Retalho automóvel quer reabrir a 4 de Maio

Sector preparou protocolo sanitário para lidar com os riscos da Covid-19. Ainda que a retoma da procura seja lenta, comerciantes dizem que não podem continuar fechados.

(auto.look2010@gmail.com)

Hélder Pedro – ACAP

O sector do retalho automóvel está a preparar-se para reabrir em 4 de Maio e vai ter «contactos com o Governo» nesse sentido, adiantou o secretário-geral da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, Hélder Pedro. O responsável, que participou num “webinar” promovido pela associação e pelo Standvirtual, sobre a retoma do mercado automóvel no âmbito da pandemia da Covid-19, adiantou que a ACAP «defende que o sector reabra em 4 de Maio, no fim do estado de emergência, e vai lançar ainda hoje aos seus associados um protocolo sanitário» para que sigam as recomendações, facilitando a reabertura.

Nesse sentido, a associação «deliberou pedir, a partir de 4 de Maio, a abertura do sector», sublinhando que vai haver «contactos com o Governo para agilizar» este processo, informou Hélder Pedro, que deu ainda conta de propostas de medidas, incluindo o regresso do programa de incentivo ao abate «para veículos novos e usados».

«Achamos que o comércio de usados tem sido o mais afectado, a paralisação é total e é necessário que haja esse apoio. Pedimos a Bruxelas que recomende aos Estados-membros estes programas e que os fundos a transferir incluam uma parte para renovar o parque automóvel», adiantou.

A ACAP reiterou ainda uma proposta feita ao Ministério das Finanças para a suspensão do IUC (Imposto Único de Circulação) para carros em “stock”. «Neste momento ainda não há uma resposta concreta, mas foi-nos dito que havia a possibilidade de cancelar a matrícula no IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes). Mas isso tem um custo e demora», alertou Hélder Pedro.

António Coutinho – MCoutinho

«Acho que é importante dar um sinal de retoma da economia. As fábricas de automóveis vão voltar já no final de Abril e Maio e em outros países já começaram. E o comércio tem que abrir também naturalmente. Pode haver até um aumento da procura e é importante que o sector abra em 4 de Maio», adiantou.

Durante o “webinar” foi apresentado um estudo realizado na China, dando conta do aumento do transporte individual, face ao público, por razões de segurança, mas para António Coutinho, presidente executivo do grupo M. Coutinho, é «pouco provável» que esta tendência se alargue no tempo, tendo em conta a estratégia ambiental que existe em Portugal.

Para o responsável, a retoma vai-se iniciar «primeiro nos usados», tendo em conta os preços praticados nos veículos novos. António Coutinho falou ainda numa «paragem total do mercado, quer nos novos como nos usados», e contabilizou uma queda de 85% neste momento.

O grupo M. Coutinho quer voltar à actividade, mas espera alterações nos comportamentos dos clientes, sendo que, de acordo com o presidente da empresa, é «muito importante cumprir todas as regras sanitárias e passar confiança aos clientes».

Na empresa, onde já se implementaram várias medidas, como aumento de distâncias de segurança, barreiras acrílicas e desinfecção, estuda-se uma estratégia de «portas sempre abertas» para que os clientes não tenham que tocar em nada.

O director-geral da Santogal usados, Nuno Troufa, salientou, por sua vez, que «o crescimento vai ser gradual», sublinhando que é «importante não cair na tentação de entrar em grandes baixas de preços».

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