Voluntários na montagem das corridas de Vila Real

Cerca de 800 pessoas, a maioria voluntários, ajudam a “montar” o Circuito Internacional de Vila Real, desempenhando tarefas como fiscalização da pista, apoio médico, assessoria ou distribuição de alimentos.

(auto.look2010@gmail.com)

“Acertem os relógios, isto vai arrancar”, é a frase que soará na comunicação de pista pelas 9h00 do dia 1 de julho e dará início à 51.ª edição do Circuito Internacional de Vila Real, que tem como prova rainha o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCR), no qual compete o piloto português Tiago Monteiro.

«A partir daí é a adrenalina que tudo isto envolve», afirmou Ana Sofia Soares, 29 anos, bióloga e investigadora na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e também voluntária no Clube Automóvel de Vila Real (CAVR). É assessora de imprensa no circuito, recebe jornalistas provenientes praticamente do “mundo inteiro” e a ligação às corridas surgiu de forma natural.

«Eu cresci a ouvir falar das corridas, quando cheirava a tílias cheirava a corridas», recordou, salientando que há em Vila Real uma «mística especial» à volta do circuito, que se estende pelas ruas da cidade. Estes dias que antecedem o circuito, que decorre entre 1 e 3 de julho, são de muito trabalho e poucas horas de sono. Dias em que se concilia o trabalho profissional com o voluntariado.

A organização junta o CAVR, a Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real (APCIVR) e o município, enquanto a ajudar a montar o “circo” estão, segundo dados da APCIVR, cerca de 800 pessoas. Eduardo Ferreira, diretor da prova, disse que «pelo menos 250» são voluntários ligados ao CAVR e à parte desportiva do evento. Este responsável contou que, em criança, começou por ajudar a colocar fardos de palha no antigo circuito citadino e, hoje, com 52 anos, assume-se um apaixonado pelas corridas e pelo CAVR.

«Sem o trabalho destes voluntários era impossível. O diretor de prova se falhar é uma tragédia, mas se o homem da buzina falhar é exatamente igual», salientou Eduardo Ferreira, referindo-se ao elemento que obrigatoriamente ficará à entrada das boxes a tocar uma buzina quando um carro entra.

Já Francisco Pereira juntou-se à organização do evento na década de 80 do século passado. Este serralheiro reformado, com 63 anos, é comissário de pista e chefe de posto. Terá a missão de sinalizar qualquer situação que ocorra dentro do circuito e as bandeiras que diz que não quer levantar são a amarela, que significa acidente, ou a vermelha, que para a corrida.

«Eu nasci no circuito, sou do tempo das corridas antigas e o bichinho ficou sempre. Ali, durante as corridas, sinto-me bem, sinto-me em casa», salientou, referindo que a adrenalina aumentou desde a realização do WTCR em Vila Real.

Joana Sousa, 30 anos, é psicóloga e participa pela primeira vez na organização do circuito, onde irá fazer a articulação com os pilotos: «Tento ajudar e estar o mais presente possível e em tudo o que é necessário», salientou a voluntária, que chegou ao clube por influência do namorado, mas ganhou o gosto pelas corridas e a sua envolvência.

Jorge Almeida, presidente do CAVR, reforçou que o papel dos voluntários é «primordial» e explicou que desempenham as mais variadas tarefas: comissários de pista, de box e de grelha, oficiais de prova, equipas médicas e de “extração”, com formação específica para retirar vítimas em carros acidentados, e ainda os elementos das viaturas “rescue”.

Mas há também muitos voluntários em trabalhos de logística e que, por exemplo, fazem a distribuição de alimentação e de água. As equipas são reforçadas com elementos de outros clubes do país.

Na APCIVR são 20 voluntários. Filipe Fernandes faz parte da associação e disse que, depois, a toda a organização acrescem ainda 110 agentes da PSP, à volta de 150 bombeiros, 130 seguranças, 80 elementos que estão de serviço à pista, e que, por exemplo, instalam e retiram “rails” e ainda funcionários do município.

Tem uma empresa e, a uma semana do arranque das corridas, o seu tempo é passado à volta das corridas: «É a semana de maior pressão, em que se instalam as últimas guardas de segurança do circuito, fecham-se as últimas ruas, montam-se as bancadas que ficam instaladas no meio da estrada, assim como os últimos contentores, os pneus e “chicanes”. Estamos a finalizar tudo», salientou.

O presidente do CAVR, Jorge Almeida, frisou que é «a paixão» que os une ao circuito e perspetivou «muita gente» a assistir, porque «há sede de corridas» depois do interregno de dois anos provocado pela pandemia da covid-19.

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