Portugueses dedicam Dakar a Paulo Gonçalves

Os portugueses que concluíram a participação no Rali Dakar de todo-o-terreno dedicaram os seus resultados à memória de Paulo Gonçalves, piloto português que faleceu vítima de queda à sétima etapa.

(auto.look2010@gmail.com)

Rúben Faria, director desportivo da Honda, que venceu a competição das duas rodas, revelou um sentimento agridoce e não esqueceu o amigo na hora do triunfo, através do norte-americano Ricky Brabec: «Quero dedicar este Dakar a duas pessoas: ao Paulo, que perdeu a vida fazendo o que mais gostava, e ao meu pai, que também faleceu e gostaria muito de ter assistido a esta vitória da Honda. Este Dakar não foi nada fácil depois da perda do nosso amigo Paulo Gonçalves. Pessoalmente, era um grande amigo e partilhámos muitas coisas. Não está a ser nada fácil», disse o algarvio de Olhão.

Já o piloto António Maio (Yamaha) foi o melhor representante nacional das motos, terminando na 27.ª posição: «Quero dedicar a minha participação ao Paulo Gonçalves, um amigo e excelente piloto que está a olhar por todos nós de certeza. Obrigado também a todos os portugueses que estão aqui a apoiar-nos. Agradeço também ao meu mecânico Bruno Pires pelo trabalho excelente que realizou», frisou, sobre o mecânico que é agente da PSP em Bragança a tempo inteiro.

Fausto Mota (Husqvarna), apesar de correr sob a bandeira espanhola, país onde reside há vários anos, terminou em sétimo lugar da classe maratona, 31.º da geral absoluta nesta quinta participação na prova: «Quero, acima de tudo, dedicar este Dakar ao Paulo, à sua família e amigos que estão a passar momentos muito difíceis com esta perda», salientou Fausto Mota.

Já Mário Patrão (KTM) admitiu que este «foi um ano difícil», mas conseguiu «terminar o Dakar que era o principal objectivo», não escondendo algumas críticas à organização: «Foi um Dakar num novo país, num novo continente e com muitas diferenças. Muito mais rápido, com menos navegação e mais perigoso, no meu entender. O descontentamento é geral e a organização terá muito trabalho para o próximo ano», destacou.

Nos SSV, Pedro Bianchi Prata foi quarto classificado ao lado do piloto zimbabueano Conrad Rautenbach (PH Sport): «O quarto lugar não foi mau. A segunda semana foi muito, muito complicada. Com a perda do Paulo, não consigo estar feliz, mas saio daqui com o sentimento de missão cumprida e com o meu décimo Dakar terminado enquanto concorrente», disse piloto de Marco de Canaveses.

O melhor resultado foi conseguido pelo navegador Paulo Fiúza, terceiro classificado nos automóveis ao lado do francês Stéphane Peterhansel (Mini), que nunca conseguiu ultrapassar o facto de, à última da hora, não ter podido correr com a mulher, a alemã Andrea Mayer Peteransel, vítima de um problema de saúde.

O também navegador Filipe Palmeiro acompanhou o lituano Benediktas Vanagas, terminando na 15.ª posição dos automóveis. Nos camiões, Bruno Sousa foi 26.º no camião guiado pelo alemão Mathias Behringer (South Racing).

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