Raul Aguiar na Ba(i)rrada de decisões injustiçadas

Uma má decisão é sempre uma prejudicial sentença, independentemente de ser tomada antes, durante ou depois de uma prova. A dupla formada por Raul Aguiar e Pedro Pereira ainda está mergulhada num oceano de insatisfação ainda perante factos no Rali da Bairrada.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt) – Fotos: NUNO DINIS PHOTOS

O Rali da Bairrada, primeira prova do Campeonato Centro de Ralis, disputada a 30 de Maio, ainda não passou do “goto” da dupla Raul Aguiar e Pedro Pereira, quando se viu afastada da discussão pelos lugares de pódio. E tudo isto porque, ainda antes de iniciar a prova, já estava a ser penalizada: Pedro Santos e Hugo Vieira (Peugeot 206 RC) não evitaram uma saída de estrada e embateram contra um poste de electricidade na primeira passagem pela especial de Boco e primeira da prova.

Tratou-se de um cenário marcado pela interrupção da especial e, as equipas da classe que ainda não tinham efectuado um centímetro de asfalto, foram “contemplados” com o mesmo tempo de Frederico Monteiro e Paulo Santos (Peugeot 206 GTI). Situação idêntica na terceira especial (Vagos/ZIV 1) aquando da saída de estrada de Fábio Santos e Ricardo Sismeiro (Citroën Saxo), com as equipas a ficarem com o tempo de Paulo Correia e Tiago Amado (Renault Twingo R2).

Aos comandos de um Mitsubishi Lancer Evo VIII (Classe P3), Raul Aguiar e Pedro Pereira, que efectuaram o percurso alternativo, acabaram por ficar com o pior tempo até então realizado por uma viatura Classe P1, na circunstância o Peugeot 206 GTI de Frederico Monteiro e Paulo Santos, por não haver qualquer viatura da Classe P3 a realizar qualquer das duas especiais interrompidas.

«Foi com enorme espanto e frustração esta tomada de posição por parte da estrutura organizativa e pelo incómodo que provocou perante os nossos parceiros. A organização do Rali da Bairrada equiparou os tempos de uma viatura de duas rodas motrizes – cerca de 150 cavalos – com um carro de 320 cavalos e quatro rodas motrizes. Surpreende-me bastante que a regulamentação em vigor possa acolher tão estranha decisão», sublinhou Pedro Pereira.

Inconformado com a situação, o navegador de Raul Aguiar sustentou que, «como é do conhecimento geral, os carros da Classe X3 são os que mais se assemelham a um Mitsubishi Evolution (Classe P3)». «Aliás nada impede que a nossa viatura também fosse inscrita em X3. Seria, portanto, a decisão mais correcta, até porque a atribuição do pior tempo até então averbado por um Classe X3 ao nosso Mitsubishi Lancer e às demais que também estivessem naquela Classe (P3)», acrescentou.

Refira-se que a diferença entre um EVO P3 – classe inscrita por Raul Aguiar e Pedro Pereira – em relação ao Evo X3 – de Rui Silva Santos e André Cabeças – são os travões da frente do X3 que podem ter, ligeiramente, o diâmetro superior.

De acordo com Pedro Pereira, «ficámos na expectativa que a verdade desportiva, pela qual todos os intervenientes devem pugnar, não fosse minimamente beliscada». «Mais confiantes estávamos, quando a entidade organizadora é o Clube Automóvel do Centro, clube com a qual já fazemos ralis há mais de 20 anos e que sempre nos mereceu o maior respeito e admiração».

CARLOS SANTOS: “DECISÃO ANTERIOR SEM ATENDER A SITUAÇÕES EM PARTICULAR”

Carlos Santos, director de prova, referiu, por seu turno, que «a decisão, no que respeita à metodologia utilizada, não foi realizada em função da situação, nem das pessoas envolvidas», sustentando que na qualidade do papel que desempenhava, viu-se na obrigação de «deixar indicações escritas aos responsáveis pela cronometragem e cálculo de tempos, antes da partida e, por isso, antes de qualquer ocorrência».

«As indicações eram no sentido de, em caso de interrupção, ser atribuído o tempo do concorrente mais lento do respectivo grupo que tenha disputado a prova de classificação em condições normais. No caso de não existir nenhum concorrente do grupo nessas condições, o tempo a atribuir seria o do grupo imediatamente a seguir, dentro do P ou dos X, para cada um, apenas permutando, caso nenhum P ou X efectuasse a prova», afiançou o responsável do Clube Automóvel do Centro.

«Evidentemente que, nestas situações, tem de ser um método geral, sem se estar a verificar caso a caso depois, sabendo que nunca se é justo e haverá sempre situações de concorrentes mais prejudicados, como sempre aconteceu nestas situações no passado e com qualquer clube. Por exemplo, caso fosse escolhida o grupo X3, também se poderia estar a prejudicar alguém, agora porque um concorrente que não tinha efectuada a prova de classificação, tinha tido melhor tempo que outro que a fez», acrescentou Carlos Santos.

Para o director de prova do Rali da Bairrada, «foi uma decisão anterior, sem atender a situações em particular, muito menos para prejudicar a equipa Raul Aguiar e Pedro Pereira, pela qual o Clube Automóvel do Centro tem tido sempre grande estima». «E por ser uma decisão do director de prova, de acordo com os regulamentos, também não foi posta em causa em sede de Colégio de Comissários Desportivos. Qualquer alteração agora, à posteriori, quando as regras tinham sido estabelecidas antes do início da prova, não nos parecem corretas, apesar de lamentarmos que possam, inadvertidamente, ter prejudicado o concorrente com a viatura número 67, como outros se sentiram prejudicados nestas situações de interrupção de provas».

Carlos Santos esclarece que «não parece existir matéria para poder ser alterada a decisão tomada, esperando que a equipa compreenda a posição da direcção de prova e do clube e que não seja por isso que não continue a participar em provas deste clube, pois nós temos todo o gosto nisso».

“COMO FOI ACAUTELADO O CUMPRIMENTO NAS PRESCRIÇÕES ESPECÍFICAS DOS RALIS?”

Pedro Pereira clarifica, também, que não é seu propósito «alterar a classificação, mas fico sem resposta sobre a minha questão, ou seja de que forma foi acautelada a equidade e verdade desportiva como estipula o ponto 19.6.2 das Prescrições Específicas dos Ralis? O momento em que a decisão foi tomada é uma questão de muito pouca relevância. A questão, repito, continua a ser: como foi acautelado o cumprimento do estipulado nas Prescrições Específicas dos Ralis?».

O navegador de Raul Aguiar diz-se «amargurado», sobretudo depois «de uma longa espera pela atribuição dos tempos nas classificativas não realizadas e aludidas nos acidentes verificados, somos surpreendidos com os tempos atribuídos à nossa equipa, completamente desadequados ao andamento evidenciado nas restantes quatro especiais realizadas».

Uma situação nada serena que levou mesmo Pedro Pereira «a contactar João Paulo Cardoso, Relações com Concorrentes, apresentando-lhe a conjuntura em que estávamos envolvidos, o qual nos disse que tínhamos razão e que o assunto iria ser discutido em sede de reunião do Colégio e, caso fosse o entendimento, efectuada a inevitável correcção à classificação geral». «O mesmo nos foi referido pessoalmente pelo director de prova», sustentou.

«Para surpresa geral, no momento da cerimónia de entrega de prémios a nossa equipa não foi chamada para a merecida recompensa de tanto trabalho e esforço financeiro das últimas semanas. Falhado o merecido momento de consagração, restava-nos aguardar uma posição final do Colégio. Com o levantamento dos carros do Parque Fechado e sem qualquer contacto , tomei eu a iniciativa de ligar novamente ao Relação com Concorrentes, que me referiu ter-se esquecido. Acho que o assunto merecia outro tratamento».

Raul Aguiar e Pedro Pereira acabaram por ser os melhores bairradinos na prova disputada no concelho de Vagos, na 5.ª posição, «mas em condições normais, terminaríamos no terceiro lugar, a 0,9 segundos da dupla Ernesto Cunha e Rui Raimundo (Subaru Impreza STI)». «Como não havia tempos, uma vez que a decisão foi tomada no final da prova, também poderíamos ter terminado no lugar intermédio do pódio, dado que o Raul Aguiar, em vez de dar espectáculo, poderia encetar pela recuperação».

«Convicto que esta situação não passa de um lamentável, pontual e infeliz episódio que não afectará a imagem que detenho há mais de 20 anos do Clube Automóvel do Centro, que ao menos venha a servir de exemplo para cenários idênticos no futuro», concluiu Pedro Pereira.

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