Retemperar energias e ânimo no dia de descanso

Toby Price (motos), Stéphane Peterhansel (automóveis), Aron Donzala (SSV), Nicolas Cavigliasso (Quads) e Dmitry Sotnikov (camiões) terminaram a primeira semana do Rali Dakar no topo das respectivas classificações. Amanhã inicia-se a segunda parte com muitos duelos em perspectiva, em que os portugueses também têm uma palavra a dizer na melhoria dos resultados já conquistados.

PEDRO RORIZ E CARLOS SOUSA (auto.look2010@gmail.com)

A caravana do Rali Dakar de 2021 está “reunida” no bivouac, na cidade de Há’il, na Arábia Saudita, para retemperar energias em pleno dia de descanso. Se pilotos e navegadores recarregam as baterias para mais seis dias de competição, as equipas técnicas passam várias horas a fazer grandes revisões às viaturas, enquanto os directores de equipas, manager e coordenadores técnicos definem estratégias.

Com a prova a ser disputada em território exclusivo saudita, a chegada a 15 de Janeiro a Jeddah, segunda maior cidade da Arábia Saudita, está cada vez mais próxima, apenas interrompida este sábado com o dia de descanso e que antecede a única etapa maratona desta edição do Dakar.

Seis dias de prova já ficaram para trás, com Toby Price (KTM), nas motos, Stéphane Peterhansel/Edouard Boulanger (Mini JCW Buggy), nos automóveis, Aron Donzala (Can-Am), nos SSV, Nicolas Cavigliasso (Yamaha), nos “Quads”, e Dmitry Sotnikov/Ruslan Akhmadeev/Ilgiz Akhmetzianov (Kamaz), nos camiões, comandam as respectivas classificações no final da primeira semana de competição.

A primeira semana ficou marcada pelas dificuldades da navegação que levou muitos pilotos e co-pilotos a perderem-se, em especial quando tinham de abrir a pista, bem como pela constante mudança de comandantes.

Nas motos, o australiano Toby Price foi o primeiro líder, por ter sido o mais rápido no Prólogo, e a terminar a semana, de novo, no primeiro lugar, tudo isto depois de Honda e Husqvarna terem colocado em causa a superioridade da marca austríaca.

As seis primeiras etapas ficaram também associadas ao duelo entre o francês Stéphane Peterhasel e o qatari Nasser Al-Attiyah (Toyota Hilux), nos automóveis, com o árabe a recuperar o tempo perdido no primeiro Sector Selectivo (SS), onde abriu a pista por ter sido o mais rápido no Prólogo. Por seu turno, o francês do Mini geriu a vantagem alcançada procurando, na maioria das vezes, seguir junto do seu adversário.

A espanhola Cristina Gutierrez (OT3) registou a segunda vitória de uma mulher na mítica prova de todo-o-terreno e a mais dura do mundo, precisamente no primeiro SS, que colocando-se no comando da categoria e pela vitória do americano Seth Quintero (OT3), o mais jovem (18 anos) a vencer uma etapa nos SSV; e pelo domínio da Kamaz nos camiões, onde monopoliza o pódio no final da primeira semana.

 

ROSS BRANCH (YAMAHA)

EM DESTAQUE NAS DUAS RODAS

Para a segunda semana, a luta nas motos deverá continuar a ser intensa, com os sete primeiros a partirem separados por 6m25s, com a Honda a ter a vantagem de contar com três pilotos (Kevin Benavides, Jose Ignacio Cornejo e Joan Barreda Bort), contra dois da KTM (Toby Price e Sam Sunderland) e um da Yamaha (Ross Branch) e da Husqvarna (Xavier De Soultrait), com o sucessor de americano Ricky Brabec (Honda) na lista de vencedores a dever sair deste septeto.

O norte-americano Ross Branch, também piloto de aviões, tem “voado” com conta, peso e medida aos comandos da sua Yamaha WR450F Rally, com o conimbricense Pedro Almeida “Barbaças”, manager e coordenador técnico da equipa oficial Monster Energy Yamaha Rally Official Team, a “injectar” ânimo e confiança para que a marca prossiga o desiderato de conquistar o triunfo absoluto.

Nos automóveis, o duelo entre os dois primeiros irá prosseguir, já que o terceiro, o espanhol Carlos Sainz (Mini JCW Buggy), encontra-se a mais de 40 minutos do duo da frente, Stéphane Peterhansel e Nasser Al-Attiyah, pelo que só algo de muito surpreendente lhe permitirá repetir o triunfo no ano passado.

Nos SSV serão o polaco Aron Domzala e os americanos Austin Jones (Can-Am) e Seth Quintero (OT3) a discutir a vitória, ao partirem para a segunda semana separados por menos de 10’.

Entre os portugueses, Joaquim Rodrigues (Hero) é o melhor dos pilotos, em 17.º da geral, depois de já ter integrado o lote dos 10 mais rápidos no SS por três vezes, enquanto o luso-alemão Sebastian Buhler (Hero) começou a prova com excelente quinto lugar no Prólogo e passou a semana na primeira metade da tabela, para arrancar para a segunda parte da prova quatro lugares atrás de Joaquim Rodrigues. O transmontano Rui Gonçalves (Sherco Factory), que faz a estreia na prova, já conseguiu um nono lugar num SS e tem permanecido no lote dos 30 primeiros, ocupando a terceira posição dos “rookies”. Pelo caminho ficou Alexandre Azinhais (KTM), também ele estreante, que não passou do terceiro SS, com um problema no motor da KTM.

RICARDO PORÉM

E JORGE MONTEIRO EM CRESCENDO

Ainda nos automóveis, Portugal perdeu um representante, na circunstância Paulo Fiúza, navegador do lituano Vaidotas Zala (Mini JCW Rally), logo no segundo SS, por avaria da caixa de velocidades.

Filipe Palmeiro, que acompanha o lituano Benediktas Vanagas (Toyota Hilux), tem vindo a subir na classificação e termina a semana no 13.º lugar, com a dupla luso-lituana a estar a mais de 30 minutos do “top ten”.

Também em constante subida na geral tem estado a dupla Ricardo Porém e Jorge Monteiro (Borgward BX7 Evo), que começou no 41.º lugar e já subiu até ao 24.º. A outra dupla luso-lituana, Gintas Petrus e José Marques (Optimus), que arrancou do 57.º lugar e já chegou ao 35.º.

Nos SSV, a dupla Lourenço Rosa e Joaquim Rodrigues (Can-Am) tem vindo a evoluir de dia para dia, como o demonstra o nono tempo feito no derradeiro SS, o que lhe permitiu ascender ao 13.º lugar, quinto dos “rookies”, e estar a menos de 45 minutos de entrar no lote dos 10 primeiros.

Por sua vez, a dupla Rui Carneiro e Filipe Serra (MMP) começou bem, com um nono lugar no Prólogo, mas “afundou-se” no primeiro SS e caiu para o 54.º da geral, tendo recuperado ao longo da semana 17 lugares, sendo agora 37.ª da geral.

Nos camiões, resta Nuno Fojo, companheiro do espanhol Alberto Herrero (MAN), no 20.º lugar da geral, depois dos abandonos de José Martins (Iveco), no terceiro SS, e de Armando Loureiro, que secundava Jordi Ginesta (MAN), com a equipa a não passar do primeiro SS.

CLASSIFICAÇÕES

Geral

Motos – 1.º, Toby Price (KTM), 24.08’43”; 2.º, Kevin Benavides (Honda), a 2’16”; 3.º, Jose Cornejo (Honda), a 2’57”; 4.º, Ross Branch (Yamaha), a 3’41”; 5.º, Xavier De Soultrait (Husqvarna), a 3’41”; 6.º, Sam Sunderland (KTM), a 4’23”; 7.º, Joan Barreda Bort (Honda), a 6’25”; 8.º, Lorenzo Santolini (Sherco Factory), a 13’46”; 8.º, Skyler Howes (KTM), a 15’12”; 10.º, Pablo Quintanilla (Husqvarna), a 15’13”; …; 17.º, Joaquim Rodrigues (Hero), a 45’01”; …; 21.º, Sebastian Buhler (Hero), a 1.26’45”; …; 28.º, Rui Gonçalves (Sherco Factory), a 2.43’47”

Automóveis – 1.º, Stéphane Peterhansel/Edouard Boulanger (Mini JCW Buggy), 22.14’03”; 2.º, Nasser Al-Attiyah/Matheu Baumel (Toyota Hilux), 5’53”; 3.º, Carlos Sainz/Lucas Cruz (Mini JCW Buggy), a 40’39”; 4.º, Jakub Przygonski/Timo Gottschalk (Toyota Hilux), a 1.11’36”; 5.º, Nani Roma/Alexandre Winocq (Hunter BRX), a 1.36’55”; 6.º, Brian Baragwanath/Taye Perry (Century CR6), a 1.50’32”; 7.º, Vladimir Vasilyev/Dmitro Tsyro (Mini JCW Rally), a 2.05’74”; 8.º, Khalid Al Qassimi/Xavier Panseri (Peugeot 3008 DKR), a 2.07’21”; 9.º, Giniel De Villiers/Alex Haro (Toyota Hilux), a 2.12’12”;

10.º, Martin Prokop/Viktor Chytka (Ford RS Cross Country), a 2.29’07”; …;  13.,º, Benediktias Vanagas/Filipe Palmeiro (Toyota Hilux), a 3.04’33”; …; 24.º, Ricardo Porém/Jorge Monteiro (Borgward), a 4.39’04”; …; 35.º, Gintias Petrus/José Marques (Optimus), a 6.59’58”.

SSV – 1.º, Aron Donzala/Maciej Marton (Can-Am), 27.04’29”; 2.º, Austin Jones/Gustavo Guglemin (Can-Am), a 40”; 3.º, Seth Quintero/Dennis Zenz (OT3), a 8’26”; 4.º, Francisco Lopez Cortado/Juan Pablo Latrach (Can-Am), a 35’51”; 5.º, Sergei Kariakin/Anton Vlasiuk (Can-Am), a 36’37”; …; 13.º, Lourenço Rosa/Joaquim Dias (Can-Am), a 2.49’26”…; 37.º, Rui Carneiro/Filipe Serra (MMP), a 8’21’41”

“Quads” – 1.º, Nicolas Cavigliasso (Yamaha), 29.15’55”; 2.º, Manuel Andujar (Yamaha), a 33’18”; 3.º, Alexandre Giroud (Yamaha), a 45’22”; 4.º, Giovanni Enrico (Yamaha), a 50’19”; 5.º, Pablo Copetti (Yamaha), a 2.24’39”

Camiões – 1.º, Dmitry Sotnikov/Ruslan Akhmadeev/Ilgiz Akhmetzianov (Kamaz), 24.26’18”; 2.º, Anton Shibalov/Dmitrii Nikitin/Ivan Tatarinov (Kamaz), a 37’34”; 3.º, Airat Mardeev/Dmitry Svistunov/Akhmet Galiautdinov (Kamaz), a 1.01’43”; 4.º, Martin Macik/Frantosek Tomasek/David Svanda (Iveco), a 1’02,33”; 5.º, Ales Loprais/Petr Pokora/Khalid Alkendi (Praga), a 1.07’00”; …; 20.º, Alberto Herrero/Juan Carlos Macho/Hugo Fojo (MAN), a 22.08’17”

Etapa de domingo

Os 737 km da ligação entre Ha’Il e Sakaka, dos quais 471 km serão percorridos em SS, constituem a primeira parte da etapa maratona, o que significa que, à chegada a Sakaka, as equipas de assistência estarão ausentes e terão de ser os participantes a reparar os estragos provocados pelo SS. Para trás terão ficado cerca de 100 km de dunas, com constantes subidas e descidas, o que vai obrigar a cautelas, por causa do sobreaquecimento dos motores, para o SS terminar com uma série de planaltos pedregosos perigosos para os pneus, com uma mistura de secções rápidas e sinuosas.

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