Peterhansel “electrificado” e motivado com a Audi

“Senhor Dakar” teve a oportunidade de manifestar que estava na altura de colocar um ponto final na competição de todo-o-terreno mais dura do mundo. No entanto, o namoro com a marca dos quatro anéis deu em casamento, encontrando na Audi a motivação para continuar.

CARLOS SOUSA (carlos.sousa@autolook.pt)

A Audi Sport confia no seu “esquadrão” para fazer mossa na 44.ª edição do Rally Dakar nas magníficas paisagens da Arábia Saudita, onde areia e calor serão novamente o adversário dos pilotos. Para a prova de todo-o-terreno mais dura do mundo, a realizar de 1 a 14 de Janeiro, a marca das alianças inicia um ambicioso projecto com viaturas totalmente eléctricas e dotadas de baterias de alta voltagem que podem ser recarregadas durante a pilotagem.

Stéphane Peterhansel, piloto francês com o maior número de triunfos da história na prova desenhada pela compatriota Amaury Sport Organisation (ASO), terá como companheiros de equipa na marca de Ingolstadt, o espanhol Carlos Sainz e o sueco Mattias Ekström.

O “Senhor Dakar” é, inevitavelmente, um piloto a ter em linha de conta. Por onde passa deixa a sua marca, tendo já conquistado o título pela 14.ª vez, a oitava entre os automóveis e seis entre as motos. Elucidativo. É um cenário vincado desde a sua estreia na categoria de motos, no Inverno de 1988, sendo o único piloto capaz de vencer em cada um dos continentes visitados pelo Rally Dakar.

Foi no início deste ano que Stéphane Peterhansel aumentou para 14 o número de títulos no Rally Dakar, fazendo equipa com Edouard Boulanger, navegador que tinha apenas 11 anos quando o “Senhor Dakar” ganhou a prova pela primeira vez. Recorde-se que o francês assegurou com 13m51s de vantagem para Nasser Al-Attiyah, com Carlos Sainz a terminar no terceiro posto.

Apesar do seu invejável pecúlio, Stéphane Peterhansel esteve na iminência de despedir-se do Dakar, mas com o aparecimento do projecto híbrido da Audi, o piloto “namorou”, “casou” e vai tirar a primeira quinzena de Janeiro de 2022 para a tão desejável “lua-de-mel”.

«Das 14 vitórias na última edição do Dakar, considero a de 2021 uma das melhores, porque houve uma grande luta com o Nasser (Al-Attiyah), em que o pude compartilhar com um novo navegador. Foi o momento ideal para me despedir mas, no final, a Audi deu-me um desafio interessante e não pude recusar. Quero fazer parte desta aventura», afiançou Stéphane Peterhansel.

O piloto francês está consciente do desafio que representa a estreia do Audi RS Q e-tron no Dakar. Embora tenham realizado vários dias de teste nos desertos árabes, a dureza da própria corrida levará a viatura da assinatura dos quatro anéis a limites desconhecidos.

«O Dakar é o banco de testes mais complicado. É de se esperar que tenhamos problemas de superaquecimento nas baterias, motores ou eletrónicas, mas estamos preparados para este desafio», sublinhou Stéphane Peterhansel.

O veterano francês representou a Mini nos últimos três anos, assim como o espanhol Carlos Sainz, “El Matador”, que será seu companheiro de equipa na Audi. Aos 59 anos de idade, o bicampeão mundial de ralis e campeão do Dakar em 2010, 2018 e 2020, terá de novo ao seu lado o inseparável navegador e compatriota Lucas Cruz.

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