Rali de Monte Carlo: glamour e desafios q.b.

A primeira de 12 provas de um calendário de WRC, vai esta quinta-feira para a estrada mas à “porta fechada”. A edição deste no foi reformulada devido à pandemia da Covid-19, em que francês e campeão em título, Sébastien Ogier, de Gap, onde decorre a prova, é o alvo a bater.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

O Rali de Monte Carlo, o mais antigo do calendário do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), celebra, na edição deste ano, o seu 110.º aniversário. A prova monegasca é considerada a mais famosa do globo, em parte devido ao “glamour” associado à proximidade com o Principado, mas também pelos desafios que propicia em cada edição.

A imprevisibilidade das condições meteorológicas é, também, um factor que coloca o Rali de Monte Carlo num patamar elevado de espectacularidade, mas também de contornos extremamente difíceis, uma vez que o asfalto daquele território monegasco pode ser surgir seco ou molhado, escorregadio face ao gelo ou coberto de neve. E, tudo isto, pode acontecer numa só etapa.

Estas condições implicam um estudo minucioso no que diz respeito às escolhas dos pneus mas que também pode ser uma equação de difícil resolução, com a particularidade de, este ano, os pilotos terem a missão de se familiarizar com os novos pneumáticos da Pirelli, único fornecedor do WRC.

No que concerne ao percurso, a estrutura organizativa agilizou inúmeras alterações, com grande parte a ser divergente relativamente a 2020, em que a plano desportivo também tem uma aparência diferente do normal. A autorização para a realização da prova obrigou a medidas de segurança drásticas, com obrigatoriedade de recolher nocturno, extensível em todo o território francês, significando que não haverá etapas durante a noite mas, em contrapartida, algumas vão iniciar-se um pouco antes do amanhecer.

Os horários das classificativas foram alterados para que seja cumprido o recolher obrigatório às 18h00, com o Rali de Monte Carlo a não ter público. As especiais vão ser fechadas no dia anterior às 18h00, excepto para os residentes. Estarão mais de 100 comissários e polícias destacados para fazer cumprir a lei e a ausência de espectadores.

Apesar de todos estes constrangimentos, e independentemente do Rali de Monte Carlo ser disputado em estradas novas ou velhas, Sébastien Ogier é quem melhor conhece a prova monegasca, dado que nasceu em Gap, cidade onde decorre a prova. O piloto francês inicia a em casa a defesa do título ao volante do Toyota Yaris WRC, este ano às ordens do finlandês Jari-Matti Latvala que, recorde-se, rendeu no cargo o seu compatriota Tommi Makinen.

Sébastien Ogier viu o ano passado a sua série de seis vitórias consecutivas por Thierry Neuville (Hyundai i20 Coupe WRC), estando agora mais ansioso que nunca por vingar-se do sucedido e registar o oitavo triunfo no Rali de Monte Carlo.

«Este ano será diferente do normal. Sempre tive um apoio massivo, mas, mesmo se os adeptos não estarão na berma da estrada, vão dar-me o seu apoio pela televisão e nós tentaremos fazê-los felizes», disse Sébastien Ogier.

O piloto francês, que terá como companheiros de equipa na Toyota Gazoo Racing WRT, o britânico Elfyn Evans, o finlandês Kalle Rovanpera e o japonês Takamoto Katsuta, diz estar «mais preparado, depois de ter feito alguns ralis com o Yaris WRC», o que lhe transmite «mais confiança».

A maior ameaça deverá chegar, mais uma vez, da Hyundai Shell Mobis WRT, a equipa campeã de Construtores, que em 2021, deixa de contar com a prestação do francês Sébastien Loeb, o recordista de títulos mundiais, com nove, conquistados consecutivamente de 2004 a 2012.

O anterior campeão, o estónio Ott Tanäk, e o belga Thierry Neuville são os pilotos principais, com o terceiro carro a ser dividido pelo espanhol Dani Sordo e o irlandês Craig Breen. O piloto Thierry Neville, que mudou de navegador, com o belga Nicolas Gilsoul a ser substituído pelo compatriota Martijn Wydaeghe, pelo menos na primeira prova da época, frisou que vai observar «se será ele a ficar no carro depois, mas é novo e motivado».

Já o estónio Ott Tanäk, espera esquecer a temporada de 2020, em que perdeu o título, admitindo que o Rali de Monte Carlo «é sempre um desafio, talvez o maior da temporada e, como é a primeira prova da época, é onde estamos mais nervosos».

Refira-se que a Hyundai Shell Mobis WRT contratou a promessa norueguesa Oliver Solberg, filho do antigo campeão mundial de 2003, Peter Solberg, que correrá na classe WRC2 este ano, devendo subir à competição principal em 2022.

Na M-Ford Ford WRT, mantém-se o britânico Gus Greensmith e o finlandês Teemu Suninen, tendo entrado o francês Adrien Fourmoux, que substitui o finlandês Esappeka Lappi.

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