

PC – 18 (1 + 7 + 7 + 3)

Extensão das PC – 347,50 km (1,90 km + 145,92 km + 146,52 km + 53,16 km)

Percentagem das PC – 26,72 %

Inscritos – 27 (10 RC1, 9 RC2, 1 RC4, 7 ASN)

CLASSIFICAÇÕES DOS “MUNDIAIS”

PILOTOS – 1.º Thierry Neuville, 82 pontos; 2.º Sébastien Ogier, 80; 3.º Ott Tanak, 77; 4.º, Elfyn Evans, 43; 5.º Kris Meeke, 42; 6.º Esapekka Lappi, 26; 7.º Sébastien Loeb, 22; 8.º Dani Sordo, 16; 9.º Jari-Matti Latvala, 15; 10.º Teemu Suninen, 14; 11.º Andreas Mikkelsen, 12; 12.º Benito Guerra, 8; 13.º Gus Greensmith e Marco Bulacia Wilkinson, 6; 15.º Yoann Bonato e Pontus Tidemand, 4; 17.º Stéphane Sarrazin e Ole Christian Veiby, 2; 19.º Adrien Fourmaux, Ricardo Triviño e Janne Tuohino, 1.

NAVEGADORES – 1.º Nicolas Gilsoul, 82 pontos; 2.º Julien Ingrassia, 80; 3.º Martin Jarveoja, 77; 4.º Scott Martin, 43; 5.º Sebastian Marshall, 42; 6.º Janne Ferm, 26; 7.º Daniel Elena, 22; 8.º Carlos del Barrio, 16; 9.º Mikka Antilla, 15; 10.º Marko Salminen, 14; 11.º Anders Jaeger, 12; 12.º Jaime Zapata, 8; 13.º Elliot Edmondson e Fabian Cretu, 6; 15.º Benjamin Boulloud e Olá Floene, 4; 17.º Jacques-Julien Renucci e Jonas Andersson, 2; 19.º Renaud Jamoul, Mikko Markkula e Marc Marti, 1.

MARCAS – 1.º Hyundai Shell Mobis WRT, 114 pontos; 2.º Citroen Total WRT, 102; 3.º Toyota Gazoo Racing WRT, 98; 4.º M-Sport Ford WRT, 70.

OS VENCEDORES

Realizado em 1979, como prova candidata, o Rali da Argentina, que não teve lugar em 1982, entrou para o calendário do “Mundial em 1980 e vai ter na estrada a sua 39.ª edição, com os franceses Sébastien Loeb (piloto) e Daniel Elena (navegador) a somarem oito vitórias, entre 2005 e 2013, com excepção de 2010, ano em que a prova contou para o “Mundial” de duas rodas motrizes.

VENCEDORES DO RALLY DA ARGENTINA:

1980Rally Codadur Ultra Movil YPFWalter Rohrl/Christian GeistdorferFiat 131 Abarth
1981Rally CodasurGuy Frequelin/Jean TodtTalbot Sunbeam Lotus
1983Marlboro Rally ArgentinaHannu Mikkola/Arne HertzAudi Quattro A2
1984Malboro Rally Argentina YPFStig Blomqvist/Bjorn CederbergAudi Quattro A2
1985Rally of ArgentinaTimo Salonen/Seppo HarjannePeugeot 205 Turbo 16
1986Marlboro Rally ArgentinaMassimo Biasion/Tiziano SivieroLancia Delta S4
1987Marlboro Rally ArgentinaMassimo Biasion/Tiziano SivieroLancia Delta HF 4WD
1988Marlboro Rally ArgentinaJorge Recalde/Jorge Del BuonoLancia Delta Integrale
1989Rally ArgentinaMickael Ericsson/Claes BillstamLancia Delta Integrale
1990Rally ArgentinaMassimo Biasion/Tiziano SivieroLancia Delta Integrale 16V
1991Rally YPF ArgentinaCarlos Sainz/Luis MoyaToyota Celica GT-4
1992Rally YPF ArgentinaDidier Auriol/Bernard OccelliLancia Delta HF Integrale
1993Rally YPF ArgentinaJuha Kankkunen/Nicky GristToyota Celica Turbo 4WD
1994Rally YPF ArgentinaDidier Auriol/Bernard OccelliToyota Celica Turbo 4WD
1995Rally YPF ArgentinaJorge Recalde/Martin ChristieLancia Delta HF Integrale
1996Rally ArgentinaTommi Makinen/Seppo HarjanneMitsubishi Lancer III
1997Rally ArgentinaTommi Makinen/Seppo HarjanneMitsubishi Lancer IV
1998Rally ArgentinaTommi Makinen/Risto MannisenmakiMitsubishi Lancer V
1999Rally ArgentinaJuha Kankkunen/Juha RepoSubaru Impreza S5 WRC
2000Rally ArgentinaRichard Burns/Robert ReidSubaru Impreza S6 WRC
2001Rally ArgentinaColin McRae/Nicky GristFord Focus RS WRC 01
2002Rally ArgentinaCarlos Sainz/Luis MoyaFord Focus RS WRC 02
2003YPF Rally ArgentinaMarcus Gronholm/Timo RautiainenPeugeot 206 WRC
2004CTI Movil Rally ArgentinaCarlos Sainz/Marc MartiCitroen Xsara WRC
2005Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen Xsara WRC
2006Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen Xsara WRC
2007Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen C4 WRC
2008Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen C4 WRC
2009Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen C4 WRC
2010Rally ArgentinaJuho Hanninen/Mikko MarkkulaSkoda Fabia S2000
2011Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen DS3 WRC
2012Philips Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen DS3 WRC
2013Philips LED Rally ArgentinaSébastien Loeb/Daniel ElenaCitroen DS3 WRC
2014XION Rally ArgentinaJari-Matti Latvala/Mikka AntillaVW Polo R WRC
2015XION Rally ArgentinaKris Meeke/Paul NagleCitroen DS3 WRC
2016YPF Rally ArgentinaHayden Paddon/John KennardHyundai NG i20 WRC
2017YPF Rally ArgentinaThierry Neuville/Nicolas GilsoulHyundai i20 Coupé WRC
2018YPF Rally ArgentinaOtt Tanak/Martin JarveojaToyota Yaris WRC

NÚMERO DE VITÓRIAS

PILOTOS

8 – Sébastien Loeb

3 – Massimo Biasion, Tommi Makinen, Carlos Sainz

2 – Didier Auriol, Juha Kankkunen, Jorge Recalde

1 – Stig Blomqvist, Richard Burns, Mikael Ericsson, Guy Fréquelin, Marcus Gronholm, Jean Guichet, Juho Hanninen, Jari-Matti Latvala, Colin McRae, Kris Meeke, Hannu Mikkola, Thierry Neuville, Hayden Paddon, Wlater Rohrl, Timo Salonen, Ott Tanak

NAVEGADORES

8 – Daniel Elena

3 – Seppo Harjanne, Tiziano Siviero

2 – Nicky Grist, Luis Moya, Bernard Occelli

1 – Mikka Antilla, Claes Billstam, Bjorn Cederberg, Martin Christie, Jorge Del Bueno, Christian Geistdorfer, Nicolas Gilsoul, Arne Hertz, Martin Jarveoja, John Kennard, Risto Mannisenmaki, Mikko Markkula, Marc Marti, Paul Nagle, Timo Rautianen, Robert Reid, Juha Repo, Jean Todt

MARCAS

10 – Citroen (DS3 WRC, 4 ; Xsara WRC, 3 ; C4 WRC, 3)

7 – Lancia (Delta Integrale, 2 ; Delta HF Integrale, 2; Delta S4, 1 ; Delta HF 4WD, 1 ; Delta Integrale 16V, 1)

4 – Toyota (Celica Turbo 4WD, 2 ; Celica GT-4, 1 ; Yaris, 1)

3 – Mitsubishi (Lancer III, 1 ; Lancer IV, 1 ; Lancer V, 1)

2 – Audi (Quattro A2, 2); Ford (Focus RS WRC 01, 1 ; Focus RS WRC 02, 1); Hyundai (NG i20 WRC, 1; I20 Coupe, 1); Peugeot (205 Turbo 16, 1; 206 WRC, 1); Subaru (Impreza S5 WRC, 1 ; Impreza S6 WRC)

1 – Fiat (131 Abarth, 1); Skoda (Fabia S2000, 1); Talbot (Sumbean Lotus, 1); VW (Polo R WRC; 1)

O EVENTUAL REGRESSO DO SAFARI

Presente na primeira edição do WRC (Campeonato do Mundo de Ralis), no já distante ano de 1973, o Safari manteve-se no calendário até 2002, com excepção de 1994, o que perfaz um total de 29 edições daquele, que sempre foi, para muitos, a mais dura das provas da competição.

A vontade da FIA fazer regressar o WRC a África e a vontade do governo do Quénia de voltar a receber a competição faz com estejam a ser desenvolvidos esforços para que isso se torne uma realidade, estando agendada os dias 5, 6 e 7 de Julho a realização da prova candidata.

Michele Mouton, uma das responsáveis dos ralis da entidade federativa, deslocou-se ao Quénia para reconhecer o percurso proposto e apontou a necessidade de o tornar mais difícil para os pilotos, com os organizadores a revelarem levar as indicações da francesa no desenho do percurso da prova candidata.

Certo é que o regresso do Safari implicará a redução do percurso selectivo a 350 km, cerca de um terço daquele que foi percorrido em 2002.

De assinalar que a eventual entrada, em 2020, do Safari e do Japão, pela vontade de também ter uma prova na Ásia, vai levar a uma redução no número de provas europeias, as quais passam a estar “ameaçadas” pela saída do calendário do “Mundial”.

De pé, também, o regresso da Nova Zelândia, cuja última prova do campeonato teve lugar em 2012, por troca com a Austrália por o promotor não gostar do local que serve de base à prova australiana, com o argumento de ter escasso número de espectadores, e da organização não estar disponível para trocar de centro nevrálgico.

Uma situação que poderá permitir o regresso da Nova Zelândia ao calendário, cujo esboço deverá ser apresentado no Verão.

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