Sugestões Regulamentares para os Desportos Motorizados

 

Regulamento desportivo de qualquer modalidade deve ser claro e permitir aos seus amantes compreenderem tudo o que se passa, de forma simples e imediata, que é o que não sucede com a actual regulamentação desportiva das competições motorizadas.

PEDRO RORIZ (auto.look2010@gmail.com)

O arranque das competições é uma boa altura para analisar os respectivos regulamentos, para apontar alguns defeitos, que não podem ser corrigidos, por não ser possível alterar as regras a meio do jogo, mas que podem vir a ser alterados no futuro, caso haja capacidade para os analisar e discutir.

Fica a esperança de quem de direito explicar as opções tomadas, todas elas, por certo, após profunda ponderação, embora não muito compreensíveis, para os amantes das várias vertentes do desporto automóvel.

O regulamento desportivo de qualquer modalidade deve ser claro e permitir aos seus amantes compreenderem tudo o que se passa, de forma simples e imediata, que é o que não sucede com a actual regulamentação desportiva das competições motorizadas.

Qualquer amante do futebol sabe que uma equipa que ganha soma três pontos, a que empata um e a que perde zero, e pode, em qualquer momento, sabendo os resultados dos jogos e tendo uma classificação na mão, ficar a conhecer a nova ordenação dos clubes.

Isso não sucede no caso do desporto automóvel, qualquer que seja a disciplina. Infelizmente, no final de uma prova de automobilismo, o amante do desporto automóvel tem de ter um intenso trabalho para ficar a conhecer a classificação, do respectivo campeonato ou troféu, após a prova.

Em primeiro lugar tem de saber se o piloto está inscrito no campeonato, de seguida se nomeou a prova para pontuar e, por fim, se já esgotou o número de provas em que pode pontuar.

É por isso que a inscrição nos campeonatos devia ser abolida com todos os participantes a puderem pontuar, em função das classificações obtidas, e a classificação final a ser a soma dos pontos contabilizados em cada prova.

A excepção seriam os os RC1 no Rali de Portugal, porque no caso dos RC2, se os nossos pilotos ganham nos Açores e na Madeira, deem “corda aos sapatos” e acabem com as “jogadas tácticas” para pontuar.

Não há inconveniente se aparecerem nomes de pilotos estrangeiros na classificação do campeonato, como já sucedeu no passado, e acontece noutros países, incluindo o campeão a não ser natural do país, até porque permitiria fazer crescer a importância das provas nacionais.

Isso evitaria que, como sucedeu o ano passado, fosse dito que o Armindo Araújo ganhou quatro provas, quando na realidade só triunfou em duas (Vidreiro e Algarve), sendo o mais pontuado, em termos de campeonato noutras duas (Mortágua e Portugal).

Além de que não faz sentido as pontuações para o campeonato, no caso do Rali de Portugal, serem função de uma classificação no meio de uma etapa, com o pretexto de que nessa altura a quilometragem das provas de classificação é semelhante às das restantes provas, quando nos Açores e na Madeira a soma de quilómetros das especiais é cerca do dobro das restantes provas continentais.

O que também facilitaria o entendimento dos campeonatos era a FPAK adoptar o sistema de pontuação da FIA e acabar com a atribuição de um ponto a quem termine a prova para lá do 10.º lugar.

Isso significaria que quem tivesse terminado o campeonato no 24.º lugar, com dois pontos, tinha concluído duas provas em 10.º, ou num nono lugar, com, em função da actual situação esses dois pontos puderem ser fruto de um 35.º e de um 42.º lugares.

Outro ponto a abolir é o das pontuações nas especiais dos ralis, que obrigam o adepto a fazer contas, dificultando-lhe o estabelecimento de uma classificação. Além disso, é uma parte do regulamento que funciona de uma maneira no continente e nos Açores – com a divisão dos cinco pontos pelo número de provas de classificação a ser maior ou menor que cinco, excepto se houver 10 classificativas (0,5 pontos por especial) – e outra na Madeira – onde é atribuído um ponto ao vencedor da primeira e da derradeira especial e três ao vencedor do maior número de especiais na prova.

É por isso que se torna importante, como faz a FIA, publicar as classificações dos campeonatos e troféus uma hora após o final das provas, pelo menos do absoluto e algum tempo depois os restantes, no site da FPAK, para que todos possam saber a classificação do campeonato em causa, como sucede noutras modalidades, sem ter de esperar, às vezes mais de uma semana, para que elas sejam publicadas.

E nada obsta a que, caso seja necessário, as mesmas sejam corrigidas mais tarde, como sucede na FIA. Muito positiva a introdução de uma qualificação, que vai permitir aqueles que nela participam a escolha da posição de partida, tornando mais interessante o “shake down”.

 

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