“Título de FE é a maior conquista da carreira”

António Félix da Costa (DS Techeetah) considera que o título conquistado na semana passada no Campeonato de Fórmula E, para carros eléctricos, é a «maior conquista» da sua carreira. O piloto português olhou também para a possibilidade de Portugal vir a acolher uma corrida do campeonato.

(auto.look2010@gmail.com)

O piloto de Cascais recorda as duas vitórias em Macau em Fórmula 3, mas admite que o título de Fórmula E as supera: «Os grandes prémios de Macau que venci foram, de facto, muito grandes e a felicidade que senti foi muito alta, mas este campeonato de Fórmula E chega a bater isso. O esforço, a dedicação, os anos que demorei a colocar-me na posição de conseguir ganhar… é o melhor resultado da minha carreira até agora», diz o piloto de Cascais.

António Félix da Costa revela que sentiu algumas dificuldades de adaptação ao DS após seis anos com um BMW, mas, no final, o esforço compensou: «Ingressar numa equipa nova é sempre complicado. Estive seis anos na BMW, conhecia a equipa toda, os cantos à casa. O carro foi desenhado por mim na BMW. No início, não estava a acertar com as qualificações, não tinha ainda a confiança no carro. Mas, com o tempo e com trabalho, conseguimos aperfeiçoar essa fase, o que tornou a nossa vida mais fácil», frisa o piloto em entrevista à Agência Lusa.

O piloto de 28 anos acredita que a próxima temporada «vai ser muito complicada». «Esta equipa é campeã há três anos e toda a gente nos vai querer bater», sublinha o piloto português. Nas últimas corridas do campeonato, saltou à vista alguma tensão no relacionamento com o companheiro de equipa, o francês Jean-Eric Vergne, que era o bicampeão da categoria.

«É um piloto ganhador, que quer ser campeão. Não me ajudou, mas também não me prejudicou. Não me tratou pior do que trataria qualquer outro piloto. Mas já estava à espera, pelo que não foi uma surpresa», declara António Félix da Costa.

Quanto à possibilidade de Portugal vir a acolher uma corrida do campeonato, revela que já existiram conversações entre os responsáveis da categoria e a Câmara de Lisboa.

«Há essa vontade. Sei que há coisas a acontecer, Portugal está no mapa, mas a Fórmula E está a crescer de uma forma incrível, tem 20 países à espera para entrar no campeonato. Pode ser que com este título se desperte um pouco mais esse interesse e haja mais vontade», atira.

O carro que deu o título ao piloto luso é já de segunda geração: «É um carro 100% eléctrico. A forma como a potência chega às rodas é incrível, tens um binário instantâneo e muito consistente. Não precisas de mudanças, o motor eléctrico está sempre pronto para o seu nível máximo», explica, abrindo a porta «a uma terceira geração», que deverá surgir «dentro de dois anos». «Terá quatro motores e o dobro da potência. Actualmente temos cerca de 370 cavalos», revela.

Anda assim, muito longe da potência da Fórmula 1, que ficou como um espinho atravessado na garganta. Mas António Félix da Costa garante que já ultrapassou a desilusão e já não pensa nisso.

«Já estou velho. Os miúdos que estão na calha têm todos 21, 22 anos. O meu foco já não está aí», frisa. Agora, o próximo objectivo passa pelas 24 Horas de Le Mans.

«Acho que se tivermos cabeça e minimizarmos os erros, podemos fazer um pódio», conclui.

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