Soberbo Rally Legends Luso-Bussaco

Paulo Silva (Legends Históricos), Eduardo Veiga (Open/Show), António Nunes (Legends Míticos) e Luís Rocha (Sport) lograram o triunfo na quarta edição da prova concebida pelo Clube LusoBussaco, com direito a reconhecimentos e homenagens: ao dirigente José Regêncio, a título póstumo, e ao piloto Aníbal Rolo.

Texto: CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt) – Fotos: JOSÉ MOURA (auto.look2010@gmail.com)

O último fim-de-semana superou todas as expectativas. Nem um trambolhão com efeitos nefastos no pulso esquerdo, em plena Rua Emídio Navarro, entre a Junta de Freguesia e o Mercado do Luso, dissuadiu o voraz apetite pelo Rally Legends Luso-Bussaco. A missão estava delineada, apenas não estava no programa que uma das dezenas de pedras do pavimento em estado de degradação e completamente fora de esquadria estivesse na génese do trambolhão.

A Câmara Municipal da Mealhada conhece a situação mas, o dinheiro não dá para tudo. Importante mesmo é gastá-lo em festas semanais no “reino” da Mealhada e levar os artistas e afins a plantar árvores no Buçaco. O Luso apenas serve de ponte para esta estratégia e nada mais. Enquanto isso, o enigma da Rua Emídio Navarro é que está longe de ter uma resolução, dando a nítida impressão que aquela artéria central da vila termal de Luso é para assistir com precisão camiões carregados de toros de madeira.

O problema é que aquela via de comunicação é, sem margem para dúvida, uma armadilha para suspensões e pneumáticos de automóveis e motociclos. Os transeuntes, esses, independentemente de se tratar da comunidade local ou dos milhares de visitantes que carregam garrafões na Fonte de S. João em modo industrial, sofrem na pele quando têm de cruzar os ladrilhos de pedra que substituem o asfalto. Um pequeno descuido ou uma passada mais rápida pode ser o cabo dos trabalhos – como foi, aliás, o meu caso, em que várias pessoas ficaram preocupadas com o trambolhão.

Também as viaturas de ralis que estiveram envolvidas no Rally Legends Luso-Bussaco tiveram de suportar este lastimável cenário, bem como todas as outras. Os pilotos também manifestaram o seu desagrado com aquela lamentável obra-prima, embora a prova do Clube LusoClássicos tenha reunido o consenso e rotulado de excepcional a todos os níveis.

As condições meteorológicas adversas em alguns períodos do Rally Legends Luso-Bussaco não foram impeditivas para Paulo Silva, navegado por Sandra Fonseca, conduzir o BMW 325i ao triunfo na prova destinada ao Legends Históricos. Nas míticas curvas e contra-curvas daquela desmedida região, o vencedor registou o tempo de 45m48,3s, com Rodrigo Sardinha e Patrícia Sardinha, ao volante de um Innocenti MINI Cooper 1300 a cotarem-se os segundos mais rápidos (46m18,3s), cabendo a Carlos Neves e João Reis, em Datsun 1200 o lugar mas baixo do pódio, com o tempo de 46m20,5s.

No Open/Show, Eduardo Veiga, que “baptizou” a filha nos ralis – o Legends Luso-Bussaco foi a primeira prova de Inês Veiga – puxou dos galões e ofereceu a vitória à descendente saindo da vila termal com a coroa de louros. Ao volante de um Ford Escort MKII, o piloto de Águeda gastou 44m25,3s para completar a prova, relegando para a segunda e terceira posição, respectivamente, Pedro Miguel e Andreia Soares, em Citroën AX (48m39,1s) e João Miguel Maria Alves e Nuno Rodrigues, ao volante de um Ford Escort MKI (49m25,6s).

A prova designada Legends Míticos teve o condão de ser ganha por António Nunes e Alexandre Lopes. Com o tempo de 42m46,2s, a dupla do Mitsubishi Lancer Evo V teve de suar as estopinhas para lograr a vitória, já que Armando Carvalho nunca baixou os braços, apesar de algumas aventuras pelo meio, e cessou a prova a escassos segundos. O poiarense, navegado por Ana Santos, conduziu assim o Mitsubishi Lancer Evo VI ao segundo lugar (42m46,2s), com a dupla Daniel Ferreira e Rodrigo Pinheiro, em viatura idêntica, a ocupar o terceiro lugar (43m51,9s).

Finalmente, e no que diz respeito à categoria Sport, Luís Rocha “abriu o estábulo” e os “cavalos”, à solta do Ford Fiesta R5 MKII, desfrutaram a seu bel-prazer do asfalto do Luso e Serra do Buçaco para alcançar o triunfo sem apelo nem agravo. O piloto nortenho, navegado por Rui Raimundo, apenas precisou de 39m55,4s para concluir a prova, com a dupla do Luso, Raul Aguiar e Pedro Pereira, com menos cavalos no Mitsubishi Lancer Evo VIII mas muito bem disciplinados, a quedar-se pela segunda posição, a 2m40,7s de diferença.

A luta pela posição intermédia, no entanto, ficou marcada por momentos apoteóticos, com Miguel Abrantes e Miguel Vale, em Ford Fiesta R2, tocar nos calcanhares de Raul Aguiar e Pedro Pereira, ficando separados por míseros 3 segundos.

Numa prova de carácter desportivo e social, em que a Câmara Municipal da Mealhada primou pela ausência, o Rally Legends Luso-Bussaco assumiu o seu importante papel no reconhecimento a grandes figuras do automobilismo e dos ralis em particular, homenageando, a título póstumo, José Regêncio, um dirigente que serviu com toda a sua sabedoria o Clube Automóvel do Centro, ajudando desde a primeira hora o Clube LusoClássicos. Também Aníbal Rolo foi distinguido pelo seu sublime percurso desportivo e uma figura de proa no automobilismo, nunca desassociado ao ícone Renault 5 Turbo, uma máquina a percorrer quilómetros e uma “enfardadeira” de triunfos.

Já Art of Speed, com instalações em souselas, Coimbra, e liderada por Frederico Luís, levou para casa o prémio de melhor equipa, levando ao Rally Legends Luso-Bussaco 11 viaturas.

Interessante foi, igualmente, a delicadeza com que foi distinguido o Ford Sierra Cosworth da Peres Competições, “trajado” de azul e conduzido por Filipe Madureira, que se fez acompanhar de Cristina Silva. Trata-se de uma viatura com um vasto historial que contribuiu imenso para enriquecimento do desporto automóvel português, então pelas mãos de Fernando Peres, piloto ainda no activo.

Chegou ao fim a quarta edição da prova do Clube LusoClássicos, com especiais atractivas, apelativas e desafiantes para conduções de suster a respiração, com pilotos e máquinas a presentearam, em véspera de Natal, “embrulhos” de emoção e adrenalina. O cenário refrescante das especiais do Luso e Buçaco, com passagem obrigatória pelo majestoso Palace Hotel, pincelou mais uma história com classe com dezenas de viaturas clássicas e actuais a desbravar momentos inesquecíveis e a contribuir para que novos adeptos tenham apego aos ralis.

Os mentores do Clube LusoClássico, bem como as dezenas de colaboradores envolvidos no Rally Legends Luso-Bussaco, estão de parabéns pelo trabalho profícuo produzido, ajudando, em plena época baixa, a criar um “tsunami” de visitantes e preencher a região de entusiasmo durante, pelo menos, três dias. Foi um mais um fim-de-semana verdadeiramente apoteótico a todos os níveis, com as unidades hoteleiras e o comércio local a beneficiar desta enorme manifestação desportiva.

Sem qualquer responsabilidade para o Clube LusoClássico, este texto foi dactilografado com muitas dificuldades, com as dores a tomarem conta do pulso esquerdo mas nada que impeça de denunciar que o Luso merece muito mais. O estado caótico da Rua Emídio Navarro é o espelho da indiferença de quem tem obrigação de corrigir os erros e nada faz para dotar a vila termal num local paradisíaco. Naturalmente que deve haver outros interesses… Já agora, a Câmara Municipal da Mealhada não se fez representar na cerimónia da entrega de prémios no Casino de Luso. Naturalmente que deve haver outros interesses…

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