Tiago Monteiro à conversa com a Eleven Sports

Portuense abordou a sua carreira de piloto, falou sobre Michael Schumacher, o pódio no GP dos EUA, a Ferrari e Lewis Hamilton, e a eventual saída de Vettel do “Grande Circo”. Uma conversa exclusiva à Eleven Sports. A entrevista completa pode ser vista aqui.

(auto.look2010@gmail.com)

Tiago Monteiro foi o convidado especial de mais um F1 Eleven 1:1, tendo estado à conversa com Duarte Félix da Costa, em directo, no Instagram da Eleven Sports. Durante cerca de 55 minutos, o portuense, de 43 anos, que é até à data o único piloto português a ter subido ao pódio na Fórmula 1, recordou diversas histórias e etapas da sua carreira.

Referindo-se à carreira como piloto, Tiago Monteiro, que competiu em categorias tão diferentes como F3, Champ Car, F1 ou o World Touring Car Championship (WTCC) não hesitou em concluir que «não há um piloto profissional que tenha tido uma carreira fácil, não existe, dado ser sempre uma luta muito grande».

Foi ao volante de automóveis que o piloto português de destacou, ainda que tenha referido que a sua «paixão começou pelas duas rodas e só mais tarde é que percebi que nos carros é que me sentia mesmo bem».

Sobre o antigo chefe de equipa da Benetton F1 e Renault, Tiago Monteiro referiu que «Flavio Briatore foi meu “manager” um ano e era muito pragmático, muito agressivo nas tomadas de decisões e muito confiante, sabia muito bem o que queria».

Em 2005 o piloto português alcançou o terceiro lugar no GP dos EUA. Sobre esse momento histórico recordou que «o pódio na F1 foi épico, ainda hoje em dia, todos os anos falam disso e pedem-me entrevistas porque foi um pódio muito atípico».

Este Grande Prémio ficou marcado pela desistência de 14 pilotos que não participaram devido a problemas com os pneus. Quanto a esta questão Tiago Monteiro concluiu: «Eu não me sinto mal por terem estado apenas seis carros à partida da corrida do meu pódio nos EUA. Estávamos lá para fazer o nosso trabalho e agarrámos a nossa oportunidade. Tenho muito orgulho nesse feito».

Nessa corrida dos EUA arranquei bem e entrei em modo qualificação, não pensei na mecânica, foi atacar ao máximo nas primeiras 30 voltas para tentar fugir dos meus rivais. Nas últimas 10 voltas comecei a ter um alarme de temperaturas. Foram as 10 voltas mais difíceis da minha carreira, pois comecei a ter a primeira visão do pódio, mas ouvia barulhos em todo o lado do carro. Foi difícil manter a concentração até ao final», sublinhou.

No final da corrida Tiago Monteiro recorda que quando saiu do carro, «o David Warren veio ter com os três primeiros e pediu-nos para não festejarmos em demasia no pódio». «Mas ainda antes do pódio o Schumacher e o Rubinho pegaram-me ao colo, o Michael até me levantou ele próprio e disse-me para aproveitar bem aquele momento que era fantástico».

Recordando a chegada ao pódio, Tiago Monteiro confessou: «Olhei lá para baixo e vi 80 mecânicos e engenheiros da Jordan todos a chorar. Não aguentei e comecei a festejar, não seguindo as recomendações do David Warren».

Sobre Michael Schumacher, Tiago Monteiro referiu que teve «várias conversas com o Michael, houve uma altura que viajámos juntos e falámos bastante». «Desde este momento ficámos com uma relação diferente pois partilhámos um pódio atípico e ele ficou curioso sobre o meu passado e como tinha chegado até á F1. Só temos uma vida, só uma oportunidade para vencer. Isto passa tudo muito rápido», sustentou.

Ainda sobre o piloto alemão, Tiago Monteiro referiu que «Schumacher era muito mais aberto do que parecia». «A imagem que temos dele, era uma protecção que ele se viu obrigado a criar por causa dos resultados dele e dos inimigos que foi criando. Ele teve de ser duro, agressivo e até mesmo mau para chegar onde chegou».

O piloto português, que sofreu um acidente, numa sessão de testes em Barcelona, recordou que «quando foi o meu acidente há dois anos e meio, a quantidade de mensagens de apoio que recebi por parte de pessoas da F1 foi incrível. Algumas que convivi directamente e, outras, mal conhecia, mas que se lembraram de mim».

Sobra a situação que se vive na actualidade na Fórmula 1, Tiago Monteiro retorquiu que «a jogada da Ferrari trocar o Vettel pelo Sainz foi surpreendente, não estou a dizer que foi boa ou má, mas foi surpreendente e vem mexer com tudo e com o que eu tinha na minha cabeça para o mercado».

Quanto à possibilidade de Lewis Hamilton poder mudar-se para a Ferrari, Tiago Monteiro referiu que «todos têm o sonho de um dia guiar pela Ferrari e acho que o Hamilton não é excepção». «Não vai ser já em 2021, mas pode ser depois mais tarde», argumentou.

Referindo-se a Sebastian Vettel, Tiago Monteiro foi peremptório na resposta: «Acho que o Vettel pode decidir por parar ou, pelo menos, tirar um ano sabático. Trata-se de uma pessoa muito de família e pouco presente nas redes sociais e tem estado pouco motivado nos últimos anos. Não é o mesmo Vettel de outros tempos».

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