WRC arranca em Monte Carlo com muitas novidades

Campeonato abre com o tradicional Rali de Monte Carlo, de 22 a 27 de Janeiro, e termina a 17 de Novembro na Austrália, num calendário com misto de gravilha, asfalto, neve e gelo, através de quatro continentes.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

Como é tradicional, Monte Carlo abre o Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), num ano repleto de novidades a começar pelo número de provas que passa de 13 para 14, como consequência da entrada do Chile. Por causa disso, o Vodafone Rali de Portugal avançou para o primeiro fim-de-semana de Junho e passou a fechar a primeira metade da temporada. A segunda novidade prende-se com as mudanças na constituição das equipas, algumas delas verdadeiramente surpreendentes.

Vencedora do “Mundial” de Marcas, a Toyota viu partir o finlandês Esapekka Lappi para a Citroën e foi buscar o inglês Kris Meeke “despedido” pela marca francesa, depois o violento despiste sofrido em Portugal.

O estónio Ott Tanak e o finlandês Jari-Matti Latvala permanecem na estrutura dirigida por Tommi Makinen que vai ter muito trabalho, em particular, a nível psicológico para “segurar” os excessos, bem conhecidos do finlandês e do inglês ficando o estónio, como o valor mais seguro para levar para a marca nipónica o título mundial de pilotos.

Pontus Tidemand ingressou na M-Sport

Incapaz de encontrar, por parte da Ford, o apoio pedido pelo francês Sébastien Ogier, Malcolm Wilson, patrão da M-Sport, viu partir o campeão do mundo, de regresso à Citroën, e assegurou o concurso do sueco Pontus Tidemand, que se junta ao inglês Elfyn Evans e ao finlandês Teemu Suninen, ficando no ar a ideia que a marca da oval terá grandes dificuldades em vencer provas esta temporada.

Após ter deixado a Citroën, o campeão do mundo mudou-se para a VW e conquistou quatro títulos mundiais, com a marca alemã a fazer o “poker” entre os construtores, para mudar para a M-Sport, nos últimos dois anos, conquistando mais dois títulos, mas, este ano, não teve “escudeiros” que ajudassem a equipa a conservar o título de marcas conquistado em 2017, facto que podia ter permitido à Ford “abrir os cordões à bolsa” e dar a Malcolm Wilson as condições para conservar Sébastien Ogier.

Citroën que arranca para 2019 com limitações financeiras que a levam a ter em acção apenas dois carros, sendo um para o francês Sébastien Ogier e outro para o finlandês Esapekka Lappi.

Sébastien Loeb

Mas a maior novidade reside no facto do francês Sébastien Loeb, nove vezes campeão do mundo, que o ano passado fez três incursões (México, França e Espanha, aqui com vitória) no “Mundial” com a Citroën, marca à qual está profundamente ligado, surgir ao volante de um Hyundai i20 Coupé WRC, numa transferência que não se esperava.

O facto da Citroën não ter condições para ter o terceiro carro pode explicar a opção do francês contratado pela marca sul-coreana para ajudar à conquista do “Mundial” de Marcas.

O belga Thierry Neuville e o norueguês Andreas Mikkelsen juntam-se ao francês em Monte Carlo, estando por definir quem vai substituir Sébastien Loeb nas provas em que não alinhar, com o espanhol Dani Sordo e o neo-zelandês Hayden Paddon prontos para o fazer.

Como consequência da sua presença, Sébastien Loeb torna-se no principal candidato à vitória na prova, que já ganhou sete vezes, contra seis de Sébastien Ogier, com qualquer outro vencedor a inscrever o seu nome pela primeira vez no palmarés monegasco.

A ESTRADA

Tal como tem sucedido nos últimos anos, a partida será dada em Gap, na quinta-feira, com a caravana a permanecer ali até sábado, dia em ruma a Monte Carlo, para no domingo cumprir a etapa final.

A prova arranca com duas especiais nocturnas, La Bréole – Selonnet (20,76 km) e Avançon – Notre-Dame-du-Laus (20,59 km) que servem de aperitivo para o que se segue.

Na sexta-feira, os concorrentes cumprem uma dupla passagem por Valdrôme – Sigottier (20,04 km), Roussieux – Laborel (24,05 km) e Curbans – Piégut (18,47 km), para no sábado e antes de rumarem a Monte Carlo passarem duas vezes nas especiais de Agnières-en Dévoluy – Corps (29,82 km), a classificativa mais longa, e St-Léger-les-Mélèzes (16,87 km).

No domingo, com partida e chegada a Monte Carlo, cumprem-se as derradeiras quatro classificativas, uma dupla passagem por La Bollène-Vésubie – Peira-Cava (18,41 km), com o clássico Turini no traçado, e La Cabanette – Col de Braus (13,58 km), com a segunda passagem por esta última a funcionar como “Power Stage”.

FICHA DA PROVA

RALI DE MONTE CARLO

Data – 24 e 27 de Janeiro

Organizador – Automobile Club de Monaco

Estrutura – 1 366,43 km divididos por quatro etapas: Gap – Gap (127,27 km); Gap – Gap (457,06 km); Gap – Mónaco (557,52 km); Mónaco – Mónaco (224,58 km)

PC – 16 (2 + 6 + 4 + 4)

Extensão das PC – 323,83 km (41,35 km + 125,12 km + 93.38 km + 63,98 km)

Percentagem das PC – 23,69 %

Inscritos – 84 (12 RC1, 31 RC2, 10 RC3, 24 RC4, 5 RC5, 2 RGT)

WRC – OS VENCEDORES

SEBASTIEN LOEB COM 35 VITÓRIAS DE AVANÇO

Como consequência de ter ganho quatro dos 13 ralis efectuados o ano passado, o francês Sébastien Ogier reduziu para 35 (79-44) a diferença para o seu compatriota, Sebastien Loeb, no número de subidas ao lugar mais alto do pódio.

Situação idêntica se passa entre os navegadores, com o monegasco Daneil Elena a manter-se como o mais vitorioso à frente do francês Julien Ingrassia. Nas marcas, a Citroën continua a ser a que mais vezes triunfou (94), à frente da Ford (87)

De assinar que da lista de vencedores do WRC faz parte um piloto português, Joaquim Moutinho, vencedor do Rali de Portugal/Vinho do Porto, em 1986, como consequência do abandono das equipas depois do acidente de Joaquim Santos, na Lagoa Azul, com Edgar Fortes a ser o único português presente, entre os navegadores.

No arranque de mais um WRC registem-se os vencedores das provas que pontuaram para o respectivo campeonato.

PILOTOS

79 – Sebastien Loeb

44 – Sebastien Ogier

30 – Marcus Gronholm

26 – Carlos Sainz

25 – Colin McRae

24 – Tommi Makinen,

23 – Juha Kankkunen

20 – Markku Alen, Didier Auriol

18 – Jari-Matti Latvala, Hannu Mikkola

17 – Miki Biasion,

16 – Bjorn Waldegaard

15 – Mikko Hirvonen

14 – Walter Rohrl

13 – Petter Solberg

11 – Stig Blomqvist, Timo Salonen

10 – Richard Burns, Ari Vatanen

9 – Thierry Neuville

7 – Bernard Darniche, Sandro Munari, Gilles Panizzi

6 – Kenneth Eriksson, Ott Tanak

5 – Markko Martin, Kris Meeke, Shekhar Mehta, Jean Pierre Nicolas, Jean-Luc Therier

4 – François Delecour, Timo Makinen. Michele Mouton

3 – Jean Claude Andruet, Andreas Mikkelsen, Jean Ragnotti, Bruno Saby, Henri Toivonen

2 – Philippe Bulgaski, Ingvar Carlsson, Mkael Ericsson, Mats Jonsson, Kenjiro Shinozuka, Joginder Singh, Achim Warmbold

1 – Andrea Aghini, Pentti Airikkala, Alain Ambrosino, Ove Andersson, Fulvio Bacchelli, Bernard Beguin, Walter Boyce, Roger Clark, Gianfranco Cunico, Ian Duncan, François Duval, Per Eklund, Elfyn Evans, Tony Fassina. Guy Frequelin, Josef Haider, Kyosti Hamalainen, Harry Kallstom, Anders Kullang, Esapekka Lappi Piero Liatti, Joaquim Moutinho, Alain Oreille, Mads Ostberg, Hayden Paddon Raffaelle Pinto, Jesus Puras, Jorge Recalde, Harri Rovampera, Armin Schwarz, Dani Sordo, Patrick Tauziac, Franz Wittmann

NAVEGADORES

79 – Daniel Elena

44 – Julien Ingrassia

30 – Timo Rautiainen

24 – Luís Moya

20 – Seppo Harjanne, Ilka Kivimaki

18 – Arne Hertz

16 – Mikka Antilla, Bernard Occelli, Tiziano Siviero

14 – Jarmo Lehtinen, Juha Piironen

13 – Christian Geistdorfer, Risto Mannisenmaki, Phil Mills, Hans Thorszelius

10 – Bjorn Cederberg, Robert Reid

9 – Nicolas Gilsoul

8 – Derek Ringer

7 – Alain Mahe, Herve Pannizzi

6 – Terry Harryman, Martin Jarveoja

5 – Fred Gallagher, Denis Giraudet, Michael Park, Stafan Parmander, Fabrizia Pons

4 – Mike Doughty, Daniel Grataloup, Henry Liddon, Silvio Maiga, Paul Nagle, David Richards, Jean Todt

3 – Christian Delferrier, Mario Mannucci, Marc Marti

2 – Jean-Marc Andrie, Lars Backman, Claes Billstam, Per Carlsson, Jean-Paul Chiaroni, David Doig, «Biche», Jean-François Fauchille, Michel Gamet, Anders Jaeger, Jacques Jaubert, John Meadows, Juha Repo, Michel Vial

1 – Atso Aho, Claes-Goran Andersson, Jonas Andersson,  Daniel Barritt, Jochen Berger, Bruno Berglund, Arnaldo Bernacchini, Carlo Cassina, Sergio Cresto, John Davenport, Carlos Del Barrio, Jorge Del Buono, Peter Diekmann, Lofty Drews, Stefano Evangelisti, Sauro Farnocchia, Janne Ferm, Ola Floene, Edgar Fortes, Fred Hinterleitner, John Kennard, Vincent Laverne, Jean-Claude Lefebvre, Jean-Jacques Lenne, Daniel LeSaux, Kaj Lindstrom, Mauro Mannini, Jaakoo Markkula, Roman McNamee, Claude Papin, Jorg Pattermann, Stuart Pegg, Risto Pietilainen, Francesco Rossetti, Sven Smeets, Hans Sylvan, Gilles Thimonier, Pierre Thimonier, Martti Tukkanen, Paul White, David Williamson, Neil Wilson, Doug Woods

MARCAS

96 – Citroën (C4 WRC, 36; Xsara WRC, 32; DS3 WRC, 23; C3 WRC, 3 ; Xsara Kit Car, 2)

87  – Ford (Focus WRC, 40; Escort RS 1800, 17; Fiesta WRC, 9; Escort RS Cosworth, 8; Fiesta RS WRC, 6; Escort RS 1600, 4; Escort WRC, 2; Sierra RS Cosworth, 1)

74 – Lancia (Stratos, 17; Delta Integrale, 14; Delta Integrale 16V, 13; Delta HF 4WD, 11; Delta HF Integrale, 8; Rally, 6; Delta S4, 5)

50 – Toyota (Celica Turbo 4WD, 16; Celica GT4, 14; Celica Twincam, 6; ; Yaris WRC, 5; Corolla WRC, 4; Corolla, 2; Yaris WRC, 2; Celica, 1); Volkswagen (Polo R WRC, 44; Golf GTi 16V, 1)

48 – Peugeot (206 WRC, 24; 205 Turbo 16, 9; 205 Turbo 16 E2, 7; 504, 3; 307 WRC, 3; 504 V6 Coupé, 2)

47 – Subaru (Impreza WRC, 35; Impreza 555, 11; Legacy 4WD Turbo, 1)

34 – Mitsubishi (Lancer Evolution, 26; Galant VR-4, 6; Colt Lancer, 2)

24 – Audi (Quattro, 21; Sport Quattro, 2; 200 Quattro, 1)

21 – Fiat (131 Abarth, 18; 124 Abarth, 3)

10 – Hyundai (i20 Coupé WRC, 7; i20 WRC, 3)

9 – Datsun/Nissan (160 J, 3; Violet GT, 3; 240 Z, 1; Violet 710, 1; 2005 X, 1)

6 – Alpine-Renault (A110, 6); Opel (Ascona 400, 4; Ascona, 1; Kadett GSi, 1); Renault (5 Turbo, 3; 17 Gordini, 1; Maxi 5 Turbo, 1; 5 GT Turbo, 1)

4 – Saab (96 V4, 2; 99 EMS, 1; 99 Turbo, 1)

3 – Mazda (323 4WD, 3)

2 – BMW (2002 Tii, 1; M3, 1); Mercedes-Benz (450 SLC 5.0, 1; 500 SLC, 1); Porsche (911 Carrera, 1; 911 SC, 1); Talbot (Sunbeam Lotus, 2)

CALENDÁRIO

PORTUGAL FECHA PRIMEIRA PARTE

Como consequência da entrada do Chile, que faz a estreia no WRC, o número de provas passou para 14, com o Vodafone Rali de Portugal a fechar a primeira metade da temporada, que terminará na Austrália.

E se, este ano, as 13 provas efectuadas o ano passado, se mantêm no calendário tudo indica que, para o ano, haja uma remodelação profunda, uma vez que Turquia, Japão, China e Quénia estão a desenvolver esforços para entrarem no WRC, com todas elas a quererem recuperar um lugar que já foi seu, ainda que no caso das três primeiras as experiências não tenham sido muito positivas, enquanto no caso do Quénia, há vontade, em particular do presidente da FIA, Jean Todt, de regressar a um país que teve uma prova única, o Safari.

CALENDÁRIO PARA 2019

DATAPAISRALI
24/27 de JaneiroMónacoRallye de Monte Carlo
14/17 de FevereiroSuéciaRally Sweden
7/10 de MarçoMéxicoRally Guaajuato Corona Mexico
28/31 de MarçoFrançaCorsica Linea Tur de Corse
25/28 de AbrilArgentinaRally Argentina
9/12 de MaioChileRally Chile
30 de Maio/2 de JunhoPortugalVodafone Rally de Portugal
13/16 de JunhoItáliaRally Italia Sardegna
1/4 de AgostoFinlândiaNeste Rally Finland
22/25 de AgostoAlemanhaADAC Rally Deutschland
12/15 de SetembroTurquiaRally of Turkey
3/6 de OutubroInglaterraDayinsure Wales Rally GB
24/27 de OutubroEspanhaRally RACC Catalunya – Costa Daurada
14/17 de Nove,broAustráliaKennards Hire Rally Australia

 

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