Quando vão arrancar os motores?

O pensamento crítico e a inteligência emocional levam o jornalista António Xavier a debruçar-se sobre o que o futuro do desporto motorizado nos reserva, assinando no Press XL News – Notícias do Mundo Motorizado um texto que uma visão alargada. Num cenário que ultrapassa fronteiras e que está longe de ser risonho, o jornalista, apaixonado pelos automóveis e desportos motorizado, destaca os desafios, competências e prioridades tendo em vista o futuro.

 

 

Texto: ANTÓNIO XAVIER – Fotos: JORGE CUNHA E ALBANO LOUREIRO / AIFA

Provas adiadas ou mesmo canceladas

em todos os campeonatos e disciplinas

O panorama da época de 2020 não é risonho. Longe disso! Muita indefinição, inúmeras soluções apontadas, mas nada é claro ou preciso. Este cenário abrange as mais importantes provas internacionais, como os já “saudosos” campeonatos do mundo de Fórmula 1 e ralis. Mas não são só os desportos motorizados de quatro rodas que estão parados e à espera de novas datas para o arranque. O Moto GP aguarda luz verde, bem como todos os outros eventos internacionais e nacionais estão suspensos. O perigo da pandemia obriga a decisões drásticas, que numa primeira fase passam pelo adiamento de algumas provas, que mais tarde chegam mesmo a ser cancelas.

Este ano tudo vai andar ao ritmo do Covid-19

A viabilidade para recuperar uma prova num milionário calendário internacional não é fácil. Isto porque a marcha da pandemia é imprevisível a nível mundial e, mesmo que o controlo da saúde pública seja acautelado, há apoios e investimentos que tinham sido garantidos e que, devido à crise pandémica, foram obviamente direcionados para situações mais urgentes e preocupantes. A garantia de não existir contágio é praticamente impossível de alcançar, uma vez que as deslocações de milhares de pessoas são maioritariamente feitas de avião, para além de ser difícil controlar concentrações e contactos sociais durante um evento de grandes dimensões. Para que isso tudo seja possível, aumentam os custos de organização com o necessário controlo e aquisição de estruturas necessárias para evitar ou minimizar contágios.

Um dos fortes exemplos de tudo isto é o recente cancelamento do Vodafone Rally de Portugal, uma das mais prestigiadas provas do WRC que, inicialmente esteve agendada para os dias 21 a 24 de maio, tendo depois sido adiada para os últimos dias de outubro. Agora, oficialmente a prova portuguesa foi cancelada, com o ACP a direcionar já todos os esforços para a edição de 2021. Em termos práticos, o WRC 2020 contou apenas com 3 provas, Monte Carlo (vitória de Neuville), Suécia (triunfo de Evans) e México (vitória de Ogier). A partir de agora tudo é imprevisível, sendo certo que o Quénia agendado para 16 a 19 de julho terá grandes dificuldades em se realizar.

Se o WRC contou com 3 provas em 2020, já o Campeonato do Mundo de F1 nem sequer chegou a arrancar. As hipóteses para que exista campeonato não são as mais fiáveis, embora exista uma forte vertente para que tudo possa arrancar na Áustria a 5 de julho, com duplo GP e, claro está, à porta fechada. Mesmo assim é previsível que estejam, presentes perto de duas mil pessoas, entre organizadores e equipas, números que criam dificuldades de controlo para deslocações e estadia no país. Também na F1 tudo vai andar ao ritmo do Covid-19, para já não falar na Fórmula E, já com inúmeras provas adiadas e com os promotores a pensarem seriamente em retirar as corridas dos centros urbanos das respetivas capitais.

Em Portugal que tipo de campeonatos vamos ter?

O panorama nacional não foge à lei da pandemia. O Campeonato de Portugal de Ralis contou apenas com o Rali Serras de Fafe e Felgueiras, com vitória de Armindo Araújo, enquanto no Todo Terreno se realizaram duas provas, a Baja TT Vindimas do Alentejo com triunfo de Tiago Reis e a Baja TT ACP com vitória de Miguel Barbosa. A partir daqui tudo são apenas hipóteses. Nos ralis, fora do agendamento já estão Açores (com possibilidade de se realizar entre 17 e 19 de setembro), Mortágua e Rali de Portugal já cancelado. Em calendário há ainda mais seis provas, com os ralis de asfalto ainda intocáveis em relação a datas, mas com a forte hipótese do Rali da Madeira (30 de julho a 1 de agosto), ter de ser adiado, devido às restrições impostas por questões de saúde. É absolutamente natural que a Madeira se queira resguardar em relação a uma “invasão” de concorrentes nacionais e estrangeiros, que teriam de cumprir períodos de quarentena. O mesmo pode acontecer com o Rali dos Açores, prova também pontuável para o Campeonato da Europa de Ralis, que também está comprometido em termos de calendarização final, com os organizadores a manterem para já as datas de 17 a 19 de setembro, mas tudo sujeito a confirmação. Para o campeonato açoriano, já foi cancelado o Rali Sical, que estava agendado para 1 e 2 de maio, com o Rali Ilha Azul, no Faial marcado para junho, poder vir a ser adiado.

Todas estas situações nacionais estão obviamente ligadas, havendo necessidade de chegar a um possível acordo de calendarização, entre FPAK e clubes organizadores, e até readaptar regulamentos, caso seja necessário. Há quem defenda que nos Açores e Madeira, poderá mesmo não haver campeonatos regionais em 2020, embora o desejo dos pilotos e equipas seja grande, mas as empresas regionais estão obviamente a cortar apoios para este ano, direcionando-os para situações mais urgentes. Refazer calendários, mas mais importante que tudo, arranjar apoios financeiros serão as preocupações para manter vivos os campeonatos de 2020, mas o essencial é que os portugueses se mantenham vivos e resistam a um indesejável ritmo imposto pelo Covid-19. Há que ter esperança, criatividade e preparar as épocas para 2021, onde é absolutamente necessário que tudo fique bem.

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