Rali dos Sertões foi fértil em espectacularidade

No ano em que o Rali dos Sertões está rotulado de Mundial de Todo-o-Terreno, pódio foi compartilhado por pilotos brasileiros, franceses e argentinos. Cristian Baumgart e Beco Andreotti festejam o quarto título nos automóveis e Casarini/Mayer repetem os UTVs. Já Adrien Metge consagrou-se nas Motos e Manuel Andujar nos Quads.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt) – Fotos: OFICIAIS

Cristian Baumgart e Beco Andreotti (Toyota Hilux)

Foram 10 dias de enormes desafios, com 3.615 quilómetros percorridos ao longo de sete estados do Nordeste brasileiro. O Rali dos Sertões foi igual a si próprio: 100% sertão e 100% nordestino. Este domingo consagrou os seus grandes campeões, dignos vencedores de uma prova que chamou a atenção pela dureza e exigência ao nível técnico no que concerne ao percurso, a que se juntou as paisagens paradisíacas daquele paraíso do país irmão.

A rampa edificada junto ao Forte de Tamandaré, na cidade pernambucana com o mesmo nome, foi o palco privilegiado para a festa final. Uma festa de todos e para todos. De quem esteve no activo a acelerar com a meta no horizonte e, também daqueles que encararam o desafio com o objectivo de o superar. Depois do natural cansaço estampado nos rostos, os pilotos, equipas, voluntários e elementos estrutura deram largas a sorrisos e emoções fortes.

Adrien Metge (Yamaha WR450F)

Nas quatro disciplinas do todo-o-terreno, os degraus mais altos do pódio foram ocupados por duplas habituadas a vencer, mas também por dois pilotos que conquistaram o maior rali das Américas de forma inédita. O francês Adrien Metge (Yamaha), nas motos, é exemplo disso mesmo.

Fora da edição de 2020 por testar positivo para a Covid-19 na semana da prova, o piloto francês teve a oportunidade de mostrou este ano toda a sua força e determinação. Nas oito especiais cronometradas, Adrien Metge conduziu a Yamaha ao triunfo por seis ocasiões, tendo sido o mais rápido numa tirada, embora punido por uma infração. Na etapa entre Delmiro Gouveia e Arapiraca, no sábado, procurou administrar a vantagem.

Com a vitória, Adrien Metge tornou-se o quinto estrangeiro a conquistar os louros da vitória, depois de Heinz Kinigadner, Marc Coma, Cyril Despres e o malogrado piloto português Paulo Gonçalves. O francês Adrien Metge Muito é um piloto muito querido dos brasileiros, ganhando o apelido de Croissant.

Manuel Andujar (Yamaha)

Nos Quads, o argentino Manuel Andujar (Yamaha) iniciou a odisseia dos Sertões mais preocupado em defender a sua posição no Mundial de Rally Cross-Country FIM, travando uma luta titânica com o maranhense Marcelo Medeiros. Contudo, o argentino apenas ascendeu à liderança após o acidente sofrido pelo rival brasileiro na sétima etapa, entre Petrolina e Delmiro Gouveia. Um resultado que coroou um ano iniciado com a vitória no Rally Dakar.

Interessante foi o “conflito de interesses” nos UTVs que, depois de muitas batalhas nas etapas diárias, Deninho Casarini e Ivo Mayer conquistaram por direito próprio o segundo triunfo consecutivo na prova. No entanto, os pilotos não escaparam a uma prova de superação quando, na primeira curva do prólogo, em Pipa, viram-se envolvidos num capotanço.

Denísio Casarini e Ivo Meyer (Can-Am Maverick X3)

Um contratempo para a dupla Deninho Casarini e Ivo Mayer, sendo relegados para a 35.ª posição na primeira etapa mas, no fim da tirada, terminar no 16.º lugar na classificação global da categoria. A partir da segunda etapa os pilotos foram construindo uma prova consistente, escalaram posição atrás de posição e, numa escalada verdadeiramente apoteótica, alcançaram o topo da classificação no final da sétima etapa. Um cenário apenas possível fruto de lutas acérrimas, com sete vencedores diferentes em oito etapas possíveis. Elucidativo!

Nos automóveis, os pilotos agitaram as emoções e o requinte foi o selo do resultado final. A derradeira etapa assistiu-se a uma reviravolta de processos e imprópria para cardíacos.

Cristian Baumgart e Beco Andreotti (Toyota Hilux)

No duelo entre os irmãos Baumgart, com as Toyota Hilux IMA da equipa X-Rally, Cristian, navegado por Beco Andreotti, não descurou a oportunidade de acelerar e relegar para a segunda posição Marcos, que faz equipas com Kleber Cincea, que não evitou problemas ao nível da transmissão na viatura da marca nipónica. Tratou-se de um tetra suado e, por isso, bastante comemorado.

Depois desta edição histórica, o Rali dos Sertões já prepara 2022, com a particularidade de estarmos perante o bicentenário da Independência e os 30 anos da prova, que vai ligar o Oiapoque ao Chuí, num desafio inédito, embora aguardado com enorme expectativa.

CLASSIFICAÇÕES FINAIS

MOTOS

1.º Adrien Metge (Yamaha WR450F)………………………………………………….30h06m12s

2.º Jean Azevedo (Honda CRF450RX)………………………………………………..30h22m40s

3.º Bissinho Zavatti (Honda CRF450RX)……………………………………………30h40m06s

4.º Túlio Malta (Yamaha WR450F)…………………………………………………….30h55m55s

5.º Gregório Caselani (Honda CRF450RX)………………………………………….38h09m28s

QUADS

1.º Manuel Andujar (Yamaha Raptor 700)…………………………………………..29h46m16s

2.º Rafal Sonik (Yamaha Raptor)……………………………………………………….31h54m42s

3.º Marcelo Medeiros (Yamaha YFM700R)…………………………………………37h03m53s

UTV

1.º Denísio Casarini/Ivo Meyer (Can-Am Maverick X3)……………………….30h36m29s

2.º André Hort/Matheus Mazzei (Can-Am Maverick X3)……………………..30h52m40s

3.º Rodrigo Luppi/Maykel Justo (Can-Am Maverick X3)……………………..30h55m15s

4.º João Monteiro/Victor Melo (Can-Am Maverick X3)……………………….30h58m51s

5.º Gabriel Cestari/J. Ardigo (Can-Am Maverick X3)…………………………..31h11m13s

AUTOMÓVEIS

1.º Cristian Baumgart/Beco Andreotti (Toyota Hilux)………………………….28h55m21s

2.º Marcos Baumgart/Kleber Cincea (Toyota Hilux)……………………………29h03m39s

3.º Sylvio de Barros/Rafael Capoani (Toyota Hilux)…………………………….29h42m46s

4.º Julio Capua/Emerson Cavassin (Toyota Hilux V8)…………………………30h25m15s

5.º Marcelo Gastaldi/Cadu Sachs (Buggy Century CR-6)……………………..30h29m57s

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