Pilotos “saltam” do asfalto para pistas de simulação

Com os principais campeonatos mundiais de automobilismo interrompidos pela pandemia da Covid-19, os pilotos estão a trocar as pistas pelos torneios virtuais com simuladores.

(auto.look2010@gmail.com)

Os portugueses Filipe Albuquerque (Mundial de Resistência) e António Félix da Costa (Mundial de Resistência e Fórmula E) até já partilharam “pistas” com pilotos de Fórmula 1, como o holandês Max Verstappen.

«Fazemos sorteios das pistas e dos carros cinco minutos antes de começarmos. Podem ser carros de Fórmula 1, GT’s, Fórmulas ou Legends», explicou Filipe Albuquerque, que lidera a categoria LMP2 no Mundial de Resistência, que viu a sexta e a sétima etapas adiadas.

«Os “gamers” não nos dão hipóteses», garantiu, por sua vez, António Félix da Costa, que espera aproveitar «as primeiras semanas de paragem para recuperar o corpo de algumas lesões que as constantes viagens não deixam sarar em condições».

Para já, António Félix da Costa tem estado em quarentena profilática e afastado de família e amigos, pois regressou recentemente de Nova Iorque (Estados Unidos), enquanto a missão de Filipe Albuquerque é mais “espinhosa”, pois tem duas crianças pequenas em casa.

«De manhã coloco alguns exercícios na televisão para fazer e elas depois acabam por também fazer. Temos de ser criativos», argumentou o piloto de Coimbra à Lusa, detalhando que treina «essencialmente o pescoço», por não poder ir correr, e que faz “cardio” em casa.

Mais facilitada está a tarefa de Tiago Monteiro, piloto da Honda na Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR): o portuense tem um ginásio em casa, que agora é aproveitado ao máximo.

«E tenho um jardim, que me permite correr à volta de casa», contou o antigo piloto de Fórmula 1. Menos dado às novas tecnologias, Tiago Monteiro deixa o treino de simulador para o filho, que compete nos karts.

«Não sou grande adepto de simuladores, nem tenho grande paciência. Tenho um simulador em casa ligado à “playstation”, mas é mais o meu filho que usa», pontuou.

Por outro lado, vários pilotos a nível mundial são agora obrigados a repensar o seu modelo de treino. Emiliano Ventura, treinador de vários pilotos de automobilismo, incluindo António Félix da Costa e Tiago Monteiro, explicou à Lusa que o facto de a paragem ter surgido ainda em fase de pré-temporada evitou males maiores.

«Hoje em dia, já é mais fácil trabalhar a partir de casa», notou, admitindo, contudo, que a interdição dos ginásios «tem alguma interferência» na preparação, embora a maior parte desta possa ser desenvolvida em casa.

Até porque, na sua opinião, grande parte dos pilotos «estão adaptados para treinar em viagem e quase todos têm kits de treino». A parte mais complicada, segundo Emiliano Ventura, «é trabalhar a vertente de cardio», e também gerir a componente motivacional.

«Tinha alguns pilotos na Austrália, em competições de Fórmula 2 e Fórmula 3, mas foi tudo cancelado. Aí já entra a componente de frustração», disse. Para Emiliano Ventura, o que a paragem mais prolongada terá de benéfico é que permitirá «a alguns pilotos recuperarem de mazelas» e melhorar a preparação.

«No início de cada época, costuma haver maior variação de vencedores nas corridas. Com o decorrer da época, a variação é menor», salientou. Por isso, Emiliano Ventura acredita que, quando recomeçarem os campeonatos, a preparação dos pilotos estará mais avançada e haverá «maior imprevisibilidade» nos resultados.

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