Peterhansel “intrometeu-se” entre Al-Attiyah e Loeb

Num deserto a perder de vista e muitos labirintos para contornar sem erros, a 10.ª e antepenúltima etapa do Rali Dakar, Stéphane Peterhansel foi o mais rápido nos automóveis, mas todos os olhos estão centrados na luta entre Nasser Al-Attiyah e Sébastien Loeb…

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

Nasser Al-Attiyah (Toyota)

Especial após especial e duna após duna, o piloto francês Sébastien Loeb ainda sonha escrever o seu nome como vencedor pela primeira vez no Rali Dakar, mas Nasser Al-Attiyah mantém-se firme e está a ser a “barreira” muito difícil de desmoronar. No entanto, o foco do piloto alsaciano resiste, dando o seu melhor quilómetro após quilómetro. O príncipe do Qatar, por sue turno, e beneficiando da experiência acumulada, ambiciona, legitimamente, de festejar com pompa e circunstancia a vitória à geral e, com isso, ser elevado “rei” da Arábia Saudita.

Neste jogo do “gato e do rato”, Sébastien Loeb (BRX), o nove vezes campeão mundial de ralis, nunca deixou de ser um exímio “caçador” e, etapa após etapa, tem enfrentado com “sangue na guelra” o qatari da Toyota Gazoo Racing. A somente duas tiradas do fim da 44.ª edição do Rali Dakar, um pequeno erro pode ditar uma enorme desilusão, pelo que a estratégia a adoptar por ambos os pilotos não deve alterar-se.

Sébastien Loeb (BRX)

À partida para a 11.ª etapa, a última em forma de “loop”, com partida e chegada a Bisha a desenvolver às primeiras horas desta quinta-feira, Sébastien Loeb está a 32m40s piloto do Qatar, mas já anunciou que jamais vai baixar a guarda, embora consciente da confortável liderança do seu mais directo opositor.

Na 10.ª etapa, disputada esta quarta-feira, o francês Stéphane Peterhansel, navegado por Edouard Boulanger, manteve-se afastado literalmente deste jogo de interesses, e conduziu com audácia o Audi RS Q e-tron ao triunfo, vencendo, pela primeira vez nesta edição, e a 49.ª na carreira, e ficou a somente um triunfo em etapas do recorde estabelecido pelo finlandês Ari Vatanen.

O francês deixou os companheiros de equipa, os espanhóis Carlos Sainz e Lucas Cruz, em viatura idêntica, no segundo lugar, a 2m06s, com o argentino Orlando Terranova, navegado por Daniel Oliveras (BRX Prodrive Hunter), a cotar-se o terceiro mais rápido, a 3m59s do vencedor.

Miguel Barbosa e Pedro Velosa (Toyota Hilux Overdrive)

A dupla portuguesa formada por Miguel Barbosa e Pedro Velosa (Toyota Hilux Overdrive), não foi além do 45.º lugar, a 45m56s do “Senhor Dakar”. O piloto do BP Ultimate Vodafone Team partiu de trás, numa salada russa de categorias, não evitando muito no pó levantado pela passagem dos SSV, mas esta quinta-feira é outro dia com muita areia e dunas.

O lituano Vaidotas Zala, navegado pelo mafrense Paulo Fiúza (Mini All4 Racing) recuperou uma posição, e está a um lugar do “top 10” e, entre o oitavo e o 11.º lugar, estão a 40 minutos, pelo que a entrada entre melhores dez é perfeitamente alcançável.

Nos veículos ligeiros, o norte-americano Seth Quintero (OT3) conquistou a nona vitória em etapas e ficou a duas do recorde (o máximo já conseguido numa mesma edição foi de 10), tendo falhado apenas o triunfo no segundo dia da prova.

Mário Franco e Rui Franco (Yamaha)

Nos SSV, Os irmãos Mário e Rui Franco (Yamaha) tiveram inúmeros problemas, numa etapa em que Luís Portela Morais e David Megre (Can-Am) foi 11.º classificado, a 13m34s do vencedor, o polaco Marek Goczal (Can-Am). Rui Oliveira e Fausto Mota (Can-Am CRN Competition Team) foi 24.º e está na 16.ª posição.

Para esta quinta-feira, a caravana terá pela frente a penúltima jornada da 44.ª edição do rali Dakar e a última em forma de “loop”, com partida e chegada a Bisha. O Sector Selectivo terá 346 km aos quais acresce 155 de ligação que poderão ser decisivos na classificação final. Cerca de metade da jornada obrigará máquinas e pilotos e enfrentar dunas de todos os tamanhos e formatos. Esta será a última grande luta de 2022.

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