Paulo Gonçalves troca Honda pela Hero

Piloto português natural de Esposende mantém o sonho de conquistar a maior maratona de todo-o-terreno do mundo, transferindo-se da marca japonesa para a indiana, onde se encontra o cunhado Joaquim Rodrigues Jr.

(auto.look2010@gmail.com)

O motard Paulo Gonçalves é o mais recente reforço da Hero Motorsports, equipa com a qual o piloto português espera lutar pela vitória no Dakar, anunciou hoje o construtor indiano em comunicado.

O piloto de Esposende deixa a Honda, ao fim de cinco anos marcados por lesões, que limitaram as possibilidades de lutar pela vitória no rali Dakar, prova rainha de todo-o-terreno, «o principal objectivo» de cada temporada, disse o piloto, de 40 anos.

«Estou bastante entusiasmado. Espero estar à altura do desafio e que a equipa cresça», comentou Paulo Gonçalves, que se junta ao cunhado Joaquim Rodrigues Jr. na equipa da marca indiana. Além dos dois portugueses, alinham ainda com as cores da Hero o espanhol Oriol Mena e o indiano Chunchunguppe Santosh, numa estrutura preparada pela equipa alemã Speedbrain, que já foi responsável pela participação da BMW e Honda no Dakar.

«É uma estrutura que eu conheço bem e com a qual consegui o segundo lugar no Dakar e o título de campeão do mundo de todo-o-terreno em 2013», sublinhou Paulo Gonçalves. O piloto português, que mantém o sonho de conquistar a maior maratona de todo-o-terreno do mundo, sobretudo numa altura em que a prova vai mudar, novamente, de cenário.

«Sou um privilegiado pois, estando à partida da próxima edição, alinho na prova em três continentes diferentes. Fiz os dois últimos em África e dez dos 11 que se disputaram na América do Sul», sublinhou o piloto de Esposende. O objectivo «é trabalhar como até aqui. Nos últimos dois anos não fui feliz no período pré-Dakar, com dois acidentes que me impediram, em 2018, de alinhar, e em 2019 de estar nas melhores condições», observou o piloto da Hero.

Sobre a mudança do Dakar para a Arábia Saudita, Paulo Gonçalves acredita que «vai trazer uma nova dinâmica à prova». «Vamos todos ao desconhecido e em igualdade de condições. Na América do Sul já nos sentíamos em casa, mas agora mudamos todos. Não há pilotos que vivam na região e que possam treinar naquelas pistas até ao dia da prova, enquanto os europeus estavam impedidos de treinar nos seis meses antes da competição», explicou.

Paulo Gonçalves já treina com a nova moto, que considera «muito interessante», depois de ter recuperado de uma queda sofrida na edição deste ano do Dakar, que lhe provocou a compressão de vértebras e um traumatismo craniano.

«A próxima corrida será a segunda etapa do Mundial, a Rota da Seda, que tem mais de Dakar do que o próprio Dakar deste ano. São 10 dias seguidos e o percurso atravessa três países (Rússia, Mongólia e China), quando, em 2019, o Dakar teve dez dias, mas com um de descanso pelo meio e as pistas desenhadas num único país», apontou.

A luta pelo Campeonato do Mundo de Todo-o-Terreno não será um objectivo este ano, até por já ter falhado uma prova. Em 2018, ainda com a Honda, Paulo Gonçalves foi o único piloto a vencer duas provas do Mundial, no Chile e na Argentina.

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