Sam Sunderland e GasGas saltam para a glória

Terminou em oitavo na etapa final mas conquistou a vitória à geral da 44.ª edição do Rali Dakar, além de oferecer o primeiro triunfo à GasGas na mítica prova mais exigente do mundo. Joaquim Rodrigues Jr. liderou a caravana portuguesa com sangue, suor e lágrimas. Um guerreiro entre os restantes lusitanos.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

Sam Sunderland (GasGas)

A competição referente às duas rodas foi fértil em fortes emoções e passagem de testemunho na liderança pelas mais diversas vezes. Foram muitos os motivos de interesse que o Rali Dakar ofereceu até culminar da prova. Ganhou quem mais fez por isso, cabendo então a Sam Sunderland garantir a histórica vitória. Para si e para a GasGas.

O inglês liderou a prova desde a segunda até à sexta etapa. Foi depois desalojado do topo da classificação geral mas não cruzou os braços e voltou a recuperar a posição. Por mais duas vezes. Durante as duas semanas, Sam Sunderland jamais se deu por vencido. Mostrou a sua raça em diversas ocasiões.

Na pressão a que esteve sujeito respondeu cabalmente às “provocações” com a competitividade de fazer inveja a qualquer um. Pelo menos aos que sonhavam conquistar o triunfo em termos globais. Concentrado no “exame” final, Sam Sunderland, não só descodificou a equação a seu favor com título absoluto, como também entregou de bandeja a primeira vitória da mítica prova à GasGas Factory Racing.

Sam Sunderland (GasGas)

Tratou-se da segunda vitória do inglês Sam Sunderland no Dakar no cômputo geral, colecionando ainda 19 triunfos em etapas nos últimos 22 anos, vincando, legitimamente, o seu compromisso com a GasGas, adquirida pela austríaca KTM que permitiu à marca espanhola assegurar a sua continuidade e desenvolver o seu projecto.

Vencer o Rali Dakar foi, sem margem para dúvidas, a melhor resposta que a GasGas, marca espanhola da região catalã de Girona criada em 1985, especializada em motos de todo-o-terreno. Um triunfo que reforça que tem pela frente um futuro sólido e promissor.

Na derradeira etapa e apesar de ter sido o mais rápido no Sector Selectivo, o chileno Pablo Quintanilla (Honda) não conseguiu neutralizar o atraso que tinha para o inglês Sam Sunderland e teve de contentar-se com o segundo lugar, à frente do austríaco Matthias Walkner (KTM).

Sam Sunderland (GasGas) ladeado por Pablo Quintanilla (Honda) e Matthias Walkner (KTM)

Conforme já foi referido, o inglês repetiu o que havia feito em 2017,dado a primeira vitória à GasGas, naquela que é a terceira derrota consecutiva da KTM que já não vence desde que a prova passou para a Arábia Saudita, depois de 18 vitórias consecutivas.

Entre os portugueses, Joaquim Rodrigues foi o melhor (14.º), com a vitória na terceira etapa a ser o ponto alto, naquele que foi o seu primeiro triunfo na prova e da marca indiana Hero. No final, o piloto de Barcelos mostrou-se extremamente feliz por ter chegado ao fim, recordando que foi um grande Dakar para si e para a equipa, sublinhando que a vitória na terça etapa foi a cereja no topo do bolo.

António Maio (Yamaha)

Já o alentejano e capitão da GNR, António Maio (Yamaha), foi 21.º na chegada a Jeddah, cumprindo o objectivo a que se tinha proposto que era terminar a prova. Rui Gonçalves (Sherco), o melhor português a cumprir o derradeiro Sector Selectivo, em 12.º, a terminar no 24.º à geral.

Já Mário Patrão (KTM), que foi sexto na categoria Original by Motul, para pilotos sem assistência, venceu entre os veteranos. Alexandre Azinhais (KTM), Arcélio Couto (Honda) e Pedro Bianchi Prata (Honda) terminaram a prova com muito coração e um exemplo a seguir, não apenas pela de superação, mas também pela abnegação da primeira à derradeira etapa.

CLASSIFICAÇÕES

SECTOR SELECTIVO (164 KM)

MOTOS – 1.º, Pablo Quintanilla (Honda), 1.40’00”; 2.º, Toby Price (KTM), a 18”; 3.º, Jose Ignacio Cornejo (Honda), a 29”; 4.º, Joan Barreda Bort (Honda), a 1’13”; 5.º, Mason Klein (KTM), a 1’23”; 6.º Luciano Benavides (Husqvarna), a 2’38”; 7.º, Matthias Walkner (KTM), a 2’57”; 8.º, Sam Sunderland (GasGas), a 3’25”; 9.º Lorenzo Santolini (Sherco), a 4’18”; 10.º, Diego Gamaliel Llanos (KTM), a 4’35”; …; 12.º, Rui Gonçalves (Sherco), a 5’20”; …; 16.º, Joaquim Rodrigues (Hero), a 7’44”; 19.º, António Maio (Yamaha), a 9’20”; …; 45.º, Mário Patrão (KTM), a 24’35”; …; 87.º, Pedro Bianchi Prata (Honda), a 50’22”; 88.º, Alexandre Azinhais (KTM), a 51’01”; …; 101.º, Arcélio Couto (Honda), a 1.03’20”

GERAL

MOTOS – 1.º, Sam Sunderland (GasGas), 38.47’30”; 2.º, Pablo Quintanilla (Honda), a 3’27”; 3.º, Matthias Walkner (KTM), a 6’47”; 4.º, Adrien Van Beveren (Yamaha), a 18’41”; 5.º, Joan Barreda Bort (Honda), a 25’42”; 6.º, Jose Ignacio Cornejo (Honda), a 38’06”; 7.º, Ricky Brabec (Honda), a 46’04”; 8.º, Andrew Short (Yamaha), a 46’08”; 9.º, Mason Klein (KTM), a 49’07”; 10.º, Toby Price (KTM), a 49’20”; …; 14.º, Joaquim Rodrigues (Hero), a 1.15’44”; …; 21.º, António Maio (Yamaha), a 2.45’43”; …; 24.º, Rui Gonçalves (Sherco), a 3.13’25”; …; 42.º, Mário Patrão (KTM), a 9.01’03”; …; 69.º, Alexandre Azinhais (KTM), a 15.06’56”; …; 80.º, Arcélio Couto (Honda), a 17.04’34”; …; 105.º, Pedro Bianchi Prata (Honda), a 25.52’01”.

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