Volantes Peugeot: Dos simples aos multifunções

À primeira vista, desde o nascimento do automóvel, o volante é o órgão mecânico que menos evoluiu tanto na sua forma como na sua função. No entanto, nunca deixou de se transformar, nem tentou abandonar a sua forma circular.

(auto.look2010@gmail.com)

Originalmente muito simples e dedicado exclusivamente ao controlo da direcção, tornou-se gradualmente mais complexo. Aumentou em tamanho ao passar a integrar diferentes funções secundárias: alertas sonoros, comandos do rádio, comandos do controlo ou limitador de velocidade, passagens de velocidade através de um sistema de impulsos e airbags, entre outros. Os materiais usados também evoluíram significativamente, de uma estrutura inicial em madeira, passando depois para o aço, para o alumínio e adoptando, por fim, o magnésio.

Em 2012, o PEUGEOT 208 introduziu uma grande inovação na posição de condução ao lançar o PEUGEOT i-Cockpit®. Colocado ao centro do tríptico composto pelo touchscreene pelo head-up display, o volante torna-se mais compacto, sendo redesenhado para garantir uma melhor adaptação às mãos do condutor e, em simultâneo, ampliar o seu campo de visão e o espaço para as pernas. Continuando a evoluir, o PEUGEOT i-Cockpit® foi, entretanto, alargado a outros modelos da Marca sendo, à data, mais de seis milhões os utilizadores que abraçaram esta revolução, inédita no mundo automóvel.

UM POUCO DE HISTÓRIA

O primeiro volante para automóvel surgiu em Julho de 1894, no Panhard 4 CV de Alfred Vacheron, na corrida Paris-Rouen organizada por Pierre Giffard, jornalista do “Le Petit Journal”, um jornal diário parisiense publicado entre 1863 e 1944. Mais do que uma competição, foi um grande golpe publicitário para uma invenção então recente: o automóvel. De Paris a Rouen, numa viagem de 100 quilómetros, os veículos locomovidos por um motor de explosão iriam demonstrar a sua resistência.

Equipados com guiadores, os modelos PEUGEOT, de 2 velocidades e 4 cilindros, assemelham-se a carruagens motorizadas. Noutros veículos, os passageiros estão posicionados em lugares opostos, como numa carruagem. Por todo o mundo, os construtores estavam empenhados em distanciar-se do tradicional conceito de veículo puxado por cavalos.

Mais de 100 veículos equipados com diferentes motorizações – a vapor, óleo, gás, eléctricos, a ar comprimido, a pedais, etc – participam nesta corrida. Apesar da verdadeira inovação tecnológica representada pelo volante, Alfred Vacheron e o seu Panhard 4 CV terminariam no 4.º lugar final, enquanto o Panhard & Levassor e os filhos dos irmãos PEUGEOT, em carros equipados com guiador, conquistavam, ex-aequo, o 1.º lugar.

Progressivamente, o volante vai substituindo a barra de direcção então utilizada para controlar a direcção dos veículos da época. Tecnologicamente, o automóvel libertou-se do seu parente directode tracção animal, as carruagens puxadas por cavalos. Neste sentido, em 1901, o PEUGEOT Type 36 já se diferenciava dos modelos anteriores, montados com base em carruagens motorizadas. O Type 36apresenta duas grandes inovações: um capot de motor na frente e… um volante no lugar do guiador.

VOLANTE COMO BASE DA INOVAÇÃO DA PEUGEOT

O “volante direccional” refere-se à peça mecânica destinada a controlar as rodas de um veículo, sendo parte integrante do sistema de direcção que o condutor opera. Os pioneiros do mundo automóvel concluíram ser, de facto, mais fácil para o condutor controlar a direcção de um automóvel com um volante circular, em vez de uma barra ou de um guiador.

O seu formato redondo permite-lhe ter uma melhor pega durante a sua rotação, mas também uma melhor desmultiplicação do esforço necessário para virar as rodas do veículo. O volante também pode ser acoplado a uma direcção assistida de baixa velocidade para facilitar sua rotação durante as manobras.

O volante continua a ser um produto arquitectónico, cujo design é limitado pelas exigências de visibilidade do painel de instrumentos, pela legibilidade dos pictogramas impressos nos controlos sob o volante, pela boa difusão do ar emanado pelas saídas da ventilação e por outros imperativos ergonómicos, mas tornar-se-ia num suporte para outras inovações.

No início da década de 1990, a generalização dos airbags e da direcção assistida, por exemplo, alterou o paradigma que estava até então reservado ao volante. Além da função direccional, o volante torna-se multifuncional e, gradualmente, vai passando a incorporar outros equipamentos, neste caso de segurança passiva, não directamente relacionados coma a sua função primária, que é controlar a direcção das rodas.

Essas inovações também se mostram na evolução dos próprios materiais utilizados na concepção dos volantes. As técnicas de espuma e a granulação do couro como revestimentos marcam a subida em gama da PEUGEOT. O volante com revestimento em espuma está reservado para as versões de acesso à gama, enquanto o couro pleinefleuré apanágio das versões superiores.

Na sua diversidade, o volante oferece outros detalhes dessa subida em gama: o seu formato (com zonas de apoio para os polegares, um aro aplanado na secção inferior ou a adopção de couro perfurado), oferecendo uma sensibilidade adicional ao toque; a adopção de granulados (GTi, GT-Line) ou de costuras coloridas conferem-lhe uma imagem desportiva, reforçada pela presença das “patilhas” para controlo das passagens de caixa, herança dos modelos de competição.

De facto, o desporto automóvel é frequentemente uma antecâmara da inovação tecnológica ou da sofisticação. À imagem do PEUGEOT 908, que tem todos os seus comandos agrupados no volante, os volantes dos veículos de produção em série da PEUGEOT adoptam hoje os mesmos princípios. Dependendo dos níveis de acabamento, os comandos do rádio, do controlo de velocidade de cruzeiro, ou mesmo dos telemóveis, estão integrados nos braços do volante.

A PEUGEOT foi ainda mais longe em termos de inovação ao oferecer um interior revolucionário na Fase 1 do PEUGEOT 208, em 2012, construído em torno de um volante compacto, portanto, de menores dimensões, um touchscreen e um head-up display: o PEUGEOT i-Cockpit. Sendo um elemento central do sistema, o volante compacto facilita asua utilização e reforça as sensações de condução.

Como a abertura de braços é menor, a amplitude de movimentos durante as manobras foi, igualmente, reduzida, permitindo aumentar a rapidez e a agilidade do condutor, proporcionando-lhe uma posição de condução mais relaxada.

Difundido por toda a gama – integra as actuais gamas dos modelos PEUGEOT 208, 2008, 308, 3008, 5008, 508, Rifter e Partner) – o PEUGEOT i-Cockpit continua a evoluir. Em 2016, com o lançamento do SUV PEUGEOT 3008, o volante tornou-se ainda mais compacto. Redesenhado com um aro com duas zonas planas, passou a proporcionar uma melhor pega, ao mesmo tempo que libertou, ainda mais, o campo de visão do condutor e o espaço para as suas pernas.

Com a PEUGEOT a continuara trabalhar na inovação e evolução do conceito através da introdução doi-Cockpit3D, lançado em 2019 nos novos PEUGEOT 208 e SUV 2008, esta revolucionária e exclusiva posição de condução atraiu, até à data, perto de 6 milhões de condutores em todo o mundo. O PEUGEOT i-Cockpit e o seu emblemático volante compacto tornaram-se, assim, pilares do ADN da marca.

Em última análise, estes desenvolvimentos respondem a uma ambição simples: proporcionar uma resposta técnica ao design de interiores, numa visão estilística do futuro, ao mesmo tempo que elevam a segurança passiva ao melhor patamar, através da integração de tecnologias avançadas e compatíveis em todo o mundo, qualquer que seja o destino do veículo.

O VOLANTE TENDERÁ A DESAPARECER COM OS VEÍCULOS AUTÓNOMOS?

Em 2014, o “Google-Car” lançou a tendência para um automóvel 100% autónomo, cuja particularidade era a ausência de volante e de controlos para acelerador e travões. Um simples botão, alojado no tabliet, forçava o veículo a parar.

Em Julho de 2015, o Groupe PSA lançou o seu programa AVA (Autonomous Vehicle for All) (Veículo Autónomo para Todos) e tornou-se no primeiro construtor a testar o automóvel autónomo em estrada aberta, em França. Este programa, simples e intuitivo, reúne uma ampla gama de funções que, gradualmente, levarão à delegação parcial, e depois total, da condução ao automóvel, se o condutor assim o desejar.

Estão previstos vários modos de condução, com os graus de automação do veículo autónomo classificados em 5 níveis pela OICA (Organização Internacional dos Construtores de Automóveis), de acordo com o seguinte escalonamento:

  • Nível 1 “Handson” (com mãos): o condutor deve manter as mãos no volante.
  • Nível 2 “Handsoff” (sem mãos): o condutor pode fazer outras coisas para além de conduzir, mas deve supervisionar a condução em permanência, afim de poder recuperar o controlo instantaneamente.
  • Nível 3 “Eyesoff” (sem vigilância visual): o condutor deixa de estar obrigado a supervisionar a condução de forma permanente, mas deve estar em condições de recuperar o controlo.
  • Nível 4 “MindOff” (sem necessidade de preocupação): o condutor deixa de precisar de recuperar o controlo do veículo.
  • Nível 5 “Driverless”: condução 100% autónoma, sem condutor.

Actualmente, as funções de ajuda à condução dos Níveis 1 e 2, do programa AVA, estão já disponíveis em alguns modelos da gama PEUGEOT. Por exemplo:

  • Alerta Activo de Transposição Involuntária de Faixa (AFIL): efectua uma correcção de trajectória ao contrariar progressivamente o movimento do volante, de modo a manter o veículo na sua faixa inicial.
  • Full Park Assist: no novo PEUGEOT 208 oferece uma assistência activa ao estacionamento, ao assumir automaticamente o controlo dos sistemas de direcção, aceleração e travagem, para entrar ou sair de um espaço de estacionamento.
  • Alerta de Atenção do Condutor: avalia o estado de vigilância do condutor, ao identificar os desvios de trajectória em relação às marcações no piso, detectando a presença das mãos no volante.

Em 2018, a PEUGEOT desvendou o concept e-LEGEND no Salão de Paris, um manifesto tecnológico ao serviço do prazer automóvel e da experiência a bordo de um veículo autónomo. Tecnológico, ultra-conectado, inteligente e atractivo, o PEUGEOT e-LEGEND oferece um novo “Responsive i-Cockpit”, conceito desenvolvido a partir do PEUGEOT i-Cockpit® característico dos actuais modelos da marca.

É composto por auscultadores de3 pontos e um volante ultracompacto que desliza sob a barra de som, libertando, por completo um grande ecrã de 49 polegadas. Os ocupantes podem, assim, entregar-se aos seus passatempos favoritos, com o vídeo games integrados ou a assistir a um filme.

A condução autónoma exigirá uma mudança na utilização do automóvel. Se hoje é perfeitamente possível ter um volante que é assimilado pelo tabliet, a pedido do condutor, de modo a criar mais espaço, seguir-se-á o Nível 5 em que, ainda que estando muito longe, será possível fazer tudo sem necessidade de um volante.

Como os amantes de música que adoram os discos de vinil, no futuro identificaremos os apaixonados por automóveis pelos seus automóveis equipados com um volante. Serão os novos “cavaleiros solitários, heróis dos tempos modernos”, à semelhança do personagem Michael Knight aos comandos do “KITT”,da popular série de TV “O Justiceiro”.

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