Toyota sem oposição nas 24 Horas de Le Mans

A marca nipónica conseguiu hoje a “dobradinha” na mítica prova disputada em solo francês, com o argentino José Maria Lopez, o britânico Mike Conway e o japonês Kamui Kobayashi a der a primeira vitória dos “hypercarros” à marca nipónica, quarta consecutiva na mais icónica das provas de resistência na Europa. Já os três portugueses presentes nesta 89.ª edição enfrentaram dificuldades que os atrasaram na classificação.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Trio vencedor da Toyota: Mike Conway, Kamui Kobayashi e Jose Maira Lopez

Como se esperava a edição 2021 das 24 Horas de Le Mans não teve história, com a Toyota a somar mais uma vitória, a quarta consecutiva, com o inglês Mike Conway, o japonês Kamui Kobayashi e o argentino Jose Maira Lopez a inscreverem os seus nomes na lista de vencedores da mítica prova francesa.

O começo não foi o melhor para a marca nipónica que viu o suíço Sébastien Buemi atrasar-se, logo nas primeiras curvas, em consequência de um “toque” de um adversário, mas depressa a marca nipónica colocou os seus carros nas duas primeiras posições, com o carro vencedor a parar menos quatro vezes que o seu seguidor, o que ajuda a explicar as duas voltas de atraso com que terminaram a corrida.

A Alpine garantiu o terceiro lugar, à frente dos dois carros da Glickenhaus, cujo primeiro carro terminou a pouco mais de oito segundos do carro francês, o que garantiu a emoção até aos derradeiros instantes na luta pelo derradeiro lugar do pódio, com os Hypercars, apesar de alguns problemas, a garantirem as cinco primeiras posições.

Toyota Gazoo Racing vencedora em Le Mans

A chuva, que caiu durante grande parte da primeira metade da corrida, e que levou a que a partida fosse dada atrás do “Safety Car”, que só saiu da pista ao fim da terceira volta, provocou inúmeros despistes e várias situações de “Full Course Yellow” (tudo o traçado em situação de bandeiras amarelas) e de “Slow Zone” (bandeiras amarelas em determinados locais).

Para os portugueses, depois do 1-2 alcançado o ano passado por Filipe Albuquerque e António Félix da Costa, a expectativa era grande, pois as suas equipas integravam o lote de favoritos à vitória entre os LMP2, mas acabaram por ter uma presença discreta na corrida.

Autor do melhor tempo nos treinos na categoria, António Félix da Costa, arrancou de sexto, atrás do cinco Hipercars, fez um turno de condução excelente, face às dificuldades de aderência, e entregou o carro ao inglês Anthony Davidson, no comando da categoria, com uma vantagem confortável sobre o seu mais directo perseguidor.

António Félix da Costa

Só que o inglês “assustou-se” com o pião feito, à sua frente, por um adversário, e “plantou” o carro na gravilha da escapatória, com a equipa perder muito tempo e a “afundar-se” na classificação para terminar em oitavo entre os LMP2.

«Claro que estamos tristes porque sentimos desde o inicio que tínhamos carro e andamento para lutar pela vitória, mas Le Mans é isto mesmo, alegrias, desilusões, suor, lágrimas, uma corrida única que todos querem ganhar e que tem um sabor especial. Do nosso lado fica a certeza que demos tudo, nunca deixámos de lutar, mesmo com o problema que nos fez perder sete voltas. Esta é uma corrida que quero muito ganhar e sem dúvida voltarei em 2022 para lutar por este sonho. Agradeço à equipa JOTA o excelente trabalho que fizeram, mecânicos, engenheiros e todo o staff, aos meus colegas de equipa que mantiveram um espirito de luta incrível ao longo de toda a corrida, e por fim, aos portugueses, que me apoiaram sempre muito ao longo de todo o fim-de-semana», referiu António Félix da Costa no final.

Filipe Albuquerque

Para Filipe Albuquerque as coisas começaram a correr mal logo na qualificação, quando viu a sua volta de qualificação, que lhe podia dar uma das primeiras posições da grelha entre os LMP2, ser “estragada” pelo tráfego e pela bandeira vermelha, o que obrigou a equipa a largar bem mais atrás do que pretendia.

Durante a corrida a situação melhorou, a equipa chegou a estar em posição de discutir a vitória, mas um problema com o alternador, quando Filipe Albuquerque estava preparado para reentrar em acção, obrigou a uma longa paragem e a equipa acabou por terminar num discreto 18.º lugar da categoria.

Filipe Albuquerque em Le Mans no conforto da família

«Não é fácil digerir estas coisas. Saímos para a corrida de uma posição complicada e com condições atmosféricas adversas. Fomos gradualmente subindo posições na tabela, chegámos a liderar a prova entre os LMP2 e quando estávamos confortavelmente na terceira posição e ainda com mais de 10 horas de competição pela frente, o alternador dá problemas. Fomos forçados a meter o carro nas boxes para reparar o problema. Logo aí soubemos que a nossa corrida tinha chegado ao fim», explicou o piloto de Coimbra.

Filipe Albuquerque tem consciência que «as corridas são assim mesmo». «Uma vezes ganhamos e outras vezes perdemos. Foi uma pena, porque o nosso carro estava a andar muito bem, mas são situações que não conseguimos controlar. Agora é olhar para a frente e pensar na próxima», concluiu o piloto da United Autosports, 40.º da geral.

Foi “dramático” o final da corrida entre os LMP2, com o Oreca do chinês Yefei Ye, do francês Louis Deletraz e do polaco Robert Kubica, que parecia ter a vitória na mão, a ficar parado na derradeira volta, o que permitiu que fosse o Oreca do holandês Robin Frijns, do austríaco Ferdinand Habsburg e do francês Charles Milesi a vencer a categoria.

Menos sorte teve o terceiro português, Álvaro Parente, que viu o Porsche 911 RSR, cuja condução partilhava com os belgas Maxime Martin e Dries Vanthour arrancar da “pole” entre os GTE Pro, com Maxime Martin a não evitar um pião logo nos primeiros metros, o que o atrasou, mas a equipa não chegaria ao fim, sendo obrigada a renunciar ao início da manhã, com uma avaria na caixa de velocidades.

«Como já esperava, estávamos sem andamento para poder acompanhar os nossos adversários. Demos o máximo enquanto estivemos em prova, fiz bons “stents”, mas era impossível ir mais além. Face ao cenário em que estávamos, terminar teria sido um bom prémio para todos na equipa, mas acabámos por ter de abandonar», explicou Álvaro Parente.

Classificação – 1.º, Mike Conway/Kamui Kobayashi/Jose Maria Lopez (Toyota GR 010), 371 voltas; 2.º, Sébastien Buemi/Kazuki Nakajima/Brendon Hartley (Toyota GR 010), a 2 voltas; 3.º, André Negrão/Nicolas Lapierre/Mathieu Vaxiviere (Alpine A480), a 4 voltas; 4.º, Luis Felipe Derani/Franck Mallieux/Olivier Pla (Glickenhaus 007), a 4 voltas; 5.º, Ryan Briscoe/Richard Westbrook/Romain Dumas (Glickenhaus 007), a 7 voltas; 6.º, Robin Frijns/Ferdinand Habsburg/Charles Milesi (Oreca 07) (1.º LMP2), a 8 voltas; 7.º, Sean Gelael/Stoffel Vandoorne/Tom Blomqivst (Oreca 07), a 8 voltas; 8.º, Julien Canal/Stevens Will /James Allen (Oreca 07), a 9 voltas; 9.º, Paul Di Resta/Alex Lynn/Wayne Boyd (Oreca 07), a 10 voltas; 10.º,Jakub Smiechowski/Renger Van den Zende/Alex Brundle (Oreca), a 11 voltas; …; 13.º, Roberto Gonzalez/António Félix da Costa/Anthony Davidson (Oreca 07), a 13 voltas; …; 40.º, Philip Hanoen/Fabio Scherer/Filipe Albuquerque (Oreca 07), a 43 voltas; …; 49.º, Dries Vanthoor/Álvaro Parente/Maxime Martin (Porsche 911 RSR), a 144 voltas.

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