Stig Blomqvist mantém o encanto por Portugal

Ex-campeão do Mundo de Ralis é o cabeça de cartaz do RallySpirit Altronix ao volante de um Audi Sport Quattro S1. Em conversa com www.autolook.pt, o piloto sueco recorda que o Rali de Portugal foi sempre adverso às suas ambições, mas era uma prova que movia multidões e que adora os portugueses e o país.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt) – Fotos: GERALDO DIAS / GO AGENCY E OFICIAIS

O RallySpirit Altronix 2019 já está na estrada, com partida na marginal de Vila Nova de Gaia, rumo à Avenida dos Aliados, no coração do Porto. Os pilotos apresentaram as suas “armas” no Quartel da Serra do Pilar para disputar a Super Especial de Gaia, primeiro sector competitivo, com a dupla espanhola Emilio Vásquez e Hector Rodriguez Gomes (Citroën ZX Kit Car) a rubricar o melhor tempo (54,4s), à frente de Gonçalo Figueiroa e José Janela (Ford Escort MK2) e Bernardo Esteves e José Luís Esteves (Porsche 911 T), segundos e terceiros, a 0,4 e 0,5 segundos, respectivamente.

Com as viaturas em parque fechado, em frente à Câmara Municipal do Porto, www.autolook.pt conversou com Stig Blomqvist, naquele que pode ser considerado um “aperitivo” do Rally-Legends antes de rumar a Barcelos e Santo Tirso, com um Welcome Drink.

O piloto sueco, que conduz um Audi Sport Quattro S1 foi uma agradável surpresa, não se esquivando a nenhuma questão, mas manifestando que Portugal continua a ter o seu encanto, embora bastante diferente, mas não esquece as classificativas incríveis do “Mundial” de ralis, bem como as pessoas, bastante simpáticas e muito acolhedoras.

– Stig o que espera deste RallySpirit?

– Estou curioso para ver como vai decorrer. Sinceramente tenho boas recordações de Portugal, sobretudo das pessoas, que foram sempre muito acolhedoras e grandes fãs de ralis. Lembro-me sobretudo das multidões, embora o rali aqui nunca me tenha corrido bem. Tive sempre problemas no Rali de Portugal, mas gosto muito do país e da prova como era organizada.

– Existe algo que o tenha surpreendido no seu regresso a Portugal?

– Sinceramente quase não reconheço o país. Tudo está muito diferente de quando aqui vim pela última vez. Está muito mais desenvolvido, as cidades, as estradas. Praticamente só reconheço o nome das localidades nas placas.

– Stig conduziu vários automóveis, desde o Saab 96 V4, passando pelo Saab 99 Turbo, assim como o Ford RS 200, o Audi Quattro até aos Grupo A, com o Skoda Felicia. Quais as diferenças que encontrou na sua condução?

– São todos acessíveis de guiar. Depende muito do piloto. Para mim nunca requereram um estilo especial. Claro que os Grupo B fazem o imaginário dos aficionados mas, para mim, quem fazia a diferença eram mesmo os pilotos.

– O que pensa do WRC actual?

– Hoje há grandes pilotos. É verdade. Mas há muita igualdade. Não creio que haja grandes diferenças. É certo que no meu tempo também, mas eram tempos diferentes, uma cultura diferente. Ralis à noite, cinco dias de prova. Seria interessante ver como se sairiam os pilotos actuais em nevoeiro, chuva e noite cerrada.

– Na sua opinião, como vê o regresso do Rali Safari ao Campeonato do Mundo?

– Sinceramente não sei se foi uma boa ideia. Sei que quiseram que o WRC voltasse a África, mas com os carros actuais pode ter sido uma má decisão. Acho que os actuais carros do WRC são demasiado frágeis. No meu tempo eram quase outros carros que iam a África fazer o Safari e o Costa do Marfim. Espero que não se venham a arrepender.

– Esta deslocação a Portugal reveste-se de contornos muito diferentes daqueles quando era piloto de fábrica. Como encara esta participação?

– As pessoas foram muito simpáticas em convidarem-me. São muito acolhedoras. Vejo isto, sobretudo, como entretenimento. De facto, o automobilismo e as provas Legends têm registado um êxito assinalável e, a verdade, é que estes carros foram feitos para correr e não para estarem parados numa garagem ou num museu. Estou encantado por voltar a Portugal tantos anos depois. E se é verdade que o país está mudado a verdade é que nunca me esqueço das classificativas incríveis que a prova do “Mundial” tem. Era um desafio vir fazer o Rali de Portugal, que classifico como uma das provas mais difíceis do Campeonato do Mundo. O resultado aqui será o menos importante. É muito empolgante participar nestes rali Legends, que têm imensos seguidores pela Europa fora e, pelo que me foi dado a conhecer, em Portugal também.

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