Rali de Mortágua com uma panóplia de novidades

O programa da prova idealizada pelo Clube Automóvel do Centro, em conjunto com os municípios de Mortágua e Águeda, tem um percurso total de 296,82 km, dos quais 113,71 disputados ao cronómetro ao longo de 12 especiais, com muitas inovações à mistura.

(auto.look2010@gmail.com) – Fotos: JOSÉ MOURA

Foi apresentado o Rali de Mortágua com o selo da renovação para chegar ao público um espectáculo sem precedentes. É precisamente no dia 3 de Maio (sexta-feira) que as emoções do Campeonato de Portugal de Ralis regressam ao Continente, depois das aventuras e peripécias no Azores Rallye, embora se mantenham, pela terceira vez consecutiva esta temporada, os pisos de terra. A excepção à regra para as passagens urbanas de Águeda Street Stage Travocar (2,59 km) e Super-especial de Mortágua (2,06 km), a desenvolver, exactamente, no primeiro de dois dias de prova sob a égide do Clube Automóvel do Centro.

Antes, porém, a edição deste ano do Rali de Mortágua será conjecturada com a realização de um “Free Practice”, às 8h30, a prova de “Qualifying”, pelas 9h30. Tudo isto na distância de 4 km, será efectuada nas proximidades do Parque de Assistência, facilitando a tarefa aos concorrentes, dado que, neste mesmo percurso, será disputado o “Shakedown”, a partir das 10h00. E, tudo isto, a fortalecer a manhã do dia 3 de Maio.

Luís Santos

LUÍS SANTOS: “PROVA PRIVILEGIA

ESPECTÁCULO PARA O PÚBLICO”

Na apresentação, Luís Santos, presidente do Clube Automóvel do Centro e director de prova, segmentou a competição, começando por agradecer a todos os parceiros e colaboradores, bem como todos os elementos que integram a segurança e bombeiros. Depois de endossar palavras de reconhecimento às Câmaras Municipais de Mortágua e Águeda, representadas pelo presidente José Júlio Norte e técnico superior da Divisão de Cultura e Desporto, João Paulo Lopes, respectivamente, Luís Santos evidenciou o plano organizativo.

Por outro lado, e à semelhança do ano passado, Águeda Street Stage Travocar, promovida pela Promolafões, «volta a fazer parte da terceira ronda do Portugal de Ralis, a desenvolver, por duas vezes, a partir das 19h30, nos principais arruamentos da Baixa e Alta da cidade aguedense», avançou o responsável.

Uma atmosfera de emoções fortes e uma adrenalina fora do normal para a comunidade local, a servir de aperitivo à superespecial nocturna de Mortágua, com as primeiras viaturas do Campeonato Centro de Ralis na estrada às 21h10.

«Para sábado, o Clube Automóvel do Centro preparou uma estrutura que confere à terceira prova do Campeonato de Portugal de Ralis, pontuável ainda para o Campeonato Centro de Ralis, Desafio Kumho Centro e Desafio Kumho Terra uma mudança radical no paradigma de uma competição desta natureza. Trata-se de duas zonas de provas especiais em que o público vai estar em “contacto” permanente com os concorrentes, já que estes efectuam seis passagens no mesmo local».

Armindo Araújo

Uma novidade absoluta em termos nacionais, quiçá a nível mundial, em que duas classificativas, com início comum, permitem passar no mesmo local seis vezes, permitindo, de forma singular, que o público se mantenha no mesmo lugar, em Mortágua, sem que tenha de andar de um lado para o outro.

Outro dos “condimentos” do Rali de Mortágua, versão 2019, e que reúne a nata da modalidade nacional, prende-se com a realização de 12 provas de classificação, mais três do que o ano passado. Como já foi referido, a 1.ª, 2.ª, 5.ª, 6.ª, 9.ª e 10.ª provas especiais de sábado (4 de Maio) privilegia a criação de duas zonas para os espectadores, em que os concorrentes efectuam seis passagens no mesmo sítio (uma das zonas terá mais de 1 km de extensão e vários atractivos, como ganchos e salto).

A especial Mortágua-Moitinha (6,55 km), é percorrida às 10h10, 14h05 e 16h47; Mortágua-Chão de Calvos (5,66 km), terá início pelas 10h33, 14h28 e 17h10; Sobral-Tojeira (18 km), às 10h52 e 14h47; Felgueira (16h92 km), na estrada a partir das 11h35 e 15h30.

José Júlio Norte

JOSÉ JÚLIO NORTE: “APUNHALADO” MAS COM ASAS PARA VOAR

O Rali de Mortágua, terá o centro operacional de novo localizado nas instalações da Câmara Municipal de Mortágua, local onde funcionará o Secretariado e o Gabinete de Imprensa. O Parque de Assistência, a exemplo da edição do ano passado, ficará situado no Aeródromo de Mortágua.

Para o presidente da Câmara Municipal de Mortágua, que declarou ter-se sentido «apunhalado» pelo “seu” território não ser contemplado com o regresso do Rali de Portugal à região Centro, «a prova do Clube Automóvel do Centro vai continuar a trilhar o caminho sucesso». «Apesar da facada nas costas, vamos estar cá para ver o que reserva o futuro, mas uma coisa é certa: não vão conseguir fazer melhor que a organização do Rali de Mortágua, pela atitude, força e empenhamento que o Clube Automóvel do Centro sempre demonstrou. Ninguém nos vai cortar as asas para voar», sublinhou José Júlio Norte.

José Júlio Norte

«Espero, mais uma vez, uma grande adesão de equipas de pilotos e co-pilotos, e público em geral. Naturalmente que gostava que Mortágua estivesse nos planos do Rali de Portugal, até porque sempre apoiou a prova na região Centro. Mas cá estamos para dar um grande impulso ao Rali de Mortágua, até porque o Clube Automóvel do Centro tem dado mostras de saber organizar e com um enorme ângulo de visão para inovar», reforçou o presidente da Câmara Municipal de Mortágua.

Também o campeão nacional em título, Armindo Araújo, fez questão de aferir que «o Rali de Mortágua é uma prova muito bem organizada, mas muito difícil, o que não deixa de ser um desafio aliciante, porque são as dificuldades que nos move». «Estamos aqui com a mesma vontade do ano passado, ou seja, lutar pela vitória».

 

Ricardo Moura e António Costa

AÇORIANO RICARDO MOURA LIDERA “PORTUGAL DE RALIS”

Com o Rali Serras de Fafe e Azores Rallye deixados para trás, o piloto açoriano Ricardo Moura lidera o Campeonato Portugal de Ralis, com 46,39 pontos, com o algarvio Ricardo Teodósio na segunda posição, com 44,84. Ricardo Moura venceu a prova disputada na ilha açoriana de São Miguel, organizado pelo Grupo Desportivo Comercial, e Ricardo Teodósio levou de vencida o Rali Serras de Fafe, organizado pelo Demoporto, apenas separados pelos “pozinhos” obtidos na performance das provas especiais.

 

Ricardo Teodósio e José Teixeira

a terceira e quarta posição encontram-se os lisboetas Bruno Magalhães e Miguel Barbosa, com 32 e 21,14 pontos, respectivamente, encerrando o “top five” o bracarense Miguel Correia, com 16, mais dois que o portuense José Pedro Fontes, na sexta posição.

No sétimo posto surge António Dias, com 13 pontos, com o campeão nacional em título, Armindo Araújo, no oitavo lugar, com 11, mas que declinou a participação na prova insular pela via regulamentar, à frente do sintrense Gil Antunes, com 10. O viseense ocupa a 10.ª posição, com 9, mas lidera o pelotão das Duas Rodas motrizes (2RM), com 43,02 pontos, cabendo a segunda posição ao sintrense Paulo Neto, 34,33, mas em 12.º à geral, com 7 pontos.

Craig Breen

RALI DE MORTÁGUA ACUMULA EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL

A história da prova tem-se encarregado de registar um aumento significativo de pessoas que se deslocam a Mortágua por altura deste enorme acontecimento desportivo. Em termos competitivos, e a título de exemplo, o britânico Craig Breen, piloto oficial da Citroen no WRC, saiu de Mortágua em 2017 na qualidade de vencedor e, o ano passado, a vitória sorriu ao jovem japonês Arai Haroki (Ford Fiesta R5), que aproveitou a prova do Clube Automóvel do Centro para treinar para o Rali de Portugal. Também Katsuta Takamoto, o outro japonês da Tommi Makinen Racing em viatura idêntica, esteve na vila mortaguense para encerrar o pódio, numa prova em que o campeão nacional em título, Armindo Araújo, cotou-se o segundo mais rápido e o melhor entre os portugueses, iniciando em Mortágua a caminhada para alcançar o título.

Arai Haroki

Já com o estatuto de rali internacional garantido, o Rali de Mortágua, na estrada a 3 e 4 de Maio, acelera para mais um acréscimo de interesse, sobretudo pela qualidade superior dos pilotos e navegadores presentes.

A pouco mais de 15 dias da partida, a prova do clube conimbricense dá-se a conhecer pelas mais diversas formas e feitios, patenteando um cartaz com o Hyundai i20 R5 da dupla campeã nacional, Armindo Araújo e Luís Ramalho, a surgir em pano de fundo em aceleração vertiginosa pela floresta do concelho de Mortágua.

O ano passado a floresta apresentava-se calcinada pelos incêndios de Outubro de 2017, mas este ano, o cenário já se encontra mais verde, com a esperança de um futuro mais jubiloso.

Katsuta Takamoto

As cores vivas da viatura da marca sul-coreana contrastam com o cenário de fundo, com eucaliptos abrasados, numa singela homenagem a todos os mortaguenses que, de uma forma ou de outra, perderam os seus bens pelas chamas incontroláveis.

Como o Rali de Mortágua é uma das mais emblemáticas manifestações desportivas na região centro, o cartaz da prova deste ano não desfralda as espectativas da população e dos aficionados. Para trás ficou um quadro pintado a negro, com uma imensidão de área atingida. Há milhares de histórias de superação, resiliência, frustração e de oportunidade. O Rali de Mortágua é, por isso, mais um motivo de prosperidade. O sucesso, firme na região, país e no mundo, é para prosseguir com as cores da esperança.

ANTÓNIO BAPTISTA HOMENAGEADO NO RALI DE MORTÁGUA

A superespecial agendada para a noite do dia 3 de Maio, nos arredores de Mortágua e Vale de Açores, terá a designação de António Baptista, navegador que faleceu no início do mês de Março, em Coimbra, deixando uma enorme herança à família dos ralis. Uma homenagem que o Clube Automóvel do Centro presta a António Baptista como Homem, Navegador e Sócio, dando o nome do malogrado navegador à super-especial nocturna.

Recorde-se que a super-especial, com 2,06 km de extensão e a ser percorrida, como habitualmente, nos arredores de Mortágua e Vale de Açores, com grande parte do traçado no asfalto da Estrada Nacional 234, terá início pelas 21h10, onde um mar de gente emoldura o traçado para homenagear uma figura ímpar dos ralis nacionais e regionais.

António Baptista, que ostentava o número 29 no cartão de sócio do Clube Automóvel do Centro, terá nesta iniciativa o reconhecido que, ao longo de várias décadas, desempenhou em prol dos ralis, pelo que o Rali de Mortágua, terceira prova pontuável para o Campeonato de Portugal de Ralis, Campeonato Centro de Ralis, Desafio Kumho Centro e Desafio Kumho Terra, ganha um novo significado.

Na estrada a 3 e 4 de Maio, a prova do Clube Automóvel do Centro associa-se à dor dos familiares de António Baptista, à semelhança, aliás, do que aconteceu em 2017, ao criar a Prova Extra (Regional) – Critério de Ralis Jorge Amorim, com a finalidade de homenagear o sócio, Jorge Amorim, falecido em Fevereiro desse mesmo ano.

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