Thank you Mr. Wilson!

Malcom Wilson é, muito provavelmente, um dos maiores responsáveis pelo sucesso do WRC actual.

Embora tenha tido uma carreira meritória como piloto, onde se contam 3 títulos britânicos e diversas participações oficiais no WRC (primeiro com a Opel e depois com a Ford), foi como director técnico da M-Sport que o inglês mostrou todo o seu potencial.

O seu desempenho na preparação dos Escort Cosworth para pilotos privados no início da década de 1990, ainda através da Malcolm Wilson Motorsport, conduziu-o a diversos títulos nacionais, como o de Portugal em 1995 com Fernando Peres.

Não foi, pois, de estranhar que em 1997 tivesse assumido a responsabilidade da representação a Ford no WRC, inicialmente com um ultrapassado Escort, na sua versão WRC, e depois com o novíssimo Focus e a milionária contratação de Colin McRae.

Desde então passaram pela estrutura inglesa pilotos como Carlos Sainz, Juha Kankkunen, Ari Vatanen, Colin McRae, Markko Martin, Marcus Gronholm, Mikko Hirvonen, Jari-Mati Latvala, Peter Solberg, Thierry Neuville, Ott Tanak e Sebastien Ogier, entre muitos outros.

Conquistou 3 títulos de construtores (2006, 2007 e 2017) e 2 de pilotos (2017 e 2018) e mesmo quando o apoio da Ford foi menor do que o desejado, Malcom Wilson mostrou a sua liderança visionária, construindo e vendendo centenas de Fiestas S2000 e R5 que lhe permitiram suportar o investimento da equipa no campeonato principal.

Quando a VW decidiu abandonar o campeonato, no final de 2016, o inglês mostrou mais uma vez a sua maestria, ao reunir os apoios necessários para trazer o campeão Ogier para as suas fileiras.

E se dúvidas houvesse quanto à importância do britânico no WRC actual, basta notar que dos 12 pilotos oficiais, 9 já passaram na M-Sport! Da Hyundai, Neuville, Mikkelsen e Sordo. Da Toyota, Tanak e Latvala. Da Citroën, Ogier. E, logicamente, os actuais pilotos da própria M-Sport, Evans e Suninen e Tidemand.

Uns na fase inicial da carreira, outros na procura de uma segunda oportunidade, certo é que apenas Lappi, Meeke e Loeb nunca passara conduziram os Ford preparados pela estrutura inglesa! E talvez tenha sido nos momentos mais difíceis, quando a estrutura se debateu com falta de apoios, que Malcom Wilson revelou o quão importante é para o campeonato, ao apostar em pilotos de segunda linha, necessitados de um volante competitivo onde pudessem provar o seu valor. Que o diga Tanak!

Independentemente do apoio que tem tido da Ford, Mr. Wilson tem feito milagres, revelando dotes ímpares como gestor que lhe permitiram não só alimentar os campeonatos secundários do mundial, como o JWRC, o WRC2 ou as escolas D-Mack Trophy, como ainda os mais diversos campeonatos nacionais.

Mesmo se em 2019 passou a liderança da estrutura inglesa passou para as mãos de Richard Millener, Malcom Wilson continuará, de certo, a ter um papel fundamental em toda a estrutura. Por tudo o que fez e por tudo o que venha a fazer, só podemos agradecer ao visionário inglês. Thank you, Mr. Wilson!

 

Este texto não foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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