Portugal de luto com a morte de Paulo Gonçalves

O Presidente da República lamentou hoje a morte de Paulo Gonçalves, que faleceu na sequência da uma queda durante a sétima etapa do Rali Dakar, lembrando que o piloto português foi «um digníssimo representante de Portugal» na prova.

(auto.look2010@gmail.com)

«Paulo Gonçalves morreu a tentar alcançar o sonho de vencer uma das mais duras e perigosas provas de rali do mundo, na qual foi sempre um digníssimo representante de Portugal, chegando a alcançar o segundo o lugar em 2015», pode ler-se na nota publicada no site da Presidência. Marcelo Rebelo de Sousa apresentou ainda «as mais sentidas condolências» à família do piloto de Esposende.

Paulo Gonçalves, de 40 anos, morreu hoje na sequência de uma queda na 7.ª etapa do rali Dakar na Arábia Saudita. O experiente piloto, segundo da edição de 2015 e que disputava o seu 13.º Dakar, caiu ao quilómetro 276 da especial. De acordo com a informação da francesa Amaury Sport Organization (ASO), o alerta foi dado às 10h08 locais, menos três em Portugal.

Foi enviado de imediato um helicóptero que chegou junto do piloto às 10h16, tendo encontrado Paulo Gonçalves inconsciente e em paragem cardio-respiratória.

«Depois de várias tentativas de reanimação no local, o piloto foi helitransportado para o hospital de Layla, onde foi confirmada a morte», lê-se na nota. Paulo Gonçalves participava no Dakar pela 13.ª vez desde 2006, ano de estreia na prova. Foi segundo classificado em 2015, atrás do espanhol Marc Coma, o seu melhor resultado, depois de já ter sido campeão mundial de ralis cross-country em 2013. Ocupava a 46.ª posição das motas à partida para esta etapa.

Paulo “Speedy” Gonçalves foi campeão nacional de motocross, supercross e enduro (20 títulos), muitos deles conquistados com as cores da Motogomes, de Coimbra, tendo sido também campeão do Mundo de Todo-o-Terreno em 2013. O piloto de Esposende venceu a sua primeira etapa no Dakar em 2011, terminou em 10.º em 2009 e disputou a prova por 13 vezes, sendo um dos poucos pilotos a ter disputado a prova “rainha” do TT mundial nos três continentes onde já se disputou: África, América do Sul e Médio Oriente.

As reacções à morte de Paulo Gonçalves não se fizeram esperar, desde antigos pilotos portugueses de todo-o-terreno até Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM): «O motociclismo português está de luto. Não posso estar mais triste. Era um piloto que adorava e conhecia desde pequeno. Era um exemplo como piloto e como pessoa», afirmou Jorge Viegas.

Também Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP) estava arrasado com a notícia da morte de Paulo Gonçalves: «Estive com ele, na partida do Dakar. Falámos, falamos, como ele tanto gostava, e sempre com grande entusiasmo pela moto nova. Era um bom homem, um lutador e um grande motard. Na Birmânia, onde estou, chegou a notícia. Não podia ser. Fui confirmar. Era mesmo verdade. Paulo, nunca te esqueceremos. Deixaste-nos na corrida que tanto amavas! A corrida da vida! Até sempre.»

Carlos Sainz, piloto que venceu a tirada enlutada de hoje e que comanda a classificação geral nos automóveis, utilizou a conta do twitter para escrever que «hoje é um dia muito triste aqui no Dakar. Descansa em paz Paulo».

Quem também não ficou indiferente à morte de Paulo Gonçalves foi Miguel Oliveira, piloto português de MotoGP: «O Paulo deixou uma marca profunda na vida de quem teve o privilégio de se cruzar com ele. A sua coragem e valentia são exemplos para nós».

Marta Baio, mãe de Afonso Gomes, da Motogomes, estava desolada com a partida de Paulo Gonçalves: «Quando recebes pela manhã uma notícia destas só pensas que é um pesadelo e que só queres acordar… Grande exemplo de ser humano (como poucos), grande piloto, grande guerreiro com uma garra e determinação incomparável. És e serás sempre um grande exemplo a seguir. Obrigado Paulo. Descansa em paz».

Hélder Oliveira, piloto de todo-o-terreno, escreveu na sua página de facebook: «O Paulo era um exemplo de dedicação e raça! Além da reconhecida velocidade, tinha uma capacidade de superar todos os obstáculos inacreditáveis. Um espírito de luta, uma força de vontade que sempre admirei. Mas desta vez não deu… O nome que levavas na camisola (Hero) retrata aquilo que efectivamente eras, um herói. Um herói das motos, um herói do Dakar e um herói na família! Partiste a fazer aquilo que efectivamente gostavas.

Centenas de figuras ligadas ou não ao Desporto Motorizado manifestaram a sua dor e, todos, sem excepção, deixaram os seus mais sentidos pêsames à família do malogrado piloto, um herói que defendia as cores da Hero e que morreu a fazer aquilo que tanto amava.

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